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Negação do Holocausto judeu é perigoso e preocupante

Comentários de leitores

15 comentários

A comunidade acadêmica está em polvorosa

Alfredo Braga (Professor)

O Sr. Mário Jr., em seu comentário de 20/12/2012, às13:23 h, "No discurso, é tudo muito bonito...", tem toda a razão ao referir a postura um tanto quanto escorregadia do Prof. Pierpaolo Bottini.
Entretanto, e como diz o ditado, "há males que vêm para o bem", pois a frenética movimentação dessa pessoas, desde o professor-doutor Sean Purdy, aos editores da revista Carta Maior e os do jornal Folha de São Paulo, e até a alguns membros do Instituto de Psicologia da USP, nos mostra claramente que o livro Malleus Holoficarum, de Antonio Caleari é, apenas e tão-somente, uma grande pedra jurídica e legal no caminho da investida de uma certa "comunidade" [ http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=6YIo8gZzA0A ]. Daí a rápida articulação e os ataques orquestrados, diretos e indiretos, contra o livro e contra a pessoa do autor da monografia.
Não é só a comunidade acadêmica que está em polvorosa.

Negacionismo (3)

Lucerna Juris (Advogado Sócio de Escritório - Empresarial)

• A “suposta” perseguição dos cristãos pelo Império Romano: onde a materialidade, sabendo-se que os ataques das feras no Coliseu não eram gravados em vídeo ?
• As mortes de cristãos novos judaizantes (e outros) nas fogueiras da Inquisição: onde a prova da materialidade dos “supostos” queimados ? Onde as cinzas ?
• A “suposta” destruição de Cartago e de Jerusalém pelos romanos. Onde estão as fotos ?
• Onde a materialidade da “suposta” execução de bruxas na Idade Média ? Não há nenhuma gravação de conversas telefônicas dos seus executores.
• E onde se encontram as cabeças “supostamente” guilhotinadas pelo Terror durante a Revolução Francesa ?
• Onde a materialidade da “suposta” execução de milhões de ucranianos por parte da ditadura stalinista ?
• Onde a do “suposto” genocídio dos armênios em 1915 ?
• E quanto à “suposta” escravidão no Brasil ? Onde as cópias das iniciais das ações de cobrança dos salários não pagos pelos “supostos” senhores ? Onde as fotos das “supostas” chibatadas ? Onde os “supostos” troncos de pelourinho ?
Fiquemos por aqui. Já há material suficiente para os “revisionistas” desenvolverem outras “pesquisas” interessantes , além daquelas ridículas que afirmam fazer sobre o Holocausto.

Negacionismo (2)

Lucerna Juris (Advogado Sócio de Escritório - Empresarial)

A civilização (rectius: a incivilização) apresenta, ao longo dos séculos, infindáveis temas de grande interesse para estudos históricos. No entanto, parece que os soi-disant “especialistas em revisão da História” resolveram concentrar suas energias no “estudo” do Holocausto. Alegam seus próceres que este não existiu, ou que não apresentou as características relatadas pela historiografia predominante, pois não haveria provas materiais a sustentá-lo. Realmente, quanto a Hitler e seus asseclas de alto coturno, devemos reconhecer que não deixaram registradas em livros notariais a confissão de que iriam perpetrar o Holocausto.
Para os soi-disant “revisionistas”, de nada valem as centenas de milhares de provas documentais produzidas pelos próprios nazistas e que comprovam suas atrocidades. Não, tudo o que existe nos arquivos históricos dos diversos países, assim como nos vários museus do Holocausto espalhados pelo mundo é falso para eles: as câmaras de gás foram forjadas; são mentirosos os milhares de relatos de testemunhas presenciais, assim como das pessoas que perderam familiares e amigos nos campos de extermínio; os einzatzgruppen eram grupos de escoteiros que iam atrás das tropas distribuindo flores e presentes. Para os judeus, davam doces... Não tarda muito e certamente negarão que Hitler escreveu Mein Kampft...
Se nessas “pesquisas históricas” de acendrado “rigor científico” continuarem a nada descobrir que embase cientificamente suas absurdas alegações – como até agora nada conseguiram, a não ser ridículas argumentações sofísticas – sugiro aos negacionistas que se debrucem sobre outros temas como objetos de estudo, entre eles, por exemplo:

Negacionismo (1)

Lucerna Juris (Advogado Sócio de Escritório - Empresarial)

