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Ordem inversa

Advocacia passa por sua mais grave crise, diz Mariz

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A advocacia nunca esteve em crise tão grave e a Ordem dos Advogados do Brasil tem feito pouco quanto a isso, por também estar em crise. A análise é do ex-presidente da seccional paulista da OAB, Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, para quem a entidade deve agir para valorizar seus profissionais. Segundo ele, o que se colhe hoje são os maus frutos de uma política iniciada na década 1970, visando à desmoralização dos advogados.

Mariz ocupou a presidência da OAB-SP de 1987 a 1991. O advogado criminalista, foi secretário da Justiça e da Segurança Pública de São Paulo no governo de Orestes Quércia (1987 a 1991). Na galeria de presidentes da OAB-SP (site voltado à memória da instituição), consta que, para ele, a grande marca de seu tempo foi "a valorização da profissão, em pioneira campanha, com ações que atingiram a sociedade e o público interno ".

Para ele, a política instaurada na década de 1970 substituiu advogados por tecnocratas nos postos de comando da nação e permitiu a abertura indiscriminada de faculdades de Direito sem qualquer controle ou exigência acerca do ensino. O motivo para tal ato, diz, é terem sido os advogados “os grandes defensores da democracia, que combateram o golpe militar de 1964”.

O resultado é uma enorme quantidade de advogados que não é absorvida pelo mercado de trabalho e “nem sempre se apresentam com o desejado preparo técnico e ético”. Reverter esse quadro é o desafio que ele enxerga para a futura diretoria da OAB-SP, cujas eleições serão realizadas em novembro.

Representar os advogados, zelando pelas prerrogativas profissionais, pela ética e pelo prestigio da advocacia junto à sociedade, é, para Mariz, a primeira função da entidade. Para isso, explica, é necessário que a OAB entenda os anseios de cada segmento da advocacia.

“Ao lado de uma advocacia que podemos chamar de elite, que é a do advogado bem sucedido, hoje minoria, temos a advocacia ‘proletarizada’, que tem como maior exemplo os 50 mil advogados conveniados à assistência judiciária, recebendo entre R$ 2 mil e R$ 3 mil por mês”. Os advogados que compõem essa adversidade de facções esperam que a Ordem atenda às suas reivindicações específicas, diz ele.

O interesse da advocacia, porém, tem sido preterido em favor das questões relacionadas a anseios e aspirações da sociedade como um todo, que são, segundo o advogado, a segunda principal função da entidade, mas têm sido “quase que exclusivamente” tratadas pelo Conselho Federal da OAB.

Nos pré-candidatos que almejam o comando da OAB paulista, cargo hoje ocupado por Luiz Flávio Borges D'Urso, ele diz ver merecedores de ocupar posições na direção, mas afirma que “alguns deles desconhecem por completo o que seja a OAB, bem como seus problemas”.

“O que eu vejo, e posso estar enganado, são ambições pessoais se sobrepondo ao ideário e a um projeto coletivo”, critica. Ele explica que a promoção pessoal deve vir de forma natural, mas alguns estão invertendo essa ordem.




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 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 25 de abril de 2012, 22h02

Comentários de leitores

22 comentários

Trato

caiubi (Outros)

No Brasil todas instituições só tratam bem mesmo quando visa lucro e se for preciso. Quando o BB tinha determinados monopólios,faz pouco tempo. Na realidade não somos mal tratados nos não somos tratados na SAÚDE, EDUCAÇÃO, JUSTIÇA, TRANSPORTE, em tudo. O Povo só é gente em vespera de eleição. PRECISE do SUS, se o Lula não fosse um priviligiado protegido pelos burgueses talves não estaria vivo hoje. Viaje sem dinheiro para pedágio e por aí vai. O Brasil tem que mudar e muito.

Jornal de ontem...

Maria Lima (Advogado Autônomo)

PRIMEIRO, ASSINO JUNTO COM WTF (Advogado Autônomo).
Depois, quero dizer que jamais vou esquecer aquela "Mesa Redonda" promovida pelo Estadão, em que o douto Antônio Cláudio Mariz de Oliveira foi questionado por Roberto Batochio.
Após o que, batochio foi eleito, claro.
O jornal de ontem não causa 'frissom'.
Mas, a índole das pessoas permanece...
A advocacia não precisa de macaquinhos que sentam no rabo, e, crendo 'não ter mais rabo', apontam os rabos alheios.

Emendão

JrC (Advogado Autônomo - Civil)

Isso sem falar no EMENDÃO DE FERIADOS, mamata que só existe no funcionalismo público. O Feriado é dia 1o de maio, mas dia 30 terá o famoso EMENDÃO, ficando todos de papo para o ar no sabado, no domingo, na segunda e na terça, sendo certo que quarta quinta e sexta serão dias que não haverá maiores esforços para nada, pois se trata de semana pós feriado.
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Brasil, o país da preguiça e mamata

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