Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Saída amarga

Banca americana perde mais de 50 sócios

Por 

A banca de Nova York Dewey & LeBoeuf está sob franco ataque da concorrência desde o início do ano. A empresa tem perdido sócios para outras firmas quase que exponencialmente, a ponto de ligar a luz de alerta. Desde janeiro, foram 47 sócios que deixaram a Dewey & LeBoeuf para ingressar em outras bancas. Quarta-feira (11/4), mais seis deles foram embora. É a face mais dura do mercado de contratações laterais nos EUA, onde sócios — e seu portfólios de clientes — são disputados “a tapa” pelos escritórios de advocacia de médio e grande porte no país.

A Dewey & LeBoeuf é uma banca global com poucos anos no mercado embora tenha nascido da união de escritórios tradicionais. Foi formalmente fundada em 2007, a partir da fusão da Dewey Ballantine com a Le Boeuf, Lamb, Greene & MacRae. Seu campo de atuação envolve consultoria legal em direito corporativo, mercado de seguros, contencioso, direito tributário, falências e reestruturação administrativa e financeira. Até então, contabilizava mais de 1000 advogados em operação em 26 escritórios espalhados pelo mundo.

As perdas sofridas recentemente são importantes e representam um sério golpe na capacidade de fazer negócios da banca: três sócios e um conselheiro da empresa que atuavam na matriz da firma em Nova York estão de mudança para a Patton Boggs, que opera com lobby e políticas públicas em Washington D.C.; Peter Ivanick , sócio que atuava na área de falências, vai agora para a britânica Hogan Lovells; Lawrence Sung, sócio especializado em propriedade intelectual, assume a sociedade com a Baker & Hostetler (banca fundada em Ohio em 1916 pelo então secretário de Guerra dos EUA justo em meio à Primeira Guerra Mundial); e, por fim, James Woods, ninguém menos do que o próprio vice-presidente da Dewey para a área de direito corporativo, agora, novo sócio da Mayer Brown, de Chicago.

A ocorrência, nos últimos meses, de uma investigação administrativa, por parte do governo, sobre a saúde tributária e as práticas de remuneração de sócios, associados e funcionários da Dewey & LeBoeuf complicou ainda mais a situação da banca. Na terça-feira (10/4), já havia sido anunciada a saída de dois outros sócios em Nova York, que vão atuar para a DLA Piper.

Em comunicado oficial, o porta-voz da Dewey & LeBoeuf minimizou o efeito negativo das perdas. Disse ainda que a firma já planejava a reestruturação da banca, que pretende redimensionar seus quadros e instalações. De acordo com o portal da revista mensal The American Lawyer, o plano de “redimensionamento” da banca começou a ser elaborado a partir da previsão de eventuais perdas em seus quadros. “[...] ainda grande e internacionalmente relevante em termos de atuação e prática, porém, menor em número de advogados”. Esta é a nova fórmula de atuação da Dewey, de acordo com o The AmLaw Daily, boletim de notícias da The American Lawyer.

As justificativas apresentadas pelos “sócios desertores” foram as usuais de qualquer advogado em “trânsito lateral”, que deixa uma firma pela outra, ou seja, diferenças de expectativa na condução da prática e dos negócios. De acordo com o ex-conselheiro da Dewey & LeBoeuf, John Nonna, que liderou o grupo de sócios que deixou a sede da banca em Nova York, trata-se de uma questão de incompatibilidade na visão de como gerir a política de negócios da banca. “Entendi que o modelo de negócios da Dewey não é mais compatível com nosso modelo de prática de advocacia para a resolução de conflitos na área de seguros. Dessa forma, me interessei quando a Patton Boggs, que tem realizado um esforço importante no campo de seguros, nos procurou com uma proposta."

Outro ex-sócio da Dewey & LeBoeuf, James Woods, usou de menos etiqueta ao falar da antiga banca em uma entrevista para a publicação especializada em advocacia e Justiça The Recorder. Ao comparar a Dewey com a Mayer Brown, sua nova banca, Woods disse que esta última é “uma organização extremamente bem administrada”, se comparado com a Dewey, onde “a política de remuneração de sócios deixou de ser uma prioridade”.

 é repórter da revista Consultor Jurídico em Brasília.

Revista Consultor Jurídico, 13 de abril de 2012, 18h42

Comentários de leitores

0 comentários

Comentários encerrados em 21/04/2012.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.