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Caso Mércia

Mizael Bispo se entrega à polícia

O advogado e ex-policial militar Mizael Bispo de Souza, acusado de matar a ex-namorada Mércia Nakashima, se entregou nesta sexta-feira (24/2) ao juiz Leandro Jorge Bittencourt Cano, do Fórum de Guarulhos (Grande SP). Ele estava foragido desde dezembro de 2010. Ele será levado ao presídio militar de Romão Gomes, segundo informa a Folha Online.

A defesa de Mizael já entrou com pedido na Justiça para que ele cumpra prisão domiciliar. "Como ele é advogado, tem direito a uma cela especial. Mas, como esse tipo de cela não existe, a única opção é a prisão domiciliar", afirmou o advogado de Mizael, Samir Haddad Júnior. "Ele está aliviado em se entregar. Agora vai poder ver a família dele, a filha dele tranquilamente", declarou.

Haddad disse que sempre conversou com o cliente por telefone, mas quenão sabia onde Mizael estava. "Se a polícia soubesse onde ele estava havia prendido. Se sabia, prevaricou".

O advogado disse ainda que Mizael se apresentou acompanhado de advogados de Guarulhos nesta tarde. Haddad explicou que o presídio Romão Gomes não recebe mais ex-PMs, mas Mizael se encaixa na categoria de policial aposentado por invalidez.

Denúncia
Mizael foi denunciados e acusado por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, cruel e sem possibilidade de defesa da vítima). Desde o início das investigações, nega todas as acusações.

Mércia, advogada como o ex-namorado, desapareceu em 23 de maio de 2010. Seu carro foi encontrado em uma represa de Nazaré Paulista no dia 10 de junho daquele ano. O corpo foi encontrado no dia seguinte.

O vigia Evandro Bezerra Silva, acusado de ser o cúmplice do advogado e ex-PM, foi denunciado sob acusação de homicídio duplamente qualificado. Chegou a falar, em depoimento à polícia, que combinou de ir buscar Mizael na represa no dia do desaparecimento de Mércia, mas depois mudou a versão e negou envolvimento com o crime.

Habeas Corpus
Mizael teve diversos pedidos de HC negados pela Justiça no período em que esteve foragido. Em dezembro do ano passado o STJ negou dois pedidos apresentados pela defesa do ex-PM. Segundo o STJ, em um dos HCs a defesa alegava incompetência dos juízes de Guarulhos para julgar o caso, já que o crime ocorreu em Nazaré Paulista (64 km de São Paulo). O segundo pedia a revogação da prisão preventiva.

Em maio, o STJ já havia negado um pedido de Habeas Corpus protocolado pela defesa do acusado, que pedia a revogação da prisão preventiva do ex-policial decretada em dezembro do ano passado pela Vara do Júri de Guarulhos. Antes, a Justiça de São Paulo tinha negado o pedido de liberdade aos acusados em fevereiro.

Em janeiro, o TJ-SP também já tinha negado a devolução de bens de Mizael. Ele havia pedido a devolução de celulares, armas, roupas e sapatos que estão sob a guarda do juiz da Vara do Júri de Guarulhos desde o início da investigação sobre o crime.

Revista Consultor Jurídico, 24 de fevereiro de 2012, 21h43

Comentários de leitores

1 comentário

Expulsão

Flávio Souza (Outros)

Gente, como ainda paira a dúvida sobre a morte da moça e quem a matou, mas diante da ausência do ex-policial por certo período e agora reaparece dizendo-se inocente, creio que a OAB em respeito a família da jovem devesse afastá-lo temporariamente dos quadros da OAB e assim ele ficar sem as prerrogativas de prisão privilegiada, enfrentando assim a prisão comum como todos os outros mortais. A justiça tem que ser rápida para dirimir a dúvida se ele é ou não culpado pela morte da jovem, afinal se ele é inocente não deve ser preso e com isso ser responsabilizado pelo evento em comento. A OAB que exige tanto respeito e lisura dos políticos e magistrados deveria olhar com maior carinho para o seu Estatuto e assim expulsar condutas reprováveis, quando identificadas. Assim penso.

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