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Braços cruzados

Mais de 5 mil juízes federais paralisam atividades

Os juízes federais paralisaram suas atividades, nesta quarta-feira (30/11), em defesa de segurança, melhoria nas condições de trabalho, política previdenciária, de saúde e remuneratória. A estimativa é  que 90% dos juízes federais participem da paralisação, o que equivale a 1.600 profissionais, segundo dados da Assessoria e Imprensa da Ajufe. Os juízes trabalhistas também se mobilizaram nesta quarta. Segundo a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), 3.600 juízes estão participando do ato. Os juízes estão cumprindo o que foi decidido em assembeia geral. A mobilização acontece justamente na Semana Nacional da Conciliação, em que a Justiça faz um esforço concentrado para solucionar os casos com acordos e assim baixar o número de processos. 

A manifestação contará com atos públicos em diversas regiões, debates e reuniões, como forma de chamar a atenção da sociedade para a falta de segurança no trabalho dos magistrados e para a desvalorização da carreira. 

“Se queremos um Judiciário independente e fortalecido, temos que lutar por isso. E isso passa pela garantia do poder de compra dos subsídios de um juiz, hoje defasado em quase 25%”, disse o presidente da Anamatra, Renato Sant’Anna. O juíz, juntamente com outros dirigentes da entidade que estão em Brasília, participarão do ato público no prédio das Varas Trabalhistas da capital federal, localizado na 513 norte, às 15 horas.

Com a paralisação de um dia, a estimativa da Anamatra é que cerca de 20 mil audiências trabalhistas em todo o país sejam remarcadas. Mas tanto a Ajufe, quanto a Anamatra, avisam que os juízes estarão nos fóruns para conversar com a população e para atender os casos urgentes. “Lamentamos profundamente os transtornos que causaremos. Mas nós, que defendemos a legislação trabalhista há 70 anos, precisaremos parar um dia para defender os nossos direitos também”, afirmou o presidente da Anamatra. “Não gostaríamos de ter chegado a esse ponto, mas não temos alternativa diante do impasse institucional entre os Poderes", disse o presidente da Anamatra.

Gabriel Wedy, presidente da Ajufe, afirmou: “Precisamos construir uma agenda positiva para o Judiciário. As cúpulas dos Três Poderes precisam sentar à mesa e conversar sobre o assunto. Os juízes estão sem segurança, mais de 200 ameaçados de morte segundo o CNJ, embora o número na realidade seja bem maior. Nos últimos seis anos os juízes acumulam perdas inflacionárias nos seus subsídios de mais de 30%, tendo recebido no período apenas 8% na revisão destes. A previdência da magistratura que é superavitária, corre sério risco em virtude da pressão dos grandes fundos de pensão e das empresas de previdência privada, algumas delas alimentadas pelo capital internacional. Não queremos que ocorra aqui o mesmo escândalo e rotundo fracasso que foi a reforma da previdência chilena. Muitos juízes  não têm sequer condições estruturais mínimas de trabalho para prestar um bom atendimento ao jurisdicionado em virtude dos milhares de processos que recebem para julgar todos os anos. Nossa mobilização tem o objetivo de chamar a atenção não apenas dos Três Poderes do Estado mas de toda a sociedade brasileira para esta realidade. Buscamos um Judiciário independente, que preste uma Justiça rápida  e acessível e que, no âmbito criminal, não admita a impunidade e a corrupção em nosso País”.

A Ajufe convocou os juízes federais a se reunirem nas sedes das respectivas Seções Judiciárias para debater os assuntos do interesse da magistratura federal e esclarecer a imprensa e opinião publica sobre os objetivos do movimento. 

Os juízes alegam que entre janeiro de 2006, quando foi definido o teto remuneratório máximo do serviço público, e agosto de 2011, o índice de inflação oficial já supera os 32%. Descontada reposição parcial determinada em 2009 (9%), as perdas inflacionárias acumuladas no período ultrapassam 22%, o que representa a subtração de quase um quarto do poder de compra dos membros do Poder Judiciário e o descumprimento da Constituição Federal que garante aos juízes a revisão anual dos vencimentos e a irredutibilidade salarial.

