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Dinheiro no lixo

Mau uso dos impostos pode afugentar investidores

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Trabalhei quatro meses neste ano, mas tudo o que ganhei num deles entreguei ao governo, pagando meus impostos. Além da tributação contida no que eu e minha família consumimos, paguei o IPVA de dois automóveis, o IPTU da minha casa e do meu escritório, o ISS contido nos serviços médicos que usei, enfim, toda a parafernália de impostos que todos pagam.

Aprendi há muito anos que os impostos possuem diversas finalidades. Por exemplo: garantir justiça, segurança, educação, serviços diversos e até mesmo a democracia, remunerando condignamente nossos representantes. Em síntese, o destino do imposto é promover o bem comum, arrecadando recursos para manter o aparelho estatal com todos os seus órgãos, promovendo o equilíbrio da sociedade etc. e tal.

Mas não é isso que estão fazendo com nosso dinheiro. Ele está, literalmente, indo para o lixo.

Acompanhando o noticiário mais recente da imprensa, vimos que verbas destinadas à merenda escolar estão sendo desviadas por meliantes que ocupam cargos públicos, entregando-se às escolas alimentos sem condições de uso, que acabam na lata do lixo. Para tal crime há várias agravantes, a primeira delas pelo fato de que as coisas roubadas ou furtadas destinavam-se a crianças ou jovens em idade escolar. Trata-se, sem dúvida de crime que pode ser considerado hediondo. É dinheiro que vai para o lixo.

O trágico nessa história é que isso ocorre em vários estados, inclusive neste que é tido como o mais rico da Federação.

Não faz muito tempo livros e materiais escolares que custaram verdadeiras fortunas foram destruídos numa escola pública, porque não eram úteis aos seus alunos. A única utilidade foi enriquecer verdadeiras quadrilhas que se infiltram em áreas governamentais . Não há notícias de que os responsáveis pelo crime estejam presos. É dinheiro que vai para o lixo.

Também já foram registrados casos de medicamentos adquiridos com nosso dinheiro que tiveram o lixo como destino, porque comprados em quantidades absurdamente elevadas, totalmente desproporcionais ao município para onde foram encaminhados.

Enquanto aquelas crianças ficaram sem merenda, preocupam-se as pessoas que elegemos com obras megalomaníacas e de duvidosa viabilidade ou utilidade discutível, como o tal trem-bala, os aviões de guerra e até mesmo aquela fantasia de submarino atômico que há décadas consome dinheiro público e não chega a lugar algum.

Em outro nível de governo, há capitais do Nordeste em que o dinheiro do imposto é utilizado para contratar conjuntos de forró-brega (argh!) para fazer shows em praça pública. É dinheiro que vai para o lixo.

Esses atos criminosos ocorrem no país todo. Um prefeito em quem votei (mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa) resolve fundar um partido e logo em seguida contrata um político nordestino para ser conselheiro da Companhia de Engenharia de Trafego de uma das maiores cidades do mundo. O IPTU, o ISS e o IPVA (metade pertence ao município) que paguei vão ajudar a pagar essa picaretagem. Como se diria alhures: arre égua!

Esse mesmo prefeito resolveu dar emprego para coronéis aposentados da polícia militar nas administrações regionais. Em quase todos os bairros, a sujeira nas ruas não melhorou e os demais serviços públicos continuam ruins. Mas em algumas administrações já resolveram hastear a bandeira e cantar o hino, quase sempre com a presença dos puxa-sacos de plantão e da imprensa do bairro. Dizem que estão promovendo o patriotismo. Sempre pensei que a função de um administrador fosse administrar. Talvez eu esteja errado. É dinheiro que vai para o lixo.

Já existem empresários fugindo deste circo. Um cliente do meu escritório que pretendia ampliar sua fábrica na região metropolitana da grande São Paulo já está indo para outro país do Mercosul, onde a carga tributária é cerca de metade da que pagamos aqui e onde licenças para instalação de indústria não demoram mais que 15 dias. Mesmo trazendo o produto de caminhão, vai dar mais lucro. Empresário não quer saber de solenidade ou desfile. Quer é ter lucro e ambiente bom para trabalhar. Isso sim é patriotismo.

 é advogado tributarista, jornalista e membro do Conselho Editorial da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 9 de maio de 2011, 13h55

Comentários de leitores

6 comentários

Representação contra Lula

 (Advogado Autônomo - Civil)

Acabei de ler nesta Conjur uma representação contra o Sr. Lula, feita por Procurador do Sul. Acho que temos de dar todo o apoio que pudermos a esse profissional direito e correto, exemplar funcionário público. Não se pode mais conviver com esse tipo de coisa. Passando a mão na cabeça de governantes enganadores e falastrões travestidos de bonzinho, mas, por trás, enganando o povão, certamente os mais humildes, que trocam o seu voto por um almoço ou um jantar. Desconhecedores de que seus direitos, desde que trabalhadores, ultrapassam em muito essa barreira do simples comer e beber. Ainda bem que estamos chegando ao ponto de não mais aceitar esse tipo de coisa. Que venham esses dias!!!

BASES CORRENTES VIRARAM BRIOCHES!

Wagner (Advogado Assalariado)

Enquanto Maria ANTONIETA tem certeza que as bases correntes não levam a classe média para a guerrilha, o prosaico estado brasileiro assiste a extorsão de mais de um quinto da renda da classe média... O povão, contudo não é aviltado porque se encontra na faixa de isenção. POr outro lado, a Corte que reprime a reforma tributária, neste revival de promessas pode não ter Dutra no novo Partido dos Militares, mas pode muito bem ser surpreendido com a roda da história que cobra em Praça Pública, o preço do alto custo da democracia brasileira, em rendas da corte com reajustes de 133%, enquanto o serviço público vive à mingua de índices menores que a reposição de brioches...Ininteligível, diria o povo! Ignaro, manipulável, com reajustes de falsos salários mínimos já devorados pela gula da inflaçao e da gula de Pantagruel...do Príncipe, quer dizer,da Princesa... No cadafalso da liberdade nos cabe sugerir mais um KIT: O KIT de cidadania, que se torna majoritária nas mãos do PT, porque em terra de povo ignaro e cego, quem tem olho e voz, como a Dilma, é sem dúvida rainha! Desafio ou desaforo é ver a inflação querer fugir como cavalo baio, preso na cocheira da repressão ao consumo, uma estultíce despicienda com o freio dos juros. POdemos ainda, alegarmos que somos maioria. Mas as maiorias também se calam....e o fazem como lição de tolerância religiosa, no Estado Laico, gesto de fé, tão silencioso como o que conduziu a Polônia à liberdade. Dilma não tem culpa alguma. É mais uma prisioneira do Estado, nada de novo!Mas a oportunidade histórica de reforma tributária bate a porta de Dilma, pois basta lembrá-la, que Tiradentes morreu por muito menos que este assalto tributário!

ÉTICA NA POLÍTICA

Francisco Lobo da Costa Ruiz - advocacia criminal (Advogado Autônomo - Criminal)

ONDE ESTÃO AOS MOVIMENTOS, OS BRAVATEIROS HIPÓCRITAS?

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