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Comentários de leitores

5 comentários

UM POBRE FICARIA 11 ANOS NA MESMA SITUAÇÃO?

Enos Nogueira (Advogado Autônomo - Civil)

Antes de ser advogado quero (e devo) me colocar no lugar das vítimas (não da que morreu, mas no lugar dos pais, irmãos etc.), se eu me coloco dessa forma, não posso conceber que um covarde mate – comprovadamente – uma mulher (ou qualquer pessoa) pelas costas e fique brincado com a (verdadeira) JUSTIÇA por mais de 11 anos, sem que isso deixe de provocar profundos sofrimentos naqueles que foram vitimados por um assassinato tão cruel (inclusive a sociedade que é tão desprezada pela maioria dos "políticos"). Não eram recursos para comprovar a inocência do réu, porque este confessou o crime, portanto, se travam tão somente de recursos protelatórios. Se alguém me provar que uma pessoa pobre, na mesma situação, ficou todo esse tempo zombando da JUSTIÇA (da verdadeira) devido a tantos recursos, sinceramente, eu deixo para sempre o a advocacia para ver se encontro o verdadeiro DIREITO, porque não existe direito neste caso.
UM POBRE FICARIA 11 ANOS, RESPONDENDO EM LIBERDADE, SE A SITUAÇÃO FOSSE A MESMA?
Eu era contra a “PEC dos recursos” porque inicialmente eu entendia – equivocadamente – que seria uma “relativação” da coisa julgada (abomino tal ideia, haja vista que a coisa julgada é um direito é uma garantia fundamental), mas depois que compreendi o verdadeiro espírito dessa PEC, mudei completamente de opinião.

CAMINHANDO NA CONTRA-MÃO

Fernando José Gonçalves (Advogado Sócio de Escritório)

Aliás, Dr. Wagner, não se pune ninguém aqui apenas com a confissão, nem com um robusto conjunto probatório, nem com a materialidade e autoria confirmadas, nem com um filme do crime, nem com nada. No Brasil, simplesmente não se pune. Portanto, as vezes é bem melhor pensar com o fígado (de preferência bem 'mamado') a ter de ouvir baboseiras que diferem de todo o resto do mundo civilizado. Só o Brasil está certo em sua política criminal. Só o Brasil sabe cuidar dos acusados e só o Brasil está nessa m.... e dela não haverá de sair enquanto uns pensarem com o intestino.

Será?

Wagner M. Martins (Advogado Sócio de Escritório - Criminal)

Não se pune apenas pelo conhecimento da autoria. Quem precisa de criminalistas na defesa, nem sempre são os que pagam regiamente. Não se pode entender "justiça" com o fígado.

SERÁ QUE FOI ELE MESMO QUE MATOU ?

Fernando José Gonçalves (Advogado Sócio de Escritório)

Claro, não havia ainda a certeza da culpabilidade de P. Neves. Afinal, não é simplesmente porque atirou na amante,sem motivo nenhum, de forma premeditada e pelas costas, em plena luz do dia e na presença de várias pessoas , inclusive dos próprios genitores da moça; ter sido preso em flagrante e se declarado culpado, que disso se pudesse inferir ser ele um homicida. Daí a necessidade de 12 anos de processo para se ter a certeza de que realmente fora o autor e não um sósia seu. Nesse tempo todo, como não morreu de velhice ou doença, (o que se supunha e se esperava, a fim de que não cumprisse a pena), apesar da idade avançada, não restou outra alternativa a 'justiça' senão mandá-lo para a prisão, da qual sairá em menos de dois anos (isso numa probabilidade bastante pessimista). Se isso significa 'justiça', precisamos redescobrir o seu significado.

É um equivoco uma ótica que não se atualizou

José Carlos Guimarães (Jornalista)

Com efeito, o entendimento originário a que se refere o ilustre criminalista, perdeu sua identidade com o tempo. “Justiça atrasada não é justiça” não pode guardar o mesmo sentido nos dias atuais, quando o que campeia é a impunidade em todos os níveis. A sociedade muda, os crimes os valores, a tecnologia - tudo enfim, tem novos contornos. Não podemos manter a mesma leniencia quando os crimes se mostram cada vez mais graves com penas mais brandas.Nossa legislação se presta mais ao discurso e pouco a efetividade que poderia gerar algum resultado prático.
Sem querer ofender ninguém, os criminalistas são regiamente pagos para defender pessoas sabidamante culpadas - e não tem o menor escrupulo em fazê-lo.
No meu entender, o profissionalismo tem limites morais e éticos. Mas...

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