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Plenário virtual

TJ-SP pretende julgar recursos reservadamente

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O Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo se prepara para aprovar o julgamento de alguns recursos em uma espécie de Plenário Virtual, como já ocorre no TJ do Rio e no reconhecimento de repercussão geral de pedidos feitos no Supremo Tribunal Federal. O modelo permitiria a tomada de decisão sem que para isso fosse preciso realizar sessões públicas. O julgamento aconteceria com a troca de informações entre os desembargadores integrantes da turma julgadora, cada um em seu gabinete. O relator prepararia uma proposta de acórdão e a submeteria aos colegas.

A proposta chegou a entrar na pauta da última sessão administrativa do colegiado, mas o presidente da corte paulista, desembargador José Roberto Bedran, retirou o caso da lista. O argumento usado por Bedran foi que havia participado de uma reunião na sede da Associação dos Advogados de São Paulo (Aasp) e a entidade pediu prazo para se posicionar favorável à ideia.

A nova regra pode incluir o julgamento de agravos regimentais e embargos de declaração. Agravos são usados para contestar despachos paralelos à discussão de mérito, inclusive liminares. Também servem para questionar, em órgãos colegiados, decisões tomadas monocraticamente, pelo relator do caso. Embargos são impetrados para resolver contradições, omissões ou obscuridades nas decisões judiciais. 

A proposta ainda pode ser ampliada para incluir outros recursos, como apelações, desde que não ocorra nenhuma manifestação das partes. Desembargadores entendem que alguns recursos não têm qualquer razoabilidade e envolvem questões já julgadas, com decisões já consolidadas pela corte paulista.

Na prática, esse tipo de julgamento já acontece na maioria das câmaras, que não se detêm sobre processos em que as partes não estão presentes. A novidade é que a regra passaria a ser oficializada e reduziria o trabalho de funcionários, de cartórios e a publicação, com todas as suas formalidades, de pautas extensas de julgamentos, que em alguns casos beiras os mil processos.

A proposta já foi anunciada à seccional paulista da OAB, e recebeu sinal verde. A Aaasp apenas pediu que o teor da nova regra seja discutido pela diretoria da entidade.

No Rio, o julgamento virtual, num modelo parecido como o que pretende a corte paulista, vem sendo questionada pela OAB do estado. A entidade alega que o julgamento viola o princípio da publicidade e prejudica o direito de defesa.

 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 17 de julho de 2011, 9h59

Comentários de leitores

4 comentários

Vale quase tudo??

Orlando Maluf (Advogado Sócio de Escritório)

É dificil aceitar que a OAB tenha apoiado tal providencia. Na melhor das hipóteses, continua-se a encontrar "soluções" para os problemas do Judiciario ceifando-se direitos elementares impregnados na Constituição e no sistema processual.Começa-se sempre desta forma: escolhe-se o que "não é importante", veda-se a presença da cidadania e dos advogados e aí as decisões são produzidas rapidamente, com a quela magnífica qualidade que todos almejam.

E a chamada "pela ordem"?

Luiz Gustavo Guazzelli (Advogado Sócio de Escritório - Criminal)

Sem nem adentrarmos a esfera das garantias da "ampla defesa" e "contraditório", bem como princípios como o "devido processo legal"...mas em uma ingênua interpretação eu questiono: E COMO FICA O LÍDIMO DIREITO DA CLASSE ADVOCATÍCIA POSITIVADO NO ARTIGO 7º, X, DA LEI FEDERAL 8.906/1994, ORA "ESTATUTO DA ADVOCACIA E DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL"?
Como dito, não estou questionando a questionável constitucionalidade destes plenários virtuais, mas sim observando, tão somente, a obediência a um direito consagrado em Estatuto de Classe previsto no ordenamento jurídico.
Imaginemos que algum Agravo ou Embargos pontue determinado assunto que leve ao surgimento de dúvida/equívoco na sessão de julgamento, como ficaria observado este direito?
Acredito, inclusive, que isto poderia acarretar em mais embargos de declaração sobre os embargos anteriormente oferecidos.
"Data maxima venia" aos que pensam de maneira diversa, esta é minha humilde opinião.

E o direito à publicidade e ampla defesa?

Carmen Patrícia C. Nogueira (Advogado Autônomo)

Apenas pergunto:
Como fica o direito à publicidade e ampla defesa?
Entendo que, conforme jurisprudência do STJ, julgamento de apelação e sem a intimação dos advogados é nula.
O advogado tem o direito constitucional de ser intimado e participar dos julgamentos dos recursos de apelação.
Imagine-se, por exemplo, se o advogado quiser fazer sustentação oral, e o recurso for julgado sem a sua intimação.
Neste sentido, concordo com a posição adotada pela OAB do RJ, e com a jurisprudência do STJ, da obrigatoriedade da intimação do advogado para acompanhar o julgamento do recurso de apelação.

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