Não há a menor dúvida de que a liberdade de expressão e de publicação é condição sine qua non de um estado de direito, mas é necessário ressalvar que essa liberdade -- como qualquer outra, aliás -- não é absoluta, mas relativa. Ela não pode desconsiderar uma série de valores também constitucionalmente assegurados e não pode chegar ao ponto de negar a ocorrência de fatos históricos ou de falseá-los, visando a atingir fins inconfessáveis. É crime vender uma falsidade, como se verdade fosse, de nada valendo, no caso, invocar a liberdade de expressão. O que aconteceria se um determinado professor resolvesse ensinar aos alunos que a Terra é plana e que é o centro do Universo, ao redor da qual gira o Sol ? Sua “liberdade de expressão” deveria ser assegurada ou deveria ele ser expulso da escola, caso não renunciasse a essas “teorias” absurdas voltadas à lavagem cerebral dos alunos ?
Por outro lado, cada um tem o direito de acreditar naquilo que desejar. Pode-se acreditar que o Holocausto não existiu, assim como se pode acreditar em mula-sem-cabeça, na afirmação de que a Terra é plana, que o Sol gira em torno da Terra, que o homem nunca pisou na Lua etc. Afinal, entre os bilhões de habitantes do Planeta há sempre um determinado número de cretinos, estúpidos e idiotas que acreditam nas coisas mais absurdas.
Do mesmo modo que constitui ilícito um empresário fazer propaganda enganosa, consubstancia inegável ilícito um pseudo-historiador, um pseudo-jurista, um pseudo-intelectual negar a ocorrência de fatos históricos provados à saciedade, a mais não poder. (prossegue no próximo comentário)

No discurso, é tudo muito bonito...

Mario Jr. (Advogado Autônomo)

Como disse o filósofo, nós somos o que fazemos, e não o que dizemos. A Congregação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, em texto assinado pelo Presidente Prof. Dr. Sérgio Adorno, fez há alguns dias uma moção de repúdio ao TCC, de Antonio Caleari, cujo orientador foi o articulista Pierpaolo Bottini, pois entendeu que "(...) É salutar que os fatos históricos sejam discutidos sob as mais diversas perspectivas. No entanto, negá-los abre caminho para a legitimação de posturas intolerantes, incompatíveis com a prática acadêmica e o respeito aos direitos humanos.".
Não gostei da postura do articulista em falar do assunto de maneira abstrata, sem alertar os demais leitores do que o motivou. Espero que o próximo artigo que trate do assunto trate-o de maneira mais clara, referindo-se ao caso em concreto. Acho que o leitor do Conjur merece esta gentileza.
Mario Jr.

É perigoso contestar o holocausto judeu

Alfredo Braga (Professor)

O advogado e professor, o Sr. Pierpaolo Bottini, troca os pés pelas mãos, ou como queiram, as mãos pelos pés, neste texto que mais parece um humilíssimo ato de mea-culpa (obviamente pela sua conduta acadêmica na orientação da tese Malleus Holoficarum: o estatuto jurídico-penal da Revisão Histórica na forma do Jus Puniendi versus Animus Revidere) ou submissa e humilhante retratação perante certas entidades e organizações, as quais, através de certos métodos de persuasão, tanto dentro da universidade, quanto fora dela, e de outros grupos bem mais poderosos, tanto econômicos, quanto de comunicação social, que vêm impondo com mão de ferro, há décadas, certas "verdades incontestáveis" a respeito de alguns episódios e relatos sobre a Segunda Guerra Mundial. E agora aqui, para lhe facilitar a vida, não é sem malícia que o Sr. Pierpaolo, insiste em chamar autores e pesquisadores revisionistas de "negacionistas". (continua no comentáro anterior)

É perigoso contestar o holocausto judeu

Alfredo Braga (Professor)

Já no próprio título do texto, fica evidente que a matéria foi encomendada, pois "é perigoso e preocupante" negar o "holocausto judeu"... Negar o holocausto de crianças, mulheres, velhos e cidadãos palestinos aprisionados em Gaza, é corriqueiro e tem sido a tônica quase diária dos defensores do Estado de Israel mas, como agora sabe muito bem o Sr. Pierpaolo Bottini, o "Holocausto judeu" não pode ser questionado e, ainda segundo ele, nem sequer pode ser aventada a mais leve hipótese de tal questionamento. Tudo pode ser negado, ou contestado academicamente, mas é "inquietante", e muito "perigoso" negar esse dogma da moderna religião, o chamado "Holocausto judeu".
O resto do texto, vai se arrastando por essa velha lengalenga de cândidas expressões "politicamente corretas" e de algumas balelas e afirmações ladinas, absolutamente opinativas e inadmissíveis em qualquer manifestação assinada por um professor-doutor, ou por qualquer universitário que ainda preze a ética e critérios de honestidade intelectual. Em nenhum momento o Sr. Pierpaolo Bottini teve a coragem de dizer que esse pobre texto deriva, não do seu espontâneo ânimo acadêmico, mas de outro texto de autoria de outro professor-doutor, e da perigosa ira de certos grupos extremamente articulados na defesa, não verdadeiramente da nossa sociedade, mas de interesses muito particulares. Que pena.

Liberdade

Sérgio Feijão (Estudante de Direito)

Concordo com o Sérgio Niemeyer... e não é porque é meu xará...
É fundamental o conhecimento para que as pessoas possam exercer as suas escolhas. E para que haja conhecimento é imprescindível a liberdade de expressão e de publicação.
A pretensão de preservar-se a memória do "holocausto" reprimindo-se opiniões divergentes não é inteligente tampouco salutar ao Estado Democrático de Direito.

