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Advocacia full service

O último suspiro dos escritórios butique nos EUA

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A Cozen O’Connor, uma das 100 maiores bancas de advocacia dos Estados Unidos, contratou esta semana, de uma só vez, dezenove novos advogados, e o troca-troca de profissionais agitou os bastidores da advocacia americana, sobretudo em Nova York. Pelo menos cinco dos novos contratados estavam entre os principais sócios do Cohen Pontani Lieberman & Pavane, um importante escritório nova-iorquino, conhecido como uma das tradicionais litigation boutiques da cidade (butiques de litígio, em tradução livre, que são geralmente bancas de pequeno e médio porte voltadas para um nicho específico da advocacia).

Além dos cinco nomes mais conhecidos, os outros 14 contratados também deixaram a banca especializada em propriedade intelectual Cohen Pontani Lieberman & Pavane para assumir funções na Cozen O’Connor. Os sócios majoritários Thomas Pontani, Martin Pavne e Lance Lieberman devem trocar, até 1º de julho, seu antigo escritório para operar na unidade nova-iorquina da Cozen O’Connor. Com a matriz sediada na Filadélfia, a Cozen vai poder oferecer, com as novas contratações, uma espécie de central baseada em Nova York e especializada em litígios envolvendo patentes e propriedade intelectual.

De acordo com as publicações The American Lawyer e Legal Intelligencer, o último movimento de contratação e expansão desse porte operado pela Cozen O’Connor ocorreu em 2009 quando a banca contratou 30 advogados de um escritório de Manhattan, o WolfBlock, também uma litigation boutique, que estava prestes a fechar as portas depois que os sócios resolveram encerrar a parceria. Antes disso, a Cozen tinha recrutado 38 advogados dos 45 que formavam a banca Fischbein Badillo Wagner Harding em 2005. Naquele ano, a Cozen O’Connor passou a contar com uma estrutura até então inédita, dispondo de especialistas em questões imobiliárias, litígios comerciais e lobistas com fortes conexões com políticos do estado de Nova York.

Agora a história se repete. Em entrevista ao Legal Intelligencer, Thomas Decker, presidente da Cozen O’Connor, deu a entender que a Cohen Pontani Lieberman & Pavane pode encerrar suas atividades em breve. Por sua vez, a Cozen O’ Connor tem planos de expansão em outras áreas da advocacia em que ainda não "atuam satisfatoriamente".

Esta tem sido uma constante na advocacia americana. Escritórios especializados em um campo do Direito, as litigation boutiques, estão desaparecendo aos poucos, dando lugar a megabancas que atendem diferentes nichos. As poucas bancas especializadas que não estão fechando as portas são absorvidas por companhias maiores.

O fenômeno não é recente. Já em 2007, reportagem do jornal Philadelphia Business Journal intitulada “Boutiques de litígio são uma espécie em extinção?” já apontava para a mudança. A reportagem descrevia, na época, o surgimento de uma espécie de “mentalidade de shopping” que invadia a advocacia americana. “Por que parar para comprar em lugares diferentes quando você pode ter tudo em um só lugar?”, questionava a matéria. Especialistas, ouvidos pela reportagem há quatro anos, observaram que tradicionais bancas especializadas em campos específicos da advocacia, algumas delas com mais de meio século de funcionamento, não tinham alternativa além de encerrar as atividades e se despedir melancolicamente do mercado.

“Eu não posso explicar o quanto era bom poder praticar a advocacia como acreditávamos que devia ser feito e ter condições de contratar jovens e promissores advogados para treinarmos de acordo com nossos valores”, disse o saudosista Barry Ungar ao Philadelphia Business Journal em 2007. Barry Ungar era sócio da extinta Mann, Ungar, Spector & Labovitz, que fechou as portas depois de 30 anos de atividades na Filadélfia.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 23 de junho de 2011, 8h21

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