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Mapa eleitoral

Maioria dos votos para chefe da OAB-SP virá do interior

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Os cinco pré-candidatos à presidência da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo são registrados na capital paulistana. A decisão das eleições, porém, não se faz na terra da garoa. Os advogados do interior do estado são responsáveis por 53,2% dos votos para a eleição, uma maioria apertada cuja formação coincide com a primeira eleição de Luiz Flávio Borges D’Urso para o cargo, em 2003. À época, os inscritos no interior representavam 50,6% da advocacia paulistana.

Levantamento feito pela revista Consultor Jurídico mostra que, dos 242 mil advogados cadastrados no estado de São Paulo até o início de 2012, 129 mil são do interior do estado, 16 mil a mais do que os da capital. Isso explica a corrida dos pré-candidatos à presidência da seccional por apoio no interior. Enquanto os pré-candidatos de oposição têm dividido suas agendas entre advogar e viajar às cidades, em reuniões com as famosas “lideranças locais”, o presidente em exercício da OAB-SP e pré-candidato Marcos da Costa tem comparecido a diversos compromissos nas subseções.

Na segunda quinzena de novembro, ao mesmo tempo em que os advogados votarão em seus candidatos à presidência da OAB-SP, elegerão também — em cédulas separadas — os presidentes de suas subseções. Ambos os votos são obrigatórios, mas, até agora, só a campanha para seccional parece ter decolado com força.

Enquanto para se eleger presidente da seccional é necessário rodar pelo interior para conseguir votos, nas subseções, as questões são locais e, normalmente, os candidatos já são conhecidos por seus pares — cidades como Pedregulho e São Luís do Paraitinga, por exemplo, possuem 42 e 51 advogados registrados, respectivamente.

“Está tudo parado. Até agora, só sei de uma possível chapa além da minha, a de uma amiga que eu achei que viria para a minha chapa. Mas nada está certo por aqui”, reclama a pré-candidata à presidência da subseção de Mirassol, Evidet Ferreira Barbosa dos Santos. Ao mesmo tempo em que é pré-candidata a presidente da entidade, Evidet concorre para vereadora da cidade, que possui 290 advogados cadastrados entre seus 54 mil habitantes.

Ela já foi presidente da subseção de Mirassol de 2001 a 2003 e, agora, pretende voltar ao cargo. Embora a cidade não tenha certeza sobre as duas chapas para a sua subseção, já foi visitada pelo menos por dois pré-candidatos na corrida pela presidência da seccional: Alberto Toron e Rosana Chiavassa.

Foi na visita de Rosana à cidade que Evidet decidiu concorrer. Ela topou apoiar a chapa de Rosana. A ideia de apoiar uma chapa à subseção, diz ela, não faz com que perca os votos daqueles que apoiam outros à OAB-SP, afirma. “O pessoal do interior não tem conhecimento do que acontece em São Paulo. São as lideranças das cidades que vão passar para os outros advogados as informações sobre os candidatos à seccional”, diz ela.

Brigas internas
Já em Santos, que conta com 6.522 advogados cadastrados, as eleições parecem estar em um ritmo mais forte. Segundo relatos da pré-candidata à presidência do órgão Sonia Maria Pinto Catarino, que acaba de largar a vice-presidência da entidade para concorrer, o clima eleitoral “esquentou há bastante tempo” dentro da própria subseção. Isso porque a diretoria rachou — enquanto o atual presidente apoia Marcos da Costa para a presidência da seccional, Sonia fecha com Alberto Toron.

Os ânimos se acirraram e as divergências ficaram mais fortes com a proximidade das eleições. A maior crítica da pré-candidata diz respeito à falta de transparência da OAB. “Achamos que a entidade tem que ser mais transparente, publicar balanço que possamos entender, por exemplo, e explicando o que é feito com nosso dinheiro.”

Sonia diz se lembrar de ter visto na cidade, depois de deflagrada a corrida eleitoral, Marcos da Costa, Toron e Ricardo Sayeg.

Em Campinas, maior subseção depois da de São Paulo, a avaliação do pré-candidato da situação Daniel Blikstein é que “tudo ainda está muito prematuro”.

No colégio eleitoral com 9.143 advogados, “todos os pré-candidatos da subseção têm se apresentado”, conta Blikstein. O advogado apoia Marcos da Costa, mas diz manter um bom diálogo também com pré-candidatos de oposição.

Em Campinas, porém, ele diz só visualizar outras duas pré-candidaturas, uma delas a de Adelaide Albergaria. A pré-candidata à presidência da subseção se coloca como oposição e diz ter o apoio “de todos os ex-presidentes” da entidade. Ela também afirma já ter sido procurada por todos os pré-candidatos à presidência da OAB-SP.

“Eu ainda não me defini por nenhum candidato de São Paulo, mas provavelmente apoiarei alguém da oposição”, diz Adelaide. Quem for eleito pela subseção deverá exercer pressão na seccional, afirma, pois, segundo ela, a casa do advogado da cidade já não comporta mais o movimento e as salas da OAB nos fóruns estão em péssimo estado.

Menos dinheiro
Se a falta de verbas destinadas às subseções é uma queixa comum durante as eleições, as verbas para campanha são um problema bem menor para aqueles que desejam ocupar a presidência das subseções. Como não exigem viagens e têm público restrito, muitas campanhas são financiadas pelos próprios clientes dos escritórios dos candidatos, explica o candidato a presidente da OAB de São Vicente Áureo Bernardo.

O maior problema identificado pela chapa de Bernardo é a vontade dos advogados da cidade de “saírem da sombra” da OAB de Santos. Enquanto São Vicente tem 1.030 advogados registrados, Santos tem 6,5 mil.

Com 1,8 mil advogados, a subseção de Piracicaba já tem três chapas o assédio aos candidatos por aqueles que concorrem à presidência da seccional paulista é grande. Homero de Carvalho, vice-presidente da chapa que se intitula “Oposição de Verdade”, diz já ter sido procurado por três pré-candidatos, Roberto Podval, Rosana Chiavassa e Alberto Toron.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 6 de agosto de 2012, 4h14

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