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Colaboração econômica

Paquistão investe em lobby para não afastar EUA

A imprensa dos Estados Unidos revela que começou um intenso trabalho de lobby por parte do governo do Paquistão para que a ajuda bilionária dos Estados Unidos ao país não seja prejudicada ou mesmo extinta após a operação que matou o terrorista Osama Bin Laden. O mal-estar diplomático que seguiu após a revelação de que o líder da Al Qaeda se escondia no norte do Paquistão pode secar a fonte de recursos financeiros que sustenta a complexa e ambígua relação entre os dois países.

Apesar do jornal britânico The Guardian ter publicado informações, na terça-feira (10/5), sobre acordos secretos entre ambos os países, que previam  operações militares americanas clandestinas em território paquistanês, o fato de Bin Laden estar escondido no Paquistão, por um longo período, estremeceu a relação entre os governos. Pelo menos oficialmente.

De acordo com a agência de notícias Reuters, a banca de advocacia americana Locke Lord Bissell & Liddell (LLB&L) tomou à frente da negociação em favor do canal de colaboração econômica entre EUA e Paquistão. O trabalho de representação será feito pelo "braço" Locke Lord Strategies, segmento que cuida apenas da área de lobby para a LLB&L. O governo do Paquistão é cliente da empresa e vai investir para frear o desgaste bilateral que pode levar à interrupção de um programa de ajuda financeira de bilhões de dólares.

De acordo com a Reuters, o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, pretende se defender das acusações de que o governo do país foi conivente ao fazer vistas grossas para o fato de que o líder da Al Qaeda se escondia em um refúgio a pouco mais de 80 quilômetros de Islamabad, capital do Paquistão.

Mark Siegel, parceiro associado da Locke Lord, declarou à Reuters que tem mantido contato direto com o presidente paquistanês e com o embaixador do país em Washington D.C.. Siegel confirmou que o mal estar entre os países preocupa o governo do Paquistão e questionou as evidências de que Islamabad faça jogo duplo ao colaborar com os americanos ao passo em que faz o mesmo com organizações terroristas. “Fora especulações, não há provas de que havia um sistema de apoio a Osama Bin Laden com respaldo ou conhecimento do governo do Paquistão, declarou Siegal à Reuters.

De acordo com reportagem da revista mensal The American Lawyer, a Locke Lord Strategies tem um longo histórico de relacionamento com autoridades e líderes políticos do Paquistão. A revista reportou em fevereiro que a LLB&L representou legalmente o presidente Zardari em uma ação contra um jornal paquistanês que publicou detalhes sobre o casamento do presidente. Viúvo, Zardari perdeu a mulher, Benazir Bhutto, antiga líder da oposição no país, em um ataque terrorista em 2007. Ainda de acordo com a The American Lawyer, Mark Siegel trabalhou como redator de discursos na área internacional para Bhutto quando esta ocupou o cargo de primeira-ministra há 25 anos.

A Locke Lord Strategies declarou à publicação, na semana em que Bin Laden foi morto, que a empresa também prestou serviços a Bhutto e que muitos acreditam que seu assassinato foi planejado e executado pela própria Al Qaeda, o que fragiliza argumentos de que o Paquistão tem colaborado com o grupo terrorista.

A empresa também informou, em nota, que seguirá com seu trabalho de apoio ao presidente Zardari “em seus esforços para combater o terrorismo global e contribuir para o desenvolvimento de um Paquistão mais estável e seguro.”

De acordo com a Reuters, o Paquistão desembolsa US$ 75 mil dólares por mês pelos serviços da Locke Lord Strategies. A companhia faturou quase US$ 2 milhões desde o início do contrato e ainda representa legalmente empresas e entidades do país como a Pakistan International Airlines, o Partido do Povo (governista) e a Embaixada do Paquistão nos EUA .

A Locke Lord Bissell & Liddel foi fundada no final do século 19 na cidade de Dallas, estado do Texas, e é uma das maiores bancas de advocacia dos EUA, com filiais em diversas capitais americanas, em Londres e Hong Kong.




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Revista Consultor Jurídico, 11 de maio de 2011, 13h15

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