Equilíbrio

Zé Machado (Advogado Autônomo - Trabalhista)

Só o equilibrio preservará o mundo. Quando os Estates viram que a coisa estava desequilibrando, depois de várias surras dos imperialistas é que viu que não dava para ficar só observando e teve que entrar na briga. A coisa começou a ficar preta. Foi uma tragédia que marcou a alma da posteridade. Que não se repita. Agora, direito de espressão é igual punhal na mão de criança. É muito mal usado, principalmente pela molecada irresponsável.

Ah, a língua portuguesa, um tormento para os ‘professores’

Elza Maria (Jornalista)

Esse Gabbardo (ou será um certo jornalista disfarçado?) não sabe nada mesmo ou desaprendeu. Baah. E ainda se diz professor?! Vai ensinar o que e para quem? Então vê se aprende. ‘Negação’ continua sendo palavra feminina. Mas não é ela o sujeito da oração. O sujeito da oração é toda a expressão ‘negação do holocausto judeu’. Isso é uma frase. Frases são consideradas pela gramática da língua portuguesa como do gênero masculino. Logo, o predicativo deve concordar com o sujeito da oração, e portanto ‘perigoso’ tem de estar no gênero masculino. ‘Negação do holocausto judeu’ é igual a ‘Negar o holocausto judeu’. Qualquer uma dessas frases só pode ser qualificada por um adjetivo no gênero masculino. Aprendeu?! Depois mando a conta, tá?

Negacionismo vs. «Afirmacionismo» (1)

Sérgio Niemeyer (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

Tanto o negacionismo quanto sua antítese, o afirmacionismo são criações de um «marketing» de guerra criados para induzir a opinião pública. O povo é facilmente enganado e induzível, pode ser manipulado de muitas maneiras. As pessoas não costumam pensar muito, criticar, preocupar-se com a estrutura lógica das coisas (proposições e argumentos) que dizem para elas. Se o que ouvem agrada ou soa bem, aderem. Se não, rejeitam. Assim como negar o holocausto pode ser ofensivo para os judeus sobreviventes ou os descendentes daqueles que padeceram durante a II G.G., afirmá-lo também pode parecer um exagero para quem não teve acesso a dados concretos sobre o caso. Tudo, tanto a negação quanto a afirmação, fica no plano etéreo das meras proposições.
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Essa técnica de afirmar ou negar algo é usada há muito tempo, desde antes da II G.G. por autoridades e políticos. Quando querem esconder algo da opinião pública, não hesitam negar. Veja-se o exemplo da lenda dos ETs eviscerados e autopsiados pelas autoridades americanas. Muitos creem firmemente que isso é verdade. Alguns dizem que viram os ETs e quando as autoridades americanas tomaram conta do caso, tudo perdeu transparência. As autoridades negam veementemente os fatos e não hesitam em desqualificar os afirmadores de plantão como delirantes, esquizofrênicos, etc. A pessoa casada ou comprometida que é vista de passagem em companhia do(a) amante, mas não é abordada diretamente, não hesita em negar de pés juntos que não era ela. E por aí vai. Os exemplos de negacionismo e afirmacionismo são inumeráveis.
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(CONTINUA)...

Negacionismo vs. «Afirmacionismo» (2)

Sérgio Niemeyer (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

(CONTINUAÇÃO)...
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Não vejo nenhum problema nem com um nem com outro. Fazem parte dos jogos de interesses que permeiam a vida em sociedade. O de que se precisa é formar melhor as pessoas, iniciá-las nessas técnicas e nas da razão, principalmente da Lógica e da Teoria da Argumentação para que possam identificar quando alguém pode estar usando do negacionismo ou do afirmacionismo para manipulá-la sem o seu consentimento. Quanto mais conhecimento alguém tiver, melhor poderá decidir e exercer suas escolhas.
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Isso sim é, para mim, o mais importante.
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(a) Sérgio Niemeyer
Advogado – Mestre em Direito pela USP – sergioniemeyer@adv.oabsp.org.br

Sr. Colunista

Gabbardo (Professor)

Negação virou palavra masculina agora?

Privilegiar a Preguiça

Raphael Luiz Piaia (Advogado Autônomo)

De lado com as discussões numéricas, inegável que o holocausto existiu. Contudo, criminalizar o revisionismo é o fortalecer. Ora, se não há fundamentação razoável para a posição revisionista, basta então que nós a combatamos com provas mais sólidas (não será difícil a desbaratar nesse caso). Funciona (ou deverai funcionar) assim numa democracia. A liberdade de expressão e de produção científica não pode valer apenas em nosso favor.

Sob ameaça

rode (Outros)

E quem vai negar com uma ameaça dessas. Criminalizar a opinião? Lamentável.

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