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11 de agosto

Grandes advogados lembram seus tempos de estágio

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Todo general um dia foi recruta. Os grandes advogados que hoje ganham a atenção dos ministros do Supremo Tribunal Federal já levaram cafezinho, carregaram pilhas de processos por aí e cansaram de pegar dois ou três ônibus para chegar ao fórum. Já foram estagiários. Neste 11 de agosto, a revista Consultor Jurídico presta sua homenagem aos advogados relembrando o início da carreira de alguns deles.

Exemplo dos mais célebres é o de Alberto Zacharias Toron, um dos muitos advogados que atuam na Ação Penal 470, o chamado processo do mensalão, no Supremo. Reconhecido como um dos grandes criminalistas do país, Toron é conhecido pela eloquência de suas sustentações orais e pelo gosto por casos rumorosos, que exigem investigações dedicadas.

Toron começou sua carreira como estagiário no escritório de Márcio Thomaz Bastos, outro dos advogados da AP 470 e estrela de primeira grandeza entre os grandes criminalistas do país. Daquela época, Toron lembra de um chefe simples, atencioso e sempre disposto a ajudar.

“Márcio não era muito de ensinar, mas indicava o caminho, sugeria o exame de uma peça anterior que tratasse do assunto e daí para frente era com você. Fui obrigado a estudar e caminhar com os meus pés. Esse, aliás, é o melhor método”, conta. O criminalista entrou no escritório em outubro de 1981. “Conheci um homem informal, atencioso e muito cuidadoso no trato com as pessoas. Nunca o vi levantar a voz com ninguém.”

Thomaz Bastos confirma os traços de personalidade listados pelo ex-estagiário. “Não dou bronca, cobro resultados. Mas dou toda a liberdade para o estagiário trabalhar. Acho que a melhor forma de ensinar é essa: explicar a linha, esperar trazer a coisa pronta e depois cobrar o resultado”, ensina.

Mas nem tudo se aprende. Toron explica: “Márcio, no trabalho, não era de muitas palavras e muito menos de dar esculachos. Pedia as coisas com calma e as cobrava, mesmo quando eu me atrasava, com a mesma calma. Afabilíssimo para ser mais exato. Isso, infelizmente, eu não consegui aprender com ele. É problema de temperamento”, confessa.

Desde cedo
Outro exemplo ilustre é o dos advogados Fabio Kadi e Luiz Guidugli, sócios do Fabio Kadi Advogados, banca especializada em advocacia empresarial. Ambos estagiaram no escritório Camargo Aranha Advogados, do advogado Luiz de Camargo Aranha Neto, ou Aranha, como é conhecido.

Aranha lembra que, já nos primeiros meses de estágio, foi possível perceber que os dois haviam escolhido a profissão certa. “A gente via pelo jeito de eles trabalharem que teriam grande futuro.”

Para ele, a diferença do bom estagiário era o interesse pelo trabalho, que Kadi e Guidugli tinham — e têm — de sobra. “Estagiário não é só o burro de carga, que pega o ônibus e atravessa a cidade para ver um processo. É o que volta com a informação, que vai no gabinete do juiz para saber por que o processo não andou. É cara que você vê que gosta, que tem interesse em saber um pouco mais.”

Márcio Thomaz Bastos concorda. Para ele, bom advogado é quem gosta de estudar, de se dedicar e de correr riscos. Além do talento, diz, é preciso ter “vontade de aceitar tarefas um pouco acima do seu limite e se superar para vencê-las”. Essas características, afirma, já são inerentes ao perfil de quem leva jeito para a carreira do Direito.

Sonho antigo
Fabio Kadi conta que entrou no escritório de Aranha já no segundo ano de faculdade, há 24 anos — estudou na PUC de São Paulo, assim como Toron. Naquela época, os estágios em Direito não eram remunerados e a grande felicidade de Kadi foi, quando estava no quinto ano de faculdade e ainda no Camargo Aranha, passar a receber um salário mínimo.

Com Aranha, Kadi passou a gostar do contencioso empresarial, área que não chamava sua atenção na faculdade. “Com o convívio diário é que aprendi a gostar do mundo do Direito Empresarial.”

Já Toron escolheu a faculdade de Direito para ser criminalista. Lembra de sua grande paixão — e que chegou a se tornar um relacionamento sério — com a faculdade de Ciências Sociais. Márcio Thomaz Bastos foi essencial para o fim desse namoro. No caminho para ser sociólogo, Toron lembra que costumava rotular a advocacia de “instrumento de dominação da burguesia”.

Mas aí, lembra Toron, quando estagiário, andava com seu chefe e encontrava amigos, Bastos o apresentava como “colega de escritório”. “Sentia-me o máximo trabalhando com um dos grandes criminalistas do país e gradativamente fui me embrenhando e me encantando pela advocacia criminal.”

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 11 de agosto de 2012, 6h18

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