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Bom proveito

Novo advogado se consagra ao arrestar bens de banco

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Por mais de cinco meses, o casal Warren e Maureen Nyerges tentou receber US$ 2.500 do Bank of America. O caso foi recusado por 25 firmas de advocacia, para as quais não fazia sentido brigar com o maior banco dos Estados Unidos por tão pouco dinheiro. Mas, para o jovem advogado Todd Allen, com apenas oito meses de profissão, foi uma grande oportunidade. Com uma ordem judicial em mãos e apoio de policiais do escritório do xerife, Allen estacionou um caminhão de mudanças na porta de uma agência do banco em East Naples, Flórida, para arrestar bens do Bank of America — ou receber a dívida. Em menos de uma hora, saiu com um cheque nas mãos. E se tornou uma "pequena celebridade nacional". A notícia foi divulgada na quarta-feira (5/12) pelo jornal da ABA (American Bar Association) e pelo NaplesNews.

A carreira do novo advogado disparou. Ele foi entrevistado televisões, em rede nacional. A história dele, do casal e do problema de execução de hipotecas, que está deixando milhares de americanos sem teto, vai virar filme — uma história que será contada com uma "dose de humor", ao que se prevê.

O caso, em si, vinha se desenrolando há mais de um ano. O banco executou a hipoteca da casa do casal por engano. O financiamento já estava pago. Em um determinado momento do processo, o próprio banco desistiu da ação. Mas, em uma moção movida pelo casal, um juiz determinou que o banco deveria pagar os honorários advocatícios e outros custos do casal. Warren Nyerges tentou receber o dinheiro por diversos meios. Falou com gerentes nas agências do banco, fez "centenas" de telefonemas, escreveu uma carta para o presidente do banco. Nunca obteve respostas.

Quando o jovem advogado foi contratado pelo casal, ele apenas enviou algumas cartas ao banco. Uma delas para o diretor de assessoria jurídica da instituição. Passado o prazo e cumpridas as formalidades, ele foi a um tribunal e solicitou uma ordem de arresto de bens do Bank o America. Foi atendido por um juiz de Naples. Levou a ordem de arresto ao escritório do xerife, marcou uma data para o arresto, contratou um caminhão de mudanças e o estacionou na porta da agência, na hora em que o banco abriu as portas. A ação foi seguida e aplaudida por clientes do banco.

Em menos de uma hora, o banco entregou aos policiais um cheque no valor de US$ 5.772,88, que inclui o pagamento cobrado pelo casal, as custas do escritório do xerife e o caminhão de mudanças. A imprensa local cobriu amplamente a ação do advogado que, mais tarde, ganhou repercussão nacional.

Agora, o advogado está movendo outra ação contra o banco para receber seus honorários. Não deverá ter dificuldades porque o banco já se explicou em um comunicado, atribuindo o problema à burocracia de uma grande instituição, e pediu desculpas ao casal e ao advogado. Mas o ganho do advogado já está assegurado. "Minha carreira disparou", disse ele ao NapleNews. "Conquistei muitos clientes que enfrentam problemas de execução de hipoteca. Foi uma operação arriscada, mas deu certo", declarou.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 6 de dezembro de 2012, 14h36

Comentários de leitores

3 comentários

Não são tão atrasados não

andreluizg (Advogado Autônomo - Tributária)

Alguns Estados tem urna eletrônica, e as execuções não são tão frustradas como as daqui, pq lá se você vai à falência e esconde os seus bens, vai é preso por fraude. Alguém já viu um processo por crime de fraude à execução no Brasil? Sim, existe um crime para isso (art. 179 CP). No mais das vezes, quando se penhora um imóvel, é quase automático surgir embargos de terceiro, embargos a arrematação... Daí que precisamos ter um Bacenjud, Renajud, eles são reflexo das falhas da lei e do Judiciário.

Eles são muito atrasados...

Kauê Arouck (Advogado Autônomo - Trabalhista)

Além de não terem a urna eletrônica, os americanos tb não tem um similar ao BACENJUD... No caso narrado, o banco desobedece a ordem e o advogado tem que fazer arresto. Aqui, qualquer ação contra um grande banco é certeza de dinheiro no bolso e quase sempre com 10% de acréscimo, pois os bancos dificilmente (pelo menos nos meus casos) cumprem voluntariamente a sentença. Ai é só mandar o BACENJUD e pronto, quitado o processo. Esses americanos ainda tem muito a aprender com os brasileiros.

Arresto de bens de um grande banco

ACUSO (Advogado Autônomo - Dano Moral)

Aqui no Brasil, jamais um arresto nessas condições ( contra um grande Banco) se concretizaria. Juizes são amigos demais de grandes bancos.

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