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Novos números

Estudo mostra que STF é Corte recursal

Dos 1,2 milhão de processos que chegaram ao Supremo Tribunal Federal entre 1988 e 2009, só 0,5% tratam do controle de constitucionalidade; 7,8% são de classe ordinária e 91,7 são recursais. De acordo com um estudo feito pela FGV-RJ, a corte constitucional brasileira está muito mais próxima de ser uma “corte recursal suprema”.

O levantamento foi coordenado pelos professores Joaquim Falcão e Pablo Cerdeira. Segundo Falcão, com a Constituição de 1988, passaram a existir 52 classes processuais por meio dais quais é possível propor uma ação no STF, das quais 37 ainda estão em uso. “Nós pesquisamos em outros países e vimos que nenhuma outra nação tem 37 classes processuais. É uma casa em que você tem que fechar 37 portas todos os dias à noite”, afirmou.

“A diversidade de acesso do Supremo, que inicialmente pode parecer positiva, na verdade dificulta o trâmite da Justiça na medida em que a torna mais morosa e lenta. Os processos se acumulam e os cidadãos têm a sensação de impunidade. O Supremo não pode decidir todos os processos da Justiça brasileira”, afirma Cerdeira.

Do total de processos que entraram no STF durante o período analisado, 1.132.850 já foram julgados e 89.252 ainda estão em tramitação. A divulgação do estudo coincide com o lançamento do site www.supremoemnumeros.com.br, que atualizará permanentemente os dados do Supremo. A cada quatro meses será divulgado um relatório.

Responsáveis
O estudo também mostrou que o setor público é a origem de 90% de todos os processos em tramitação na Suprema Corte, e o Poder Executivo Federal é o maior usuário, com 68% dos processos. Dentre os 12 maiores litigantes, a única empresa privada é a Telemar. Só a Caixa Econômica Federal, União e INSS correspondem a 50% dos processos.

Pequenos
Até mesmo os juizados especiais, criados para resolver conflitos de forma mais célere, parecem estar se transformando em mais um caminho de acesso ao Supremo e atualmente já são responsáveis por 8% dos casos em tramitação na Corte. A situação se agravou a partir de 2002 e 2003, quando o STJ entendeu não ser competente para julgar questões decididas pelas turmas recursais, e o STF entendeu ser competente para tal.

PEC
De acordo com o pesquisador Pablo Cerdeira, “os dados refletem a importância da sociedade aprofundar as discussões referentes à Proposta de Emenda Constitucional dos Recursos". Caso aprovada, a medida prevê o início da execução judicial após a decisão em segunda instância.

Dos casos julgados no STF, 86% já foram decididos em pelo menos duas instâncias. O dado aponta que na maioria das vezes o processo só tem uma definição quando é julgado pela Corte. “Isso significa que, apesar de a Constituição estabelecer o direito a dois julgamentos, na prática se garante no mínimo o triplo grau de jurisdição, às vezes até mesmo o quádruplo”, afirma Cerdeira.

Vinculação
A Súmula Vinculante e a Repercussão Geral garantiram que o STF revertesse o crescimento constante de processos recursais. Em apenas três anos, de 2007 a 2010, o total de processos caiu de mais de 110 mil ao ano para cerca de 30 mil. Apesar desse resultado, os pesquisadores indicam que o número ainda é alto. A Suprema Corte Norte-Americana, por exemplo, recebe cerca de 7 mil processos por ano e julga aproximadamente 100.

Os resultados da pesquisa indicam que o STF tem capacidade para lidar com apenas 50% dos processos que chegam com preliminar de repercussão geral. Ou seja, o número máximo de casos que a Corte poderia atender seria a metade dos mais de 30 mil processos que recebe atualmente. Se nada for feito, os pesquisadores acreditam que haverá um novo acúmulo de processos em breve. Com informações da Assessoria de Imprensa do Supremo Tribunal Federal. 




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Revista Consultor Jurídico, 4 de maio de 2011, 19h21

Comentários de leitores

14 comentários

suprema faculdade

joão gualberto (Advogado Autárquico)

O Brasil tem a suprema faculdade de transformar todas as coisas no seu contrário, mas somente as percebemos quando elas chegam quase ao ponto de não retorno. Temos nos livrado pelo quase. Mas esse quase tem feito males enormes. Porisso sempre estaremos quase lá.

E vão aumentar...

Gilberto Serodio Silva (Bacharel - Civil)

Era de se prever ao legislarem e promulgarem uma constituição com 245 artigos mais 70 em disposições transitórias em 05 de Outubro de 1988.
O país cresce, a população cresce, a economia cresce e apesar de tudo a educação e consciencia de cidadania, diretos, deveres leis e justiça também aumenta, exponencialemnte, o que se reflete nas demandas em todos os Tribunais e instâncias.
Ah sim crescem o número de advogados.
Diria no vernáculo e sabedoria popular, que relevante, "não é determinar quem pintou a Zebra mas o que vão fazer com o animal listrado", por exemplo, reduzir a constituição ou expandir os juizes e aumentar o efetivo e espaço na corte suprema? Situação Caracará....

60%?

Flavio Mansur (Advogado Autônomo)

Não encontrei na matéria os 60% de provimentos em recursos (o comentário logo abaixo fala em 10%??). Mas que sejam: parece que não há é uniformidade nas decisões, não propriamente erros - seria o caso de fechar as demais instâncias e mandar tudo ao STF se fossem erros.
Portanto, não é mundo da fantasia, mas a expressão da federação que ainda somos. Se a norma permite mais de uma interpretação - e conforme a CF - que sejam.
Como tribunal recursal, decidindo a vida cotidiana, temos no STF 11 príncipes que sabem o que é bom e correto para todos. Devemos é ter mais possibilidades dentro da "moldura".

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