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Flip para leigos

A Flip de um ponto de vista não-literário

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Freqüentador de Paraty há muitos anos, não tenho perdido as últimas Flips. No início, mais pra curtir a grande festa que toma conta da cidade. Gente de diversos cantos do país e do mundo chega ali e, sobretudo os novos visitantes, encantam-se com a graça da cidade. Uma arquitetura colonial, com calçamento de pedras nas ruas e casas coloridas. Gente com roupas de inverno coloridas e sorrisos pra todos os lados. No cais, uma centena de barquinhos coloridos pra fazer passeios às infinitas ilhotas. Esse o clima, o astral. Faz frio, mas funciona como que para aproximar as pessoas.

Esta última Festa Literária (mudar o nome não tira a qualidade do evento) teve alguns momentos de grande inspiração e outros de repulsa. Para mim, a sua grande marca foi a inspirada manifestação do angolano walter hugo mãe (tudo minúsculo, como ele assim deseja). Sua fala emocionou, contagiou e fez toda a gente aplaudir e não poucos a chorar. Por quê? A expressão carinhosa e humana da fala, relembrando a infância em Portugal, quando o escritor luso veio a conhecer em carne e osso uma família brasileira, pois das novelas já conhecia a nossa gente, deu o tom, como ele mesmo disse, de que a arte pode fazer o Homem melhor, mais solidário e carinhoso. Ponto alto da Festa!

Diferente, muito diferente, foi o evento protagonizado pelo cineasta e escritor Claude Lanzmann. Este eu vi na Tenda dos Artistas, ou seja, ao vivo e em cores. O outro foi no telão. Como judeu, estava, obviamente, interessado em conhecer e ouvir este grande homem que lutou contra o nazismo e nos legou uma grande obra sobre o holocausto. Uma decepção. A grosseria do convidado estrangeiro para com o gentilíssimo mediador, Seligmann-Silva, foi tanta que causou um enorme malestar em todos na platéia. Pior é que de interessante o convidado não disse nada, ou mito pouco. Ponto para walter mãe que, com sua delicadeza, mostrou uma grandeza incrível.

Mas, deixando de lado egos inflados, uma das mesas mais interessantes foi a protagonizada por Miguel Nicolelis e Luiz Felipe Pondé, ambos palmeirenses (uma lástima!). Debate de alto nível entre o neurocientísta e o filósofo. Ponto pra platéia que se deleitou com a grandeza da reflexão do último e o otimismo do primeiro. Sim, apesar de todas as angustias, é possível melhorar a humanidade. Um projeto utópico, mas que nos põe eternamente em marcha.

Há eventos complementares como a exposição de fotos feita pelo grande fotógrafo Eduardo Muylaert, antigo criminalista (rsrs).

Em razão de compromissos familiares, não pude ficar até o fim da Festa. Perdi. De qualquer modo, assim que começarem a vender os ingressos para a próxima, vou correndo entrar no site para comprar os ingressos. 

 é advogado, professor de Direito Penal da PUC-SP e doutor em Direito Penal pela USP

Revista Consultor Jurídico, 13 de julho de 2011, 11h49

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