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caixa preta

Imprensa não pode ver condições dos presídios paulistas

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A imprensa vai continuar fora das prisões paulistas por um bom tempo. A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP-SP) do estado reafirmou nesta quarta-feira (27/7) que não vai permitir que jornalistas acompanhem os mutirões carcerários do CNJ nas inspeções a penitenciárias.

Os mutirões, que percorrem todos os estados do Brasil, analisam a situação dos condenados à prisão do país. Veem, por exemplo, se eles estão detidos no regime certo, ou se estão cumprindo pena dentro do que foi estabelecido na execução.Parte do mutirão é visitar presídios e analisar suas condições, registrar queixas de servidores, agentes penitenciários e,principalmente, dos presos.

Em visita à etapa paulista do mutirão, cuja sede é o Fórum Criminal Central da Barra Funda, o secretário de Administração Penitenciária de São Paulo, Lourival Gomes, disse que “não deixa e nem vou deixar” a imprensa entrar em presídios no estado. Não quis abrir seus motivos, afirmou apenas que era “por uma questão de sensibilidade”.

O coordenador nacional do mutirão carcerário, o juiz Luciano Losekann, também não entende exatamente quais são as razões do governo estadual. Ele aproveitou a visita do secretário para pedir, mais uma vez, que os jornalistas possam acompanhar o CNJ nas visitas às prisões. Sem sucesso. Segundo Losekann, o secretário Gomes reclamou que a imprensa é “pouco compreensiva” com as razões do governo estadual e suas políticas. “Mas sou da opinião de que quem não deve, não teme”, provoca o juiz, ao contar que nenhum outro estado adotou tal medida.

Esmar Filho, um dos juízes convocados pelo CNJ para visitar os presídios, concorda com Losekann. Filho acha a posição da SAP “inadmissível”. Em suas posições, é claro: “não se cabe esconder o que é da administração do Estado. A coisa pública não é caixa preta”. De qualquer foma, à assessoria de imprensa do CNJ, não há restrições de entrada em presídios.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 27 de julho de 2011, 19h11

Comentários de leitores

5 comentários

Desvio de Objetivo

Leonardo A. Innocente (Investigador)

Incompatível e desnecessária a presença da imprensa nas partes físicas das instalações dos presídios, quando o objetivo, obviamente,só serviria para "estrelar" os partícipes. O que se busca, não pode sofrer "desvio de finalidade". Para saber os resultados da "correição" das situações, é questão, apenas, de leitura, não de exposição de pessoas, nem das condições em que vivem. Até porque, é hora de trabalhar na finalidade determinada, e não de polemizar com situações visuais dissonantes. Não existe, senão para atrapalhar... essa interferência indevida e destrutiva,mirada fora do alcance dos holofotes.

Será mesmo?

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Ora, se a imprensa realmente quisesse acompanhar os trabalhos do CNJ não bastaria mais do que uma petição de duas páginas para que qualquer juiz deferisse a presença da imprensa. Mas vale a pergunta: será que a imprensa quer mesmo estar presente e mostrar fatos que interessam à sociedade e contraria os interesses de um dos maiores anunciantes em veículos publicitários?

Receio do óbvio.

Quinto ano na Anhanguera-Uniban Vila Mariana. (Estudante de Direito - Criminal)

Ora, se não quer mostrar, é porque certamente poderiam ver coisas, fatos e sabe-se lá mais o quê, que provocaria revolta e inconformismo da sociedade, e principalmente, explicaria alguns dos motivos que fazem a maioria dos presos que saem dos presídios paulistas virarem monstros.
Por que o MM. JUIZ não dá uma ORDEM para que a imprensa possa acompanhar o mutirão? Ordem judicial não se discute; se cumpre, e se não gostar, depois se recorre.

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