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Espionagem corporativa

Júri dos EUA condena megainvestidor por fraude

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Um Tribunal Federal de Júri de Manhattan, em Nova York, condenou o megainvestidor Raj Rajaratnam, 53 anos, por todas as 14 acusações de fraude que lhe eram atribuídas. Ele é fundador do bilionário Galleon Group, que já foi um dos maiores fundos de hedge do mundo (aplicações financeiras de caráter mais especulativo, portanto mais arriscadas do que formas de investimento convencionais). Cabe recurso.

A decisão foi anunciada pelo juiz na quarta-feira (11/5) depois de seis dias de deliberações entre os membros do júri, reunidos após as nove semanas de audiência, em que foram ouvidas testemunhas e apresentadas provas. Raj Rajaratnam era acusado de fraude e de conspirar contra clientes e o mercado por dispor de informações privilegiadas, o que é conhecido, no jargão dos investimentos, por insider trading. A pena prevê reclusão entre 19 e 25 anos.

O júri composto por 12 membros baseou sua decisão em testemunhos e provas obtidas por meio de escutas telefônicas autorizadas judicialmente. Entre os inúmeros registros em áudio, foram gravadas conversas do investidor com espiões corporativos contratados por ele.

O caso é um dos maiores escândalos do círculo de Wall Street. Promotores federais envolvidos no esforço governamental de enfrentar a epidemia de fraudes que assola o mercado financeiro americano, acusaram Rajaratnam, preso em 2009, de estar envolvido diretamente em um dos maiores episódios de espionagem corporativa da história dos EUA. O processo envolve ainda outros 25 acusados, 21 destes assumidamente culpados. São figurões como ex-diretores e executivos de companhias como o banco Goldman Sachs e a IBM.

Natural do Sri Lanka, Rajaratnam mudou-se para os EUA para estudar negócios em 1981. Depois de adquirir experiência no mercado financeiro, o investidor fundou sua própria companhia, o Galleon Group, em 1997, que logo se tornaria um gigante do ramo. No auge, o Galleon Group tinha um faturamento avaliado em US$ 7 bilhões.

Inicialmente a defesa do réu ficou a cargo da banca californiana Gibson, Dunn & Crutcher, dispensada pelo cliente, que passou a contar com os serviços do escritório Akin Gump Strauss Hauer & Feld, de Dallas, Texas.

Raj Rajaratnam ficará em prisão domiciliar até o anúncio da sentença final, marcada para ocorrer no mesmo tribunal no dia 29 de julho.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 12 de maio de 2011, 16h40

Comentários de leitores

1 comentário

Bode Expiatório

Sandro Couto (Auditor Fiscal)

Engraçado, com tantos megainvestidores e executivos de diversos bancos americanos que dão dando risada à toa, mesmo depois da tragédia e prejuízos trilionários que geraram mundo à fora, escolheram um indiano para condenar e servir de um perfeito bode expiatória da irresponsabilidade do mercado financeiro americano na crise que se iniciou em 2007/2008 e até hoje ainda atinge os EUA e sua sociedade implacavelmente.
Vamos ver se as autoridades americanas reagem de verdade e colocam outras aves de rapina do mercado financeiro atrás das grades, assim como a Finlândia fez. É o mínimo que se espera depois do descalabro de 2008 que ainda faz o mundo sentir seus reflexos.

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