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Nicho jurídico

Conciliação abre mercado para negociadores

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Com a resolução 125 do Conselho Nacional de Justiça, publicada em novembro de 2010, instituindo a política nacional de conciliação nos tribunais, foi aberto um mercado milionário, onde se ganha por êxito. Grandes empresas que frequentam diariamente o Judiciário para se defender em processos de massa ou cobrar clientes inadimplentes viraram alvos em potencial de quem oferece o serviço logístico conciliatório. 

Especializada em conciliações pré-processuais, a empresa Money Law tratou de ocupar esse espaço. Advogados, bacharéis e administradores — que são chamados de negociadores — empregados pela Money Law são treinados para buscar nas conciliações meios de reaver dívidas de companhias.

Aberta há 15 meses, a empresa, que tem como CEO o advogado Ricardo Freitas Silveira, já tem em sua carteira cinco clientes (bancos, seguradoras e prestadoras de serviço) e emprega 30 “negociadores”, dos quais sete são advogados.

Todos os clientes são “grandes litigantes”, afirma Silveira. Ele dá o exemplo de uma seguradora que possui 40 mil processos, e que terceirizou a negociação de milhares de dívidas que comprou de bancos.

Apesar de seu negócio ter como base a conciliação judicial, Silveira faz questão de dizer que não é um escritório de advocacia. “É uma empresa que visa o lucro.” Por isso, ele diz, sua empresa é a única que trabalha dessa maneira, não sendo um serviço de cobrança, nem uma banca. 

A diferenciação, diz ele, está no foco. “Advogados não têm na sua essência a conciliação. Eles querem litigar. Na faculdade de Direito, tive apenas uma aula sobre processo extrajudicial.”

Ele afirma que 70% dos casos sob seus cuidados terminam em acordo e que o valor médio fechado pelas partes em cada negociação é de R$ 7,5 mil. Segundo ele, muitas vezes bancos e outras empresas têm um limite mínimo das dívidas para ajuizar ações, fazendo com que dívidas de até R$ 15 mil, por exemplo, não sejam cobradas na Justiça.

A taxa cobrada por sucesso Silveira não conta, mas garante, como todo negociador, que é menor que as dos escritórios de advocacia. A variação se dá de acordo com a idade da dívida (quanto mais velha, mais cara) e com o tamanho da dívida (quanto maior for o débito, menor será a porcentagem cobrada).

Poder de negociação
“Ao receber uma cartinha do Judiciário, informando sobre a audiência de conciliação, as pessoas dão mais importância a uma cobrança que, em alguns casos, já havia sido feita antes pela própria companhia”, diz Silveira.

O trabalho de conciliação, diz o empresário, parece simples, mas enfrenta desafios como a falta de padronização em todo o país. “Temos as centrais de conciliação em 14 estados do Brasil, o que significa que em dez estados nada podemos fazer”, explica.

Quanto à possibilidade de isso ser um novo mercado para a advocacia, ele se mostra otimista: “Quando foram instituídos os Juizados Especiais, começaram a espalhar que as pessoas iriam lá sem advogado. Mas já está estatisticamente comprovado que a população prefere ser assistida por um profissional do Direito". Esse mercado, inclusive, também pode servir para acomodar bacharéis, segundo o advogado, uma vez que não é necessário ter carteirinha da OAB para atuar em conciliações extrajudiciais.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 30 de abril de 2012, 13h22

Comentários de leitores

7 comentários

Marco 65 (Industrial)

JrC (Advogado Autônomo - Civil)

Tendo em vista trecho de seu comentário, dizendo que grande parte dos advogados são mal informados acerca da situação do cliente e do processo, razão pela qual supostamenet "dá zebra", solicito que apresente provas de suas alegações, casos concretos e dados empíricos, já que trata-se de comentário ofensivo a toda classe profissional, adotando a exceção pela regra de que dos mais dos 600 mil advogados, quase todos são ineptos.

Marco 65 (Industrial)

JrC (Advogado Autônomo - Civil)

Pelos seus comentários percebe-se que seu entendimento está viciado aos seus próprios desejos. Ao defender a conciliação a qualquer custo, percebe-se facilmente que o que pretende é um dia lucrar em cima de tais situações, e não aprimorar à discussão acerca do instituto.
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Ademais, seu comentário possui outro erro, ao dizer que o advogado só está de olho na verba sucumbencial fixada pelo magistrado. Se soubesse um pouco sobre Direito e Advocacia, saberia que nos Juizados Especiais inexiste sucumbência em primeira instância.
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att.

Marco 65 (Industrial)

JrC (Advogado Autônomo - Civil)

Caro Marco.
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Você trabalha com o quê? É mesmo industrial? Pergunto porque ao que tudo indica você não precisa de dinheiro para sobreviver. Deve abrir mão de seu salário para fazer caridades. Que bom que o mundo tem pessoas tão boas como o senhor.
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Ironias a parte, o seu comentário só transparece o total desconhecimento da advocacia.
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Primeiramente se um cliente vai até o escritório de um advogado para contratar seus serviços, pode ter certeza de que NINGUÉM O OBRIGOU. Foi com as próprias pernas e escolheu entre os mais de 600 mil profissionais do mercado.
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Saiba que as empresas, e se vocÊ trabalhar em algum deve saber disso, trabalha com a matemática do lucro. A empresa sempre vai tentar lucrar o máximo em cima de você, tanto como empregado quanto violando os direitos dos consumidores.
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No final ela sempre vence: ou recorre de má-fé em casos onde a jurisprudência já sedimentou o tema, ou propõe um acordo ínfimo, no máximo lhe oferecem 50% do que o juiz sentenciou. E lembre-se a maioria das empresas FAZ ACORDO APÓS A PROLAÇÃO DA SENTENÇA, de modo que o autor já sabe quanto tem direito.
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Se você é daqueles que FAZ LEILÃO dos seus direitos, só lamento, se contentando com uma merreca pela reparação (será?) dos seus direitos violados de maneira sistemática pelas empresas, que visam o lucro a qualquer custo.
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Seu comentário não se sustenta, outrossim, pela generalização que faz a todos os profissionais da advocacia. É como se eu dissesse que todos os industriais são preguiçosos e não trabalham da forma como deveriam.
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Att.

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