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Segurança nacional

Juiz impede divulgação de imagens da morte de bin Laden

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Um juiz federal de Washington, capital dos Estados Unidos, negou na quinta-feira (26/4) um pedido de liberação de fotos e vídeos feitos durante e depois da operação do comando americano que matou Osama bin Laden, há quase um ano. O juiz James E. Boasberg aceitou a tese, defendida pelo governo Obama, de que a divulgação das imagens colocaria em risco a segurança dos EUA. As informações são do Washington Post, Christian Science Monitor e outras publicações. 

"Uma imagem pode valer mil palavras. E, talvez, imagens em movimento [do vídeo] devem ter um valor ainda mais alto. Mas, neste caso, as descrições verbais da morte e do sepultamento de Osama bin Laden devem ser o suficiente. E esta corte não vai ordenar a liberação de nada mais do que isso", escreveu Boasberg, que foi apontado para o cargo de juiz federal pelo presidente Obama, segundo os jornais.

A decisão foi tomada em ação judicial movida pelo grupo conservador Judicial Watch, uma organização que se dedica a fiscalizar e responsabilizar autoridades públicas por seus atos. A organização pediu à Justiça a liberação das fotos e vídeos com base na Lei da Liberdade das Informações (FOIA – Freedom of Information Act). A organização alegou que o governo Obama estava causando "um dano irreparável" à população por não liberar as imagens. 

Para a Judicial Watch, a população tem o direito de conferir o que realmente aconteceu na operação que resultou na morte de bin Laden. Há dúvidas sobre a descrição oferecida pelo governo Obama, como a de que bin Laden foi morto em um tiroteio, quando há suspeitas de que ele pode ter sido assassinado a sangue frio, quando estava desarmado. Também há dúvidas, estas mais alinhadas com as chamadas teorias da conspiração, sobre se bin Laden foi realmente morto. 

O Departamento de Justiça dos EUA, representando o governo Obama no tribunal, alegou que "as imagens de bin Laden morto são classificadas". E que "não são divulgadas ao público para evitar a incitação de violência contra os americanos no exterior". Alegou ainda, segundo os autos, que a divulgação das imagens "pode comprometer os sistemas secretos e as técnicas usadas pela CIA e pelos militares" em suas operações. 

A CIA informou que tinha em seus arquivos 52 imagens, mas que não iria divulgá-las porque está protegida por leis que garantem exceção a materiais classificados e informações especificamente isentas por outras leis. O diretor da CIA, John Bennett, juntou uma declaração aos autos afirmando que muitas fotos e gravações de vídeo são "muito explícitas", porque retratam o ferimento fatal causado por uma bala na testa de bin Laden e "algumas imagens repulsivas do cadáver". 

O juiz concordou: "No final das contas, embora esse possa não ser o resultado que a peticionária e certos membros do público prefeririam, a explicação da CIA sobre a ameaça a nossa segurança nacional, que a liberação dessas imagens representaria, está à altura das exigências". 

A Judical Watch recorreu contra a decisão do juiz no mesmo dia. "A população americana tem o direito de saber, por lei, o que realmente aconteceu na operação que resultou na morte de bin Laden", disse o presidente da Judicial Watch, Tom Fitton. "O governo Obama não tem base jurídica para esconder esses documentos do público. Essa ação judicial deve lembrar ao governo Obama que não está acima da lei", afirmou. 

Viúvas de bin Laden liberadas
Detidas no Paquistão desde a morte de bin Laden, as suas três viúvas foram liberadas na quinta-feira (27/4) e serão enviadas para a Arábia Saudita, um país aliado dos Estados Unidos. A última dificuldade foi estabelecer o destino de uma das viúvas, que é do Iêmen.

As autoridades temiam que, se ela voltasse para seu país de origem, poderia dar entrevistas explosivas à imprensa árabe e ocidental, sobre o que realmente aconteceu na operação do comando militar americano que resultou na morte de seu marido. Mas, enfim, esse problema foi resolvido com a aceitação da Arábia Saudita das três viúvas de bin Laden e seus filhos.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 27 de abril de 2012, 12h18

Comentários de leitores

2 comentários

Farsa Secular

MSRibeiro (Administrador)

Corroborando com o comentário da colega, os americanos e os europeus são uma verdadeira farsa. As instituições, as crenças e a cultura deles são baseados em um sistema de construção de imagens e referências feitas para a dominação dos povos que eles julgam inferiores, e que, portanto, serão explorados e pilhados. É hora deste paradigma ser derrubado.

Embromação mundial.

Elza Maria (Jornalista)

Michael Moore, cineasta que produziu um documentário sugerindo que o atentado de 11 de setembro foi armado pelo governo Bush com Osama Bin Laden, que já tinha sido aliado dos EUA, deve estar adorando essa proibição, que só faz aumentar o mistério em torno da execução de Bin Laden. Por que o mundo todo tem que acreditar no que diz o governo norte-americano? Eles são os reis da dissimulação, da falta de transparência. Quando querem, carimbam com um frondoso ‘classified’ e pronto. A população só terá uma chance de saber a verdade. Se algum funcionário público norte-americano, inspirado ou com peso na consciência, vazar as informações para o Wikileaks. Será que Bin Laden foi realmente morto? Dizem que o mataram, mas só mostraram um corpo envolvido numa mortalha sendo jogado ao mar. Ninguém viu o rosto, ninguém pôde fazer um exame de DNA no corpo, ninguém viu os vídeos. Ninguém viu nada. A estória divulgada também está muito mal contada, cheia de furos e contradições que sugerem ser falsa. Mas uma coisa eu sei. Depois do atentado, o povo americano e em todo o mundo deu um passo enorme para trás. Aceitamos perder boa parcela de nossas liberdades civis em nome de uma reformada e reforçada promessa de maior segurança pública que, passados 11 anos, nunca foi cumprida.

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