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ANPR rebate em nota pedido de providências da AGU

A Associação Nacional dos Procuradores da República divulgou nota de repúdio ao pedido de providências apresentado pela Advocacia-Geral da União no Conselho Nacional do Ministério Público. No documento, a AGU alerta que as recomendações que alguns procuradores emitem a órgãos de governo trazem tentativas de intimidação de agentes públicos, com claras ameaças de responsabilização pessoal do servidor.

"A Recomendação é um instrumento jurídico legítimo que confere transparência ao entendimento do MPF em relação à atuação de órgãos ou entidades públicas", diz a ANPR na nota. Segundo a associação, a aplicação das recomendações "é sempre fundamentada em dados técnicos e expõe, de forma clara, as irregularidades, visando garantir a melhoria dos serviços públicos e, até mesmo, prevenir danos irreversíveis como no caso de Belo Monte. Mesmo quando se referem à atuação de órgãos públicos, são entregues aos destinatários responsáveis."

O pedido da AGU no CNMP está relacionado à atuação de procuradores da República em relação à Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu.

A ANPR diz que, no caso, a maioria das 10 recomendações feitas  foi baseada em informações do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Renovais (Ibama) e do Ministério do Meio Ambiente, sucedidas por ações judiciais que ainda estão pendentes de julgamento. "As ações civis públicas decorrentes de cada uma das recomendações foram motivadas pelo descumprimento da lei que as fundamenta e não pelo desacato das recomendações em si."

Na quinta-feira (26/5), o Ministério Público Federal no Pará se manifestou quanto ao pedido da AGU no CNMP. “A busca perante o Poder Judiciário da defesa dos bens e direitos que cabe ao MPF promover jamais pode ser tachada de ameaça ou mesmo assédio moral, pois se trata do exercício das prerrogativas constitucionais e legais do MPF”, disse o órgão.

Leia a nota:
A Associação Nacional dos Procuradores da República vem a público repudiar o pedido de providencias protocolado pela Advocacia Geral da União na última quarta, 25, para que o Conselho Nacional do Ministério Público limite a utilização de recomendações por parte do MPF. A Associação rechaça também as acusações de que servidores públicos estariam sofrendo assédio moral por parte de membros do MPF.

Ao contrário do que afirma a AGU, a Recomendação é um instrumento jurídico legítimo que confere transparência ao entendimento do MPF em relação à atuação de órgãos ou entidades públicas. Sua aplicação é sempre fundamentada em dados técnicos e expõe, de forma clara, as irregularidades, visando garantir a melhoria dos serviços públicos e, até mesmo, prevenir danos irreversíveis como no caso de Belo Monte. Mesmo quando se referem à atuação de órgãos públicos, são entregues aos destinatários responsáveis.

Quando utilizadas conforme fizeram os procuradores da República do Pará, as recomendações traduzem o estrito cumprimento da lei e só podem ser encaradas como ameaça por aqueles que obedecem cegamente a ordens e não à legislação vigente no país.

No caso Belo Monte, a maioria das dez recomendações feitas pelo MPF do Pará foi baseada em informações do próprio Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Renovais (Ibama) e do Ministério do Meio Ambiente, tendo sido sucedidas por ações judiciais que, ao contrário do que diz a AGU, ainda estão pendentes de julgamento. As ações civis públicas decorrentes de cada uma das recomendações foram motivadas pelo descumprimento da lei que as fundamenta e não pelo desacato das recomendações em si.

A ANPR apoia e endossa o trabalho dos procuradores da República, que, por meio de recomendações, ações civis públicas e ações de improbidade, cumprem seu dever constitucional de exigir o respeito à legislação ambiental e aos direitos da sociedade brasileira. 

Alexandre Camanho de Assis
Procurador Regional da República
Presidente da ANPR

Revista Consultor Jurídico, 27 de maio de 2011, 16h28

Comentários de leitores

1 comentário

O MP, função essencial.

Republicano (Professor)

Recomendar para quê? Ora, se há irregularidade a Justiça é o caminho para o incorformismo. Fica parecendo que o MP quer administrar junto com os administradores, alguns eleitos para tal. A recomendação, lançada na imprensa, cria ambiente de angústia e inquietação na administração pública, e, às vezes, ocasiona interpretações apressadas por parte dos administrados. O MP, função essencial que é, tem tido excelente trabalho em todas as áreas, mas deve entender que qualquer requisição ou mesmo recomendação deve vir precedida de procedimento rigorosamente instaurado (e não por instaurar), fundamentando as próprias manifestações.

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