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Caminho do Oriente

Austrália é estratégia para bancas chegarem na Ásia

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Cresce o interesse de bancas estrangeiras na Austrália conforme o mercado asiático polariza a atenção das megabancas norte-americanas e inglesas. A Austrália, de acordo com analistas, é um ponto estratégico pela proximidade geográfica com a Ásia e pela quantidade de negócios que estabelece com multinacionais vindas dos países do continente vizinho.

No início desta semana, a advocacia australiana foi agitada pela confirmação do recrutamento de um sócio peso pesado da sede de Sidney da Baker & McKenzie e pelo anúncio de fusão entre um escritório estrangeiro e local. A banca inglesa Ashurst e a banca australiana Blake Dawson confirmaram que vão combinar suas operações na Ásia como passo inicial para efetuar a fusão total de operações entre os dois escritórios até 2014. Já a banca americana Baker & McKenzie anunciou a chegada de um novo sócio no seu escritório de Sidney, o advogado americano David Watson, até então conselheiro-geral da área jurídica da multinacional que fabrica os chocolates M&Ms.

Aprovado na sexta-feira (23/9) por sócios de ambos os lados, o plano que une a Ashurst e a Blake Dawson prevê que a banca autraliana adote inicialmente a marca da inglesa Ashurst na Austrália além de estabelecer que as instalações de ambas as firmas passem a ser compartilhadas. O cronograma da fusão prevê também que, em março de 2012, a Blake Dawson passe a usar apenas a marca da Ashurst em seus escritórios na Ásia.

Em uma projeção simulada pela revista mensal The American Lawyer, se a fusão ocorresse imediatamente, resultaria em uma megabanca de 1.700 advogados com patrimônio avaliado entre US$ 850 milhões.

O programa de fusão das atividades na Ásia contará inicialmente com 150 advogados. 75 deles serão cedidos pela banca inglesa. Destes, pelo menos 30 irão operar nos escritórios de Hong Kong, Tóquio e Cingapura. Já a australiana Blake Dawson contribui com outros 75, distribuidos por Tóquio, Xangai, Nova Guiné (Oceania) e Indonésia.

Fundada em 1882 na Inglaterra, a Ashurst é formada por cerca de 900 advogados, sendo 200 sócios corporativos. Hoje é uma megabanca que oferece consultoria em todas as áreas do Direito em doze países. A Blake Dawson também tem origens com escritórios fundados ainda no século XIX, sendo considerada atualmente uma das seis maiores bancas de advocacia da Austrália.

Novo sócio
Antes da banca inglesa Ashurst anunciar a fusão com uma banca local, a Baker & McKenzie, gigante da advocacia americana, confirmou o recrutamento do advogado David Watson como sócio corporativo do escritório de Sidney da megabanca. De acordo com o website The Asian Lawyer, a chegada de Watson ao posto australiano da Baker & McKenzie já tinha sido previamente anunciada na terça-feira (20/9).

David Watson trabalhava até então no departamento jurídico da fabricante de doces americana Mars,Inc., que produz chocolates como os das marcas Snickers e M&Ms. Watson era o conselheiro-geral para a América do Norte da regional de Nova York da Mars, Inc.

Durante os oito anos em que atuou na fabricante de doces, Watson teve como chefe Alberto Mora, ex-conselheiro geral da Marinha dos Estados Unidos e um dos principais opositores ao uso de tortura durante o interrogatório de presos em Guantánamo.

No departamento jurídico da Mars, Watson trabalhou na aquisição bilionária, feita pela companhia, da fabricante de goma de mascar de Chicago, a Wm, em 2008. A Mars também possui linhas de produção em outras áreas de alimentos, como rações caninas, como a marca Pedigree. Em 2004, problemas na fabricação de lotes de ração desta marca, na Ásia, levaram a Mars organizar um complexo processo de recall da ração Pedigree na região.

Watson foi um dos responsáveis por trabalhar para administrar os incontáveis desdobramentos jurídicos provocados pelo episódio de recall a partir de sua experiência prévia na região Ásia-Pacífico. Antes de assumir a base em Nova York, Watson já havia trabalhdo nas sedes de Londres, Dubai e Sydney da Mars. Na Austrália, o advogado também atuou como sócio da banca Minter Ellison.

Na declaração oficial divulgada para a imprensa, Watson observou que quando trabalhava na Mars, esteve, muitas vezes, no papel de cliente da Baker & McKenzie, e por isso acredita na “vantagem competitiva”, da banca americana em relação às firmas australianas quando o assunto é oferecer assistência a multinacionais naquele país.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 27 de setembro de 2011, 12h46

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