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Ações afirmativas

Cotas raciais e sociais têm debate acalorado

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Discussões acaloradas entre o senador Demóstenes Torres e o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos sobre o tema “Cotas Raciais ou Sociais”, no grande auditório do Teatro Positivo, encerraram o ciclo de debates da XXI Conferência Nacional dos Advogados, na quinta-feira (24/11), em Curitiba. Demóstenes defendeu as cotas sociais. Disse que elas são capazes de beneficiar todos os pobres do Brasil em vez de segmentá-los. Bastos foi aplaudido ao enfatizar que “basta observarmos o número de negros nesta conferência, para verificarmos que eles ainda sofrem as consequências de centenas de anos de escravidão”.

Com base nos trabalhos do médico geneticista brasileiro Sérgio Pena, Demóstenes afirmou que o conceito de raça é social, pois geneticamente não tem sentido. “No Brasil, a cor de um indivíduo tem muito baixa correlação com sua ancestralidade africana. É muito difícil dizer quem é branco, negro ou índio. Não existe identidade negra ou branca. Existe identidade brasileira. Temos que trabalhar pela integração”, afirmou.

“A inclusão de alguém sempre implica na exclusão de outro. É inegável que existe racismo no Brasil, mas as cotas raciais seriam uma forma de discriminação entre pessoas que estão na mesma condição social. Se grande parte dos negros e pardos são pobres, eles seriam os principais beneficiários das cotas sociais”, declarou Demóstenes para concluir a defesa das cotas sociais.

Grande defensor das cotas raciais, Thomaz Bastos começou sua exposição relembrando fatos históricos e dizendo que a escravidão no Brasil foi a mais longa e cruel de que se tem notícia no mundo. “Dos cerca de 11 milhões de africanos trazido às Américas, 44% vieram ao Brasil. Nos Estados Unidos, que recebeu aproximadamente 500 mil negros escravos, o tráfico negreiro aconteceu por pouco mais de um século. No Brasil, foram 300 anos. É por isso que as marcas da escravidão permanecem tão profundas”, discursou.

Segundo o ex-ministro, as cotas raciais são capazes de diminuir um pouco a desigualdade social verificada entre brancos e negros nos dias de hoje e saldar uma pequena parte da dívida histórica que a sociedade brasileira tem com os negros. “Não é um esforço de segregação ou luta de classe, mas de solidariedade e trabalho fraterno. A Justiça distributiva feita hoje é capaz de criar igualdade social e de oportunidades no amanhã”, comentou. 

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 25 de novembro de 2011, 12h30

Comentários de leitores

2 comentários

Absurdo Institucionalizado

AC-RJ (Advogado Autônomo)

Não há nada de mais absurdo e surreal que as cotas raciais. Nem mesmo os seus mais devotados seguidores conseguem definir o que seria a "raça negra". Quando utilizam a expressão "afro-descendente", pior ainda. Chega-se ao cúmulo de criarem Tribunais Raciais em algumas universidades públicas em que se decide se um candidato faria jus ou não às cotas raciais pelo "critério científico" de olhar a sua foto!!! Nem Hitler chegou a tanto.

Ledo engano....

Ademilson Pereira Diniz (Advogado Autônomo - Civil)

A questão atinente à institucionalização de COTAS, sejam de que natureza for, está muito mal conduzida e resultará num tiro que sairá pela culatra. Os empregadores do futuro terão como saber se o candidato ao emprego foi ou não beneficiário dessas cotas, ou melhor, todos os que pertençam ao universo (genericamente) alcançado pela cotas saídos de alguma universidade, tenham ou nçao ingressado ali como beneficiário de tais cotas, serão objeto de desconfiança quanto à sua capacidade. Na verdade, essa política de COTAS está abrinco caminho para a criação de um APPARTAID à brasileira. Haverá os que conseguiram seus DIPLOMAS sem as cotas, e HAVERÁ os DAS COTAS. Se há dívida social a ser paga (conceito muito relativo e surreal no país como o nosso -- a grande maioria do povo brasileiro vem de camadas injustiçadas socialmente no passado; isto não é um privilégio de alguns poucos quilombolas,índicos,etc.) essa dívida deve ser paga sob um conceito de UNIVERSALIDADE e deve ter início com um investimento maciço na ESCOLA PÚBLICA, sobretudo nas primeiras lições.

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