Consultor Jurídico

Notícias

Segredo no Brasil

Existem 214 salas antigrampo contra espionagem

Existem, hoje, no Brasil 214 salas antigrampo, chamadas salas-cofre, para permitir que empresários façam negócios sem correr risco de ser alvo de espionagem empresarial. Os preços variam de US$ 75 mil a US$ 500 mil. Nelas são definidos o lançamento de novos produtos ou a fusão de companhias ou ainda a criação de consórcios que disputarão as principais licitações do país. A reportagem é do jornal Folha de S. Paulo.

Nas salas, sem janelas e com paredes construídas com camadas de isolamento térmico, acústico e chapas de aço, os empresários devem deixar objetos em armários e serem submetidos a uma espécie de raio-X.

De acordo com a estimativa da RCI First Security and Intelligence Advising, especializada em análise e gestão de riscos e contraespionagem, as empresas no Brasil perdem, por ano, entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão com espionagem empresarial. Com sede em Nova York, a empresa atua em 17 países, além do Brasil.

O mercado de espionagem e contraespionagem movimentou R$ 1,1 bilhão no ano passado, incluindo gastos com serviços e equipamentos usados para atacar e se proteger dos concorrentes. "O Brasil demorou para entender o valor da informação. Nos Estados Unidos, o gasto com espionagem e contraespionagem é 15 vezes maior", explica Ricardo Chilelli, diretor-presidente da RCI.

Enquanto 92% das empresas norte-americanas de médio e grande porte investem em proteção, no Brasil somente 17% delas têm essa preocupação. E somente 3% das brasileiras têm equipamentos próprios de proteção. Nos EUA, são 21%.

Emergentes
"Os mercados emergentes estão especialmente vulneráveis porque muitas empresas só agora estão se dando conta do valor de proteger suas informações", diz Larry Ponemon, presidente da consultoria americana Ponemon Institute.

A espionagem de segredos custa às empresas entre US$ 100 mil e US$ 50 milhões, dependendo do nível de informação furtada. 

A proteção não existe apenas entre quatro paredes físicas, com as salas-cofre.  Há seis meses a Positivo Informática, do Paraná, adotou uma espécie de sala virtual secreta, em que apenas poucos executivos têm acesso a projetos estratégicos. A prática foi adotada após diversos projetos vazarem. 

O episódio mais recente ocorreu em 2010, quando imagens do leitor digital Alfa, concorrente brasileiro do Kindle, chegaram ao mercado em maio, três meses antes do lançamento.

Oito em cada 10 empresas que contratam serviços de espionagem buscam informações sobre estratégias e planejamento de marketing dos concorrentes.

"A ideia é neutralizar ou amenizar o impacto do lançamento de um novo produto. Ou correr para lançar antes", diz Chilelli. "Ao contrário do que se pensa, somente 5% dos casos estão ligados ao furto de documentos e projetos."

Revista Consultor Jurídico, 15 de maio de 2011, 18h05

Comentários de leitores

2 comentários

E o fator humano...

MSRibeiro (Administrador)

A questão da segurança da informação envolve diversas dimensões e uma delas é o fator humano. O empresário deve tomar muito cuidado ao contratar, e após a contratação, manter um funcionário em um nível de satisfação de forma a evitar o vazamento de informações,roubo de um projeto estratégico ou de qualquer forma de retaliação que venha a trazer prejuízos aos negócios. Empresas são pessoas e manter controle sobre a vontade e o emocional de seres humanos é uma tarefa muito mais complexa, de forma que muitas vezes as soluções físicas de segurança não conseguem alcançar.

Traduzindo: a moral empresarial não passa de puro crime

Sérgio Niemeyer (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

De acordo com a notícia, «[o]ito em cada 10 empresas que contratam serviços de espionagem buscam informações sobre estratégias e planejamento de marketing dos concorrentes».
.
Traduzindo em bom português: oito em cada dez empresas ou cometem crimes ou incentivam o cometimento de crimes e outros ilícitos ao pagarem por serviços de espionagem que invariavelmente violam o domicílio alheio, quebram o sigilo de informações e documentos sigilosos, praticam concorrência desleal etc.
.
E ainda tem gente que acha que uma passeata, uma vez por ano, para legalizar a maconha é apologia ao crime! Apologia ao crime e o próprio crime estão sendo cometidos nas barbas das autoridades por esses 80% dos dirigentes empresariais, que praticam «administração» truculenta dos negócios fundados na espionagem e na contraespionagem.
.
E o Ministério Público, diante de uma notícia dessas, o que faz? Fica de braços cruzados?!
.
Parece perversa e pervertida essa cultura econômica que assenta em sapatas delitivas. Lembra, ou pelo menos se aproxima daquela a máxima usada por um certo político: «rouba, mas faz».
.
(a) Sérgio Niemeyer
Advogado – Mestre em Direito pela USP – sergioniemeyer@adv.oabsp.org.br

Comentários encerrados em 23/05/2011.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.