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CNJ faz Manual de Bens Apreendidos para orientar juízes

Está disponível, desde esta quinta-feira (13/10), no site do Conselho
Nacional de Justiça, o Manual de Bens Apreendidos, que pode ser reproduzido por todos os tribunais. A publicação, elaborada pela Corregedoria Nacional de Justiça, é destinada a juízes de todo o país e tem como objetivo ajudá-los na destinação de bens apreendidos e incentivar a alienação antecipada.

Segundo dados do Sistema Nacional de Bens Apreendidos, mantido pelo CNJ, até
julho deste ano o valor dos bens somava R$ 2,3 bilhões. Deste valor, apenas 0,23% foram objeto de alienação antecipada e outros 4,43% foram restituídos. Outros 93,35% permanecem sob a responsabilidade do Poder Judiciário, aguardando decisão judicial quanto a sua destinação. Muitos desses bens acabam perdendo parte de seu valor até que haja uma decisão final da Justiça sobre a destinação.

O manual reúne informações e orientações que vão ajudar o juiz a dar a correta e mais eficiente destinação aos bens, estimulando a alienação antecipada e evitando a degradação destes bens. “A demora no processamento das demandas, a falta de infraestrutura dos depósitos, a complexidade da legislação e o receio dos magistrados responsáveis pelos bens apreendidos, temerosos em aliená-los prematuramente, fizeram do tema um dos mais incômodos para a imagem da Justiça”, afirma a corregedora Nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, no prefácio da obra.

“O problema não tem encontrado soluções plausíveis, sendo insuficientes muitas das iniciativas; ao contrário, o aumento de leis disciplinadoras de cada tipo de depósito fez a disciplina dos depósitos de bens apreendidos densa e complexa, agravando o problema”, diz a ministra.

Na publicação, há informações detalhadas sobre o que é possível fazer a partir da apreensão de diversos tipos de bens, a exemplo de animais, máquinas caça-níqueis, pequenas quantias de dinheiro, cheques e títulos, equipamentos de informática, equipamentos de radiodifusão, moeda falsa, bens de pequeno valor, imóveis, veículos e embarcações, entre outros. O Manual de Bens Apreendidos traz ainda orientações sobre alienação antecipada, arresto de bens e hipoteca legal, doação e o que fazer em caso de bens de vítimas não-localizadas, além de exemplos de decisões, despachos e ofícios necessários para a execução das medidas a serem determinadas pelos juízes.

“Neste singelo roteiro não se está querendo ensinar ou induzir os magistrados a agirem desta ou daquela forma. Mas se está, sim, em obediência ao princípio constitucional da eficiência consagrado no Artigo 37 da Carta Magna, tentando atender aos interesses da administração da Justiça e dos próprios partícipes da relação processual”, afirmam o desembargador federal Vladimir Passos de Freitas, o juiz Júlio César Ferreira de Mello e a juíza Salise Monteiro Sanchotene, organizadores da publicação.

Alienação
A alienação antecipada de bens apreendidos está prevista no artigo
62 da Lei 11.343/2006, que trata de substâncias entorpecentes. Em fevereiro
de 2010, o Conselho Nacional de Justiça editou a Recomendação 30 para que a
norma da lei especial fosse também aplicada em crimes de outra natureza, a
fim de se evitar a depreciação dos bens pela falta de manutenção e ausência
de condições de depósito que viabilizem sua preservação durante o curso do
processo.

A Receita Federal regulamentou a matéria por meio da Portaria 3.010, de 29/6, que prevê a possibilidade de o órgão destinar mercadorias sob custódia, ainda que relativas a processos que ainda não foram julgados pela Justiça. Com informações da Assessoria de Imprensa do STJ.

Clique aqui para ler o manual.

Revista Consultor Jurídico, 14 de outubro de 2011, 11h21

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