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Segurança pública

PF prende líder da greve dos policiais da Bahia

A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira (7/2) o sargento Elias Alves de Santana, dirigente da Associação dos Profissionais de Polícia e Bombeiros (Aspol). De acordo com nota publicada no site do governo da Bahia, ele é um dos líderes da greve dos policiais militares do estado, que está em seu sétimo dia. Santana é o segundo a ser preso da lista dos 12 mandados de prisão emitidos pela Justiça.

Os policiais presos são acusados de formação de quadrilha e roubo de patrimônio público. De acordo com o governo baiano, além do processo criminal, os policiais vão passar por um processo administrativo na própria corporação. No domingo (5/2), já havia sido preso o soldado Alvin dos Santos Silva, que é lotado na Companhia de Policiamento de Proteção Ambiental (Coppa).

Cerca de 10 mil PMs, de um contingente de 32 mil homens, estão em greve desde o dia 31 de janeiro. De acordo com o governo, durante o período de paralisação, o número de homicídios dobrou em comparação ao mesmo período do ano passado. A ausência de policiamento nas ruas também teria motivado saques e arrombamentos.

A greve dos policiais tem afetado a vida de grande parte da população baiana, direta ou indiretamente. A volta às aulas de estudantes de escolas públicas e particulares, que estava marcada para 6 de fevereiro, foi prejudicada. Apenas os alunos da rede pública estadual iniciaram o ano letivo.

Dois dias após a paralisação, a Justiça baiana concedeu uma liminar decretando a ilegalidade da greve e determinando que a Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra) suspenda o movimento. Enquanto a greve permanece, aproximadamente três mil homens do exército auxiliam na segurança de Salvador.

Os PMs reivindicam a criação de um plano de carreira, pagamento da Unidade Real de Valor (URV), adicionais de periculosidade e insalubridade, gratificação de atividade policial incorporada ao soldo, anistia, revisão do valor do auxílio-alimentação e melhores condições de trabalho, entre outros pontos. Com informações da Agência Brasil.




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Revista Consultor Jurídico, 7 de fevereiro de 2012, 21h28

Comentários de leitores

3 comentários

O brasileiro e sua ignorância

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Na verdade, esse movimento grevista deveria merecer o apoio total por parte da população. Os policiais em geral, no Brasil, ganham pouco, são parcamente treinados, sofrem pressão psicológica constante, e não raro sequer são amparados pelo Estado quando necessitam. Resultado: a população acaba sendo entregue à própria sorte, vez que o Executivo só se preocupa em instituir uma polícia capaz de defender o patrimônio do Estado e das grandes empresas. E não há justificativa para a situação de calamidade. Estados, Município e União nadam em dinheiro arrecadado de nossos bolsos, mas preferem gastar quase tudo pagando pessoal que muito pouco produz, deixando de se fazer os investimentos necessários em segurança pública ou pagar adequadamente os policiais. Como os governantes são mais espertos do que a população em geral, usam agora todos os mecanismos visando desmoralizar e desqualificar os policiais em greve, como se esses fossem inimigos da população quando na verdade a luta deles é em prol do povo, principalmente em favor dos mais necessitados.

Greve ou caos social?

Isaias  (Advogado Autônomo)

Parece que o pessoal da Bahia anda confundindo direito de greve com direito a fazer o que bem entender.
Com o uso de força, armas, invasão da sede do Poder Legislativo, a recusa em acatar ordem judiciária, a mensagem parece ser de que o que vale é a lei do mais forte e a ordem pública e suas instituições, e os poderes constituídos ficam em último lugar e que "não se metam" com eles.
Impor a vontade acima de tudo, promovendo um verdadeiro caos social - e o pior às vésperas do carnaval, será o única solução para os policiais que se sentem injustiçados ?
Tenho minhas dúvidas, acho que este movimento tem outras razões diversas das que aparenta ter.
È somente minha opinião, de leigo e mero espectador dos fatos, mas acho muito estranho este movimento que nem sequer tem apoio da totalidade da categoria.

Sucesso total

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

É lamentável se verificar que, tal como ocorria há cerca de 100 anos, a greve voltou novamente a ser crime. O chamado Partido dos Trabalhadores, sob a bandeira da defesa dos trabalhadores, conseguiu o que nenhum partidos de "patrões" conseguiu nas últimas décadas: acabar com o movimento sindical, e suprimir o direito mais básico dos trabalhadores.

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