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Abertura de inquérito

Orlando Silva pede que acusações sejam provadas

O ministro do Esporte, Orlando Silva, reiterou nesta terça-feira (18/10) que não recebeu dinheiro desviado de programas do governo. Em depoimento de quatro horas na Câmara dos Deputados, ele chamou o policial militar João Dias Ferreira, autor das acusações, de "desqualificado, criminoso e bandido".

Dias afirmou, em entrevista à revista Veja, que Orlando Silva recebeu na garagem do ministério um pacote de dinheiro desviado do programa Segundo Tempo, que incentiva a prática esportiva como atividade extracurricular das escolas. Segundo o policial, a quantia foi desviada de convênios do Ministério do Esporte com ONGs que apoiavam o Segundo Tempo.

Nesta terça-feira (18/10), o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determinou à Polícia Federal a proteção especial de João Dias Ferreira. O ofício solicitando, em caráter de urgência, a proteção especial a Ferreira foi entregue ao Ministério da Justiça pela liderança do PSDB.

Orlando Silva vem se defendendo das acusações desde o fim de semana, quando a revista com as declarações foi publicada. Na audiência desta terça-feira, Silva provocou seu algoz a provar o que diz, e foi aplaudido pelos deputados governistas. "Se há o que denunciar, que faça, procure a Polícia, o Ministério Público, a imprensa. Faça a denúncia e prove. Até agora, esse desqualificado não provou nada, porque não tem provas. Quem tem provas contra ele sou eu, os autos dos processos que fizemos para recuperar os recursos públicos."

O ministro se refere a um processo criminal que corre contra João Dias por desvio de verba pública e enriquecimento ilícito. Segundo acusação do Ministério Público, o policial comandava duas ONGs que, conveniadas ao Ministério do Esporte, desviaram dinheiro do governo. O MP pede que Dias devolva R$ 3,1 milhões aos cofres públicos, mas ação tramita em segredo de Justiça.

Em resposta às acusações de Dias, Orlando Silva contou que acionou a Polícia Federal para apurar os fatos narrados pelo policial à Veja. "Coloquei todos os meus sigilos à disposição, impetrei pedido no Ministério Público para abrir investigação para desnudar tudo o que está na reportagem; pedi audiência na Comissão de Ética Pública da Presidência da República", afirmou. Todos os 15 deputados federais do PCdoB, partido ao qual é filiado o ministro do Esporte, foram ao depoimento.

Por vir
Ao mesmo tempo que Orlando Silva depunha na Câmara, João Dias Ferreira se reunia com parlamentares da oposição, no Senado. Ele deveria ter ido prestar depoimento à Polícia Federal, mas não foi alegando motivos de força maior. Remarcou a audiência para esta quinta-feira (20/10).

No Senado, ele disse receber ameaças e reafirmou que suas denúncias são verdadeiras, mas continuou sem apresentar provas. Prometeu, no entanto, que "vão surgir nos próximos dias diversos documentos para provar essa situação". "Não estou atacando o ministro Orlando Silva. Estou tentando revelar um sistema fraudulento que está no interior do Ministério dos Transportes", contou aos parlamentares.

Dias também garantiu que "nos próximos dias" será divulgada uma gravação, em áudio, de uma reunião feita em 2008, no Ministério do Esporte. "Foi uma, na calada da noite, no sétimo andar do ministério, na sala do então secretário-executivo. Era para tratar de assunto de prestação de contas."

Depois do encontro com João Dias, o senador Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA) disse que o depoimento foi "estarrecedor". Trouxe informações não dadas à imprensa e demonstrou a existência de provas materiais inegáveis sobre as denúncias feitas contra o Ministério do Esporte, segundo o líder do DEM. Com informações da Agência Câmara.

Revista Consultor Jurídico, 18 de outubro de 2011, 21h36

Comentários de leitores

9 comentários

O MINISTRO DO ESPORTE E A PSICOLOGIA

huallisson (Professor Universitário)

Como operador do Direito, a concluir apenas pelas poucas entrevistas que vi do Nobre Orlando Silva, eu afirmaria que o Ministro não comeu do bolo, mas fechou os olhos para quem dele desgustou. Logo, pecou por omissão.Na minha psicologia jurídica, vejo isto nas entrelinhas das palavras de defesa de Sua Excelência.Que me desculpem seus causídicos:o Ministro está no mato sem cachorros, ou melhor, está na Copa sem bola.Tudo que deseja um bom brasileiro é que a Dilma não saia dessa chamuscada.Por via das dúvidas,eu já acendi a minha vela para Nossa Senhora do Alvorada.
Pedro Cassimiro - Prof. de Direito e de Economia -Brasília.

Lembro-me do Arruda...

Mig77 (Publicitário)

Aquele que negou, chorou e depois disse que só fez o que todo mundo faz.

DR. MARCELINO

Fernando José Gonçalves (Advogado Sócio de Escritório)

É que o "ordinário" se presume e o "extraordinário" se prova. No Brasil, infelizmente, onde há fumaça, há fogo e essa é a regra. Desvios de verbas nessa pasta já foram constatados pelo TCU e estão sendo investigados pela P.F. Ora, sendo o ministro Orlando Silva o seu titular caber-lhe-ia, s.m.j., e no mínimo, dar conta desses desvios, afinal todos que compõem o seu ministério, pressupõe-se, sejam de sua inteira confiança, ou não ? Quem escolhe deve escolher bem, em especial quando administra a 'res pública'. Então, e ainda s.m.j, o ministro JÁ É CULPADO SIM; ou porque participou ou porque negligenciou na escolha dos seus colaboradores. Como o 'mote' do ex-presidente anta era justamente enfiar a cabeça na areia (como fazem os avestruzes), é bem provável que vá usar o mesmo jargão: "Não sei", 'Não vi nada", "Não peguei um tostão".

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