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Preço do silêncio

Ex-senador pagou para abafar caso extraconjugal

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Um grande júri federal de Raleigh, Carolina do Norte, aceitou, na manhã desta sexta-feira (3/6), seis acusações contra o ex-senador democrata John Edwards, por ter gasto mais de US$ 900 mil de fundos de campanha, em 2008, para esconder que tinha uma relação extraconjugal e assim abafar potenciais escândalos. Edwards é uma dos principais nomes do Partido Democrata, tendo participado das eleições primárias para concorrer à presidência do país em 2004 e 2008. Ainda em 2004, ele concorreu como candidato à vice-presidência na chapa do senador John Kerry.

As acusações apresentadas pela promotoria, fruto de uma investigação de dois anos, incluem conspiração, contribuições ilegais de campanha e falso testemunho. O promotor-geral adjunto Lanny Breur declarou, por meio de um breve comunicado público, que Edwards é acusado por aceitar quase US$ 1 milhão para encobrir fatos que pudessem prejudicar sua candidatura em 2008.

Agora o processo vai a júri popular pela Justiça Federal. De acordo com a acusação [leia aqui em inglês], mais de 100 testemunhas serão convocadas. Ainda segundo a promotoria, centenas de milhares de dólares foram recebidos por meio de doações ilegais, não declaradas, para que o senador montasse uma rede de isolamento em torno de sua amante, Rielle Hunter, a fim de que o caso não viesse a público e arruinasse as chances de se eleger candidato. A investigação de dois anos foi liderada pelo agente especial do FBI Chris Briese, que chefia as operações da agência na Carolina do Norte. Um porta-voz de John Edwards declarou à agência Associated Press que o ex-senador desconhecia os recursos depositados em sua conta e não fez uso da quantia.

As investigações foram deflagradas depois que o tablóide sensacionalista National Inquirer flagrou Edwards, em 2007, saindo de um hotel em Beverly Hills na companhia de sua ex-assistente de campanha, Rielle Hunter. As acusações de que Edwards teria usado recursos ilegais para abafar o caso não tardaram, e o próprio político admitiu que isso pudesse ter ocorrido, mas sem seu conhecimento. Edwards desde então afirma que "a rede de silêncio foi articulada na sombra, pelos interessados em sua eleição”. Edwards também era acusado de ser o pai do filho que Hunter esperava na época.

Os advogados do ex-senador, frente as acusações, declararam que o dinheiro foi presente de simpatizantes, que queriam manter a história longe de sua esposa, que morreu de câncer em dezembro de 2010. Segundo eles, os recursos são legais e não correspondem a fundos de campanha.

De acordo com a acusação, o dinheiro foi usado para comprar o silêncio de testemunhas, em negociações feitas durante inúmeras viagens e encontros geralmente realizados em hotéis e restaurantes de luxo.

Analistas avaliam que se John Edwards assumir a culpa, ele deve negociar a sua pena e assim dificilmente será preso. Edwards é advogado de formação. De acordo com a rede televisiva ABC, ele se preparava para voltar a exercer a advocacia. Porém ,na Carolina do Norte, estado onde ele é licenciado, se for declarado culpado, ele deve ter sua licença suspensa pela Ordem de Advogados local.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 3 de junho de 2011, 13h39

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