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Morte acidental

Júri da Flórida inocenta mãe acusada de matar filha

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O final de semana prolongado nos Estados Unidos, em razão do feriado de 4 de Julho, não interrompeu as atividades do tribunal da Flórida que julgou o caso de Casey Anthony, a mãe acusada de ter matado a filha de 2 anos, em 2008, naquele estado. Depois de um julgamento que moblizou o país durante todo o final de semana, o júri inocentou Casey Anthony das acusações relacionadas ao assassinato de sua filha. Ela foi condenada apenas por prestar falsas informações às autoridades. Os jurados afirmaram, perante o juiz, estarem convencidos de que a criança morreu acidentalmente afogada. A Promotoria recomendou a pena de morte. A ré alegou inocência.

Como ocorre em casos de forte apelo emocional, a imprensa norte-americana transformou o julgamento em espetáculo midiático com direito à transmissão ao vivo da audiência, demonstrações de comoção popular e horas de discussão do assunto por comentaristas na TV. Na quinta-feira (30/6), a defesa da ré encerrou a apresentação dos argumentos para o júri e o juiz. A fala dos promotores durou toda a sexta-feira (1º/7). No sábado, defesa e acusação apresentaram os argumentos finais. Nesta segunda (4/7), enquanto grande parte dos americanos desfrutava do feriado do Dia da Independência, o júri começou a deliberar sobre o caso, mas não conseguiu chegar a nenhuma decisão. Reunidos novamente nesta terça (5/7), em Orlando, Flórida, os jurados anunciaram a decisão por volta das 2h15 da tarde (horário de Nova York, 3h15, no Brasil).

Casey Anthony foi acusada de sete crimes diferentes relacionados a abuso de menor de idade, homicídio em primeiro grau e de prejudicar a investigação que a Polícia conduzia sobre a morte de Caylee, sua filha, há quase três anos. Os promotores alegaram que, além de cometer o crime, a ré demonstrou frieza e crueldade ao executá-lo. Depois de sufocar a filha com uma fita adesiva e circular com o corpo da criança, por dias, no porta-malas do carro, ela teria, de acordo com os promotores, jogado o cadáver em uma mata próxima de onde morava em Orlando. A promotora Linda Drane Burdick disse ainda que Casey Anthony usou clorofórmio para anestesiar a filha antes de sufocá-la.

A ré inicialmente contou às autoridades que a filha havia sido sequestrada pela babá. Quando o cadáver foi encontrado, em dezembro de 2008, depois de mais de cinco meses do paradeiro de Caylee, Casey Anthony então revelou que a filha havia morrido acidentalmente, por afogamento, na piscina da casa dos avós. O advogado de ré partiu daí para sustentar a defesa. Argumentou que Anthony entrou em pânico, acabou ocultando o corpo da filha e se contradizendo ao tecer uma rede de mentiras. Contudo, ela não havia matado Caylee, insistiu a defesa.

O caso foi julgado pela Corte Estadual de Justiça do Condado de Orange, Flórida. Depois de 10 horas de deliberações somente nesta terça-feira (foram seis horas de discussões e impasse na segunda), o júri anunciou ter chegado a uma decisão. Formado por sete mulheres e cinco homens, o corpo de jurados foi selecionado em Tampa Bay, também na Flórida, e não em Orlando, por conta da implacável pré-cobertura que a mídia fez do caso antes do julgamento. A imprensa chegou a fazer um cerco aos potenciais candidatos durante as entrevistas feitas pelo tribunal, o que levou ao juiz a optar por selecionar o júri fora dos limites da cidade. O julgamento durou seis semanas.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 5 de julho de 2011, 16h05

Comentários de leitores

2 comentários

Situação semelhante a do caso Isabela

andreluizg (Advogado Autônomo - Tributária)

Lá realmente há melhor possibilidade de defesa nos tribunais do júri, ou seja, a defesa realmente tem chance de mudar a convicção dos jurados. Resultado que seria impossível no Brasil.
É importante lembrar que a deliberação dos jurados nos EUA tem de ser unânime, ou seja, ou é inocente ou culpada. Aqui, de acordo com o sistema de votação, vence a maioria. O revés disso, é que muitas vezes, principalmente nos casos contaminados pela opinião pública, somado ao ao sentimento de impunidade que assola nosso país, o réu quase sempre é condenado.
De toda forma, nosso sistema precisa novamente ser revisto, pois nos casos submetidos ao Tribunal do Júri, é sabido que uma vez pronunciado as chances de ser absolvido são mínimas ou remotas... E se é pobre não se consegue um advogado bom, e se é rico o caso atrai repercussão e também é condenado.

País democrático

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Dá gosto ver como o Judiciário funciona em países democráticos. Veja-se que foram seis semanas de julgamento, quando aqui em casos semelhantes tudo é resolvido em 6 horas e a decisão final nