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Reviravoltas do mercado

Universidade britânica avisa que vão faltar advogados

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Há dois anos, a ordem dos advogados inglesa começou uma campanha para desencorajar os estudantes a seguir a carreira da advocacia. E deu certo. Uma projeção recentemente divulgada na Inglaterra aponta que, já no próximo ano, o número de vagas disponíveis para os recém-formados pode superar a quantidade de graduados.

Os dados foram divulgados pela The College of Law, universidade inglesa considerada uma das principais a oferecer o legal practice course, que é o curso de um ano obrigatório para os formados em Direito que querem ser solicitors, os advogados responsáveis por lidar diretamente com o cliente e autorizados a atuar apenas nas instâncias inferiores. Além deles, atuam na advocacia britânica os barristers, que são os profissionais habilitados a atuar nos tribunais superiores, sempre de toga e peruca.

De acordo com The College of Law, no próximo ano devem entrar no mercado de trabalho menos solicitors do que a demanda. A previsão da universidade é que, no final do primeiro semestre de 2012, quando acaba o ano letivo na Inglaterra, o número de vagas de trainees seja 14% superior ao número de formados. A universidade aponta que, mesmo com base em dados mais conservadores, o equilíbrio deve ser quebrado já em 2013. E alerta: se nada for feito, vai faltar advogado no mercado.

A campanha começada pela Law Society of England and Wales, a OAB inglesa, em 2009, visava diminuir o número de novos advogados em um mercado já considerado superocupado. Dados da ordem dão conta de que, em julho de 2009, havia pouco mais de 115 mil solicitors atuando na Inglaterra e no País de Gales, o que dava uma média de um advogado para cada grupo de 476 pessoas. Isso sem contar os barristers, que em 2009 ultrapassavam os 15 mil.

Com a crise econômica que há quase três anos atormenta a Europa, a Law Society entendeu que era premente avisar os estudantes de Direito que eles iam investir numa carreira — os cursos para se tornar solicitor custam mais de 10 mil libras (cerca de R$ 26 mil) por ano — com poucas chances de conseguir uma vaga no mercado de trabalho. De acordo com publicação britânica The Lawyer, já em 2010, um ano após o início da campanha, a procura pelos cursos sofreu uma queda de 20%.

Em comunicado publicado em seu site, The College of Law afirma que a diminuição da procura superou a queda de oportunidades abertas nos escritórios. A universidade lembra que, se nada for feito para reverter isso, corre-se o risco de repetir o que aconteceu no mercado da advocacia depois da crise da década de 1990, quando a oferta de vagas para advogados recém-formados era tão maior que a quantidade de graduados que os salários pularam de 30 mil libras (quase R$ 80 mil) anuais para perto dos 100 mil (mais de R$ 260 mil).

De acordo com um artigo publicado no jornal britânico The Guardian, no entanto, a Law Society não vê motivo para suspender a sua campanha e considera importante alertar os estudantes sobre o mercado concorrido que pretendem entrar. A entidade que representa os barristers, Bar Council, por outro lado, lançou em março um site para esclarecer aos jovens o que é ser barrister e estimular os melhores candidatos a entrar para o time.




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 é correspondente da revista Consultor Jurídico na Europa.

Revista Consultor Jurídico, 12 de maio de 2011, 17h35

Comentários de leitores

3 comentários

Prezado Dr. Fernando,

Diego. S. O. (Advogado Autônomo - Civil)

Fui reprovado duas vezes no Exame de Ordem, passei apenas no 3º.
Nunca fui um "barista", pelo contrário, sempre fui um dos melhores alunos da turma - passei em Concurso Público de seleção de estagiários da Defensoria Pública do RJ quando ainda estava no 5º período, mais tarde, já no 7º período, passei para o estágio no MPE-RJ. No último ano do curso fui contratado pelo escritório do Presidente da OAB da seccional de minha cidade, no qual - após formado - recebi o convite para fazer para trabalhar com o mesmo.
Ou seja, mesmo sendo um aluno, digamos, "exemplar" fui reprovado por duas vezes no Exame da OAB. Tenho uma colega que se formou comigo que foi aprovada em dois Concursos do TJ-RJ, sendo no último classificada em 5º Lugar, que foi reprovada na OAB, enquanto outros colegas "baristas" que visivelmente não sabem nada (não sabem fazer uma mera petição de juntada), e que escrevem absurdos e maltratam o português passaram na prova!
Não sou contra o exame, mas sim na forma com que o mesmo é elaborado e corrigido. A correção é injusta e obscura, ao ponto de pessoas responderam a mesma coisa, mas um ganhar a pontuação e o outro não.
Tudo é tão estranho que do último exame já se passaram quase 2 meses, mas o "Gabarito" ou "Padrão de respostas" ainda não foram publicados!
O pior de tudo é ver na mídia alguns Advogados, que sequer fizeram o Exame, dizendo que o mesmo é necessário e que quem não passa é burro.

PROBLEMA DOS NOSSOS BACHARÉIS, RESOLVIDO !

Fernando José Gonçalves (Advogado Sócio de Escritório)

Com a iminente falta de advogados na Inglaterra, poderíamos mandar os nossos bacharéis para ocuparem as vagas de 'BARRISTERS' lá. É que a maioria deles, por aqui, conhece bem esse 'jargão', que vulgarmente transposto para a nossa cultura tupiniquim significa "baristas" , ou seja, aqueles que frequentam os 'barristers' (barzinhos em dias da semana), deixando de participarem das aulas. Quanto a toga e peruca, alguns até usam, após um 'porre' daqueles. Dessa forma resolveríamos dois problemas a) deles próprios que advogariam num país de 1º mundo e b) Deixariam de encher o saco protestando contra o exame da OAB , além de não mais passarem 'fome'. A sede, os "baristas" brasileiros que superlotam os 'points' sabem muito bem como matá-la.

Uma questão para se pensar

RogérioAro (Advogado Sócio de Escritório - Criminal)

A OAB poderia começar a analisar uma medida semelhante para o Brasil.

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