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Descuido com a segurança

Escritório sofre desfalque de milhões na Austrália

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Ao entrar no site da grande firma de advocacia Minter Ellison, a primeira impressão que se tem é de que houve um equívoco. Uma imagem toma conta de quase toda a capa e o título é: "Segurança nas Nuvens". É uma oferta de serviços de tecnologia, prestados pela Minter Ellison. Mas, basta navegar pelo site para ver que a Minter Ellison foi eleita a "Firma de Advocacia do Ano" na Austrália, em 2007, 2008, 2009 e 2011. Tem escritórios em 14 cidades, em cinco países. A Wikipédia diz que está entre as "seis grandes firmas de advocacia" na Austrália. Na última quarta-feira (5/10), entretanto, a notícia era de que a grande firma foi roubada, durante 10 anos, por seu CFO (chief financial officer, em português o diretor financeiro). O desfalque apurado, até agora, é de US$ 2,7 milhões, de acordo com a o Jornal da ABA (American Bar Association, a ordem dos advogados dos EUA).

O anúncio no site da Minter Ellison se refere a uma das especializações da firma: a segurança da tecnologia de computação nas nuvens. Aqui na terra, o ex-CFO da firma Craig Dean Reneberg, 46, foi preso pela segurança do aeroporto de Sydney quando tentava embarcar em um voo para retornar à Tailândia, para onde se mudou depois de deixar a firma. Ele teria voltado à Austrália apenas para renovar seu visto. Na quarta-feira, foi levado a um tribunal de Adelaide, para enfrentar seis acusações de "se apropriar desonestamente de propriedade sem consentimento". Mas, Reneberg lesou uma firma de advocacia, sócios e advogados da firma. Assim, mais 203 acusações contra ele já foram encaminhadas ao tribunal, como declarou o juiz Joe Baldino ao The Sidney Morning Herald.

A promotora Lisa Stamper, que recebeu as acusações, pediu ao juiz para manter o réu preso, em vez de fixar uma fiança, porque ele cometeu o crime do qual é acusado repetidamente, por mais de 10 anos — e os valores dos desfalques ainda não foram totalmente apurados. Não se sabe exatamente quanto ele desviou de salários e outros pagamentos dos 40 sócios da firma. A Suprema Corte do Sul da Austrália já havia sido informada que certos registros de transferências bancárias foram apagados do sistema da firma em junho — mês em que Reneberg deixou o cargo de CFO dos escritórios de Adelaide e Darwin.

Acima de qualquer suspeita
Aparentemente Craig Reneberg, que já foi membro dos conselhos de algumas organizações voltadas para a arte em Adelaide, era um cidadão acima de qualquer suspeita. Mas, segundo o artigo no Jornal da ABA, a "Minter Ellison está longe de ser a única firma de advocacia a ser vitimada por funcionários de confiança e que, agora, busca remediar tais más condutas". E publica uma lista de links de outras reportagens sobre firmas de advocacia lesadas, todas com a mesma característica: deixaram toda a administração financeira da firma nas mãos de algum cidadão ou alguma cidadã acima de qualquer suspeita.

Em Lakewood, Nova Jersey, a ex-administradora da firma (não identificada) Kathleen Baker, 54, confessou, em um tribunal, ter desviado mais de US$ 1,1 milhão, de 2003 a 2009. Ela contou que emitia e assinava cheques da firma, que depositava em contas bancárias controladas por ela ou fazia pagamentos à Corporate Solutions, uma empresa fictícia criada por ela mesma. Ela será sentenciada ainda este mês.

Em Morrstown, também em Nova Jersey, a ex-administradora Beth Friedland, da Maloof Lebowitz & Oleske, foi acusada de desviar US$ 1 milhão, entre 2003 e 2010, o que teria obrigado a firma a demitir advogados. Ela admitiu em corte que desviou para suas contas US$ 448.721,00. Foi condenada a sete anos de prisão, em julho.

Em Santa Clara, Califórnia, a ex-administradora Dona Joy Herderson, 68, foi condenada em maio a quatro anos de prisão, depois de admitir a um tribunal que desviou US$ 502 mil das contas da Tustin Rinos and Martin, em um período de seis anos. Ela disse que gastou o dinheiro em artigos de luxo, jogos, joias e tratamentos de spa para seu bicho de estimação. Ela emitiu e assinou 122 cheques para ela mesma, para parentes, pagamentos de cartão de crédito e para firmas fictícias.

Uma característica comum de "funcionários de confiança" que dão desfalques em firmas de advocacia é a de que gastam o dinheiro na "compra de BMWs" (ou carros caros), televisores de 55 polegadas para suas casas e outros tantos artigos de luxo, o que poderia ser uma indicação de enriquecimento ilícito, que, segundo os casos relatados, não foram percebidos pelos advogados, antes de o desfalque estourar.

Na Austrália, Craig Reneberg terá outra audiência em 13 de outubro. Na audiência da última quarta-feira (/10), "ele não reagiu quando a promotora afirmou que a firma ainda quer recuperar os US$ 2,7 milhões que ele havia desviado", segundo o Adelaide Now. Deixou a tarefa de falar para sua advogada Jessie MacGillivray. Segundo a defesa, "ele não é um fugitivo"; que "ele não tem bens e não tem meios. Ele não tem capacidade para comprar sua saída dessa situação".

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 8 de outubro de 2011, 8h20

Comentários de leitores

2 comentários

vamos ressocializar o coitadinho !! Então o CNJ

daniel (Outros - Administrativa)

vamos ressocializar o coitadinho !! Então o CNJ deve incluí-lo nos beneficiados pelos mutirões com apoio do MJ com leis que protegem bandidos e ao final o STF o contrataria e saíria na TV como program " de volta ao trabalho"...

Não é mole não!

J. Henrique (Funcionário público)

Fosse aqui no Brasil nada aconteceria com esse senhor.

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