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Cobrança legítima

Advogado não consegue anular taxa de vistoria

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A municipalidade, com seu poder de polícia, tem o direito de cobrar taxa de vistoria dos escritórios de advocacia, mesmo que não exerça a fiscalização. A cobrança atinge o estabelecimento, e não o profissional. A conclusão é do desembargador Carlos Eduardo Zietlow Duro, da 22ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, ao negar o recurso de um advogado que se insurgiu contra decisão de primeiro grau que reconheceu como legítima a cobrança da Taxa de Vistoria Anual pela prefeitura de Agudo (RS). 

O autor da ação argumentou, na sua apelação ao TJ-RS, que a sentença contrariou a prova produzida nos autos. Segundo ele, restou configurada a bitributação, tendo em vista que seu filho está sendo executado pela mesma Taxa de Vistoria Anual, atinente ao mesmo exercício e ao mesmo escritório.

O desembargador Carlos Eduardo afirmou que a atividade fiscalizatória, de fato, não se dá sobre o profissional, mas sim sobre o estabelecimento onde é desempenhada a atividade. No entanto, o autor da apelação não consegui comprovar que ele e seu filho trabalham juntos, como advogados, no mesmo endereço. Assim, se o filho trabalha numa sala distinta, embora no mesmo prédio, isso se constitui em fato gerador da Taxa de Vistoria Anual, devendo ser tributado.

Com base na lei e na jurisprudência de tribunais superiores e do próprio Tribunal gaúcho, o desembargador julgou o recurso improcedente. Segundo ele, o Supremo Tribunal Federal já proclamou a constitucionalidade de taxas, anualmente renováveis, pelo exercício do poder de polícia, e se a base de cálculo não agredir o Código Tributário Nacional (CTN). Também ressaltou ser desnecessária a prova da efetiva fiscalização, sendo suficiente sua potencial existência. ‘‘A Taxa de Vistoria é tributo direto, periódico e rotineiro, vencido anualmente, aplicando-se, portanto, o artigo 169 do Código Tributário Municipal de Agudo-RS’’, afirmou.

O desembargador disse, ainda, que a taxa possui regramento nos artigos 102 e 104 do Código de Agudo (RS). O artigo 102 diz expressamente que ‘‘a hipótese da incidência da Taxa é o prévio exame e fiscalização, dentro do território do Município, das condições da localização e segurança, bem como de res­peito à ordem, aos costumes, à tranquilidade pública, à propriedade, aos direitos individuais e coletivos e à  legislação urbanística a que se submete qualquer pessoa física ou jurídica que pretenda: realizar obra, veicular publicidade em vias e logradouros públicos, em locais dele visíveis ou de acesso público; localizar e fazer funcionar estabelecimento comercial, industrial, prestador de serviços (...)’’.

Clique aqui para ler o acórdão.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico no Rio Grande do Sul.

Revista Consultor Jurídico, 6 de junho de 2011, 8h47

Comentários de leitores

2 comentários

Cúmulo do absurdo

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

A taxa tem como fato gerador a vistoria. Entretanto, como se trata de um escritório de advocacia, que não pode ser vistoriado pela Municipalidade, mesmo assim a taxa é devida, ainda que o fato gerador não tenha ocorrido. É o mesmo que pessoa chegar em um restaurante, ser proibido de comer, e mesmo assim restar obrigado a pagar o que deveria ter comido.

Taxa de vistoria em escritorio de advocacia

ACUSO (Advogado Autônomo - Dano Moral)

O municipio pode ter o poder de policia para certas condutas que o judiciario entende que tem; só não possui ( esse mesmo municipio) autorização legal para promover vistoria nenhuma em escritorio de advogado, porque não há lei que lhe dê tantos poderes. Só a OAB ( que nesses casos permanece inerte) é quem tem poderes para vistoriar tais escritorios. Quando o judiciario autoriza municipio a taxar o exercicio da advocacia, demonstra que seus juizes ( enquanto estão na ativa) detestam advogados. Quando se aposentam querem direitos que não reconheceram quando estiveram na ativa. Viva o Brasil !

Comentários encerrados em 14/06/2011.
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