"A instituição do teto do serviço público, que é o subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal, foi uma medida moralizadora, para evitar remunerações escandalosas. Se o poder de compra do subsídio não for mantido, perde-se a razão de sua instituição e o parâmetro que hoje impede os salários acima do teto. Isso não queremos”, disse o presidente da Anamatra, que ainda acrescentou: "É justamente para evitar a defasagem da remuneração que a Constituição Federal determina a revisão anual dos subsídios. É só cumprir a Constituição".

Segurança, saúde e previdência 
Os juízes trabalhistas e federais também reclamam da falta de uma política institucional que garanta a segurança para o exercício de suas funções. Alegam que os juízes sofrem ameaças constantemente e são submetidos ao estresse de cumprir seu dever constitucional mesmo sob risco de sua segurança própria e da sua família.

Outro ponto que não tem merecido o apropriado tratamento, argumentam os juízes, é o sistema de saúde para a classe, principalmente porque não previne os agravos à saúde física e mental nem prevê proteção previdenciária adequada.

Essa afirmação é fundamentada em recente pesquisa feita pela Anamatra  que revela que estes profissionais têm apresentado percentual maior de adoecimento em comparação com o conjunto da sociedade, sendo extremamente elevadas as ocorrências de doenças físicas e psíquicas que os acometem.

“Pedimos a compreensão da população, mas teremos que parar por um dia para defender nossos direitos. Os juízes, que são o último recurso do cidadão, devem dar exemplo de defesa da nossa Constituição." 
 

Revista Consultor Jurídico, 30 de novembro de 2011, 14h48

Comentários de leitores

4 comentários

Obediência à Constituição

André (Professor Universitário)

A questão não é gostar ou não de juiz, ter ou não previsão de crise para 2012, juiz ganhar muito ou pouco em relação ao salário mínimo, etc. Nada disso interessa ao caso (trata-se de argumento de mídia, que agrada às classes desinformadas). Essa discussão política já está superada com a garantia constitucional de revisão anual dos subsídios.
Gostemos ou não, goste a Presidenta ou não, a Constituição determina que se corrija o subsídio dos juízes e assim deve ser feito até que se altere a Constituição. E o STF, se não fosse submisso ao Executivo, já deveria ter julgado os diversos mandados de injunção e determinado a obediência da Constituição.
Um país democrático e consolidado só se faz com o respeito à Constituição, pouco importando a conveniência política da medida e a quem aproveite ou prejudique. É o que penso!

IGUAIS, JUÍZES E OS CIDADÃOS!

Carlos Roberto Ribeiro de Souza (Consultor)

Os cidadãos brasileiros devem seguir o exemplo dos Juízes e reivindicar que o valor do salário mínimo seja de R$ 2.450,00, isso é uma questão de legalidade e previsto constitucionalmente, na carta magna de 1988 em seus artigos 5º incisos II e 7º incisos IV. Mas para viabilizar tal valor deve-se praticar algumas reformas, as quais são: TRIBUTÁRIA, POLÍTICA e PREVIDENCIÁRIA.
Portanto, pergunto aos JUÍZES a presidenta não está cumprindo os ditames da lei, assim, ela está na marginalidade? Essa questão serve para todas as categorias, da menor posição a mais alta nacionalmente.
Esperamos que os especialistas no regime ENGANOCRACÍA, não consigam enganar os menos favorecidos.
enganocracia

greve não está com nada!!!!!

Ricardo T. (Outros)

Tenho que dizer a verdade: os juízes devem prestar concurso para procurador da república ou procurador do trabalho. Muito melhor e mais top. A carga de trabalho é menor, as férias são indenizadas e ainda recebem diária, além de vale refeição. Vamos voltar a estudar e prestar para procurador. O concurso está aberto!

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