Consultor Jurídico

Execuções penais

Ré pede regressão do regime prisional para estudar

Um Habeas Corpus levado ao Supremo Tribunal Federal pede a regressão do regime de prisão para que a ré possa estudar. No pedido, a defesa explica que a ré estava em regime semiaberto quando fez vestibular para o curso de Direito e quando descobriu que havia sido aprovada obteve o beneficio da prisão domiciliar. No entanto, este benefício a impede de sair de casa para estudar.

Antes de chegar ao Supremo, o pedido de Habeas Corpus foi negado pelo Superior Tribunal de Justiça. Para a defesa, a corte ignorou a Lei de Execuções Penais, que permite saídas para estudo, em seu artigo 126.

A ré foi condenada a uma pena de seis anos e cinco meses de reclusão, cumprida em regime semiaberto, em caráter excepcional, por ter um filho com retardo de desenvolvimento psicomotor e distúrbio psiquiátrico. O benefício de prisão domiciliar foi concedido pelo juízo da Vara de Execuções Penais (VEP).

Durante o cumprimento da pena no regime semiaberto, G.B.P. prestou vestibular para o curso de Direito, foi aprovada e matriculada no curso. Como a concessão do benefício da prisão domiciliar restringe sua liberdade de ir e vir, G.B.P. requereu ao juízo da Vara de Execuções Penais a possibilidade de frequentar as aulas, porém, teve seu pedido indeferido.

Ao negar o pedido, o juiz da VEP salientou que "esse juízo deferiu o benefício de prisão domiciliar, com o objetivo único de que a sentenciada pudesse fornecer a assistência necessária ao seu filho portador de deficiência mental, visto que seus familiares têm sido incapazes de prover, e que para tal é necessária a permanência em casa por período integral, conforme termo de compromisso assinado".

Os advogados recorreram ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal para que fosse aplicada a LEP, mas o pedido foi indeferido. Com mesmo teor, a defesa buscou no STJ a possibilidade de frequentar as aulas, porém, também teve resposta negativa ao pedido de liminar.

Para os advogados, o periculum in mora (perigo da demora) se faz presente no caso, uma vez que a sua cliente já está matriculada e suas aulas tiveram início no mês de fevereiro de 2012 e há o risco de perder a sua vaga no curso. De acordo com a defesa, também está presente o fumus boni juris (fumaça do bom direito), pois, conforme disposto no artigo 126 da LEP (com a redação dada pela Lei 12.433, de 2011), é direito do apenado — ainda que cumpra sua reprimenda em regime fechado — de frequentar curso regulares e profissionalizantes.

Nesse sentido, a defesa requer a concessão da liminar para que a ré tenha o benefício de saídas para estudo e, por fim, a confirmação da liminar. Com informações da Assessoria de Imprensa do STF.

HC 112.385




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Revista Consultor Jurídico, 24 de fevereiro de 2012, 9h00

Comentários de leitores

2 comentários

Os Tribunais ignoram a Lei como se nem existisse

Diogo Bento Serafim (Advogado Sócio de Escritório)

Que crime essa mulher cometeu? Genocídio? Pq nem com um filho deficiente mental e um curso de Direito ela pode sair! E a LEP sendo totalmente ignorada por nossos Ilustres Ministros.
Agora liberdade para um Médico que abusa de pacientes, ah, isso é fichinha, habeas corpus concedido!

QUE EXAGERO

Olympio B. dos S. Neto (Advogado Autônomo)

Será que tal pleito tem que chegar até o STJ, ou até o STF, para que tenha essa pobre coitada, que ao meu almeja melhor sua qualidade de vida e o de sua família, estudando e procurando galgar uma melhor posição no mercado de trabalho. E a ressocialização do apenado onde é que vai parar se ficarmos tão apegados a pequenices como esta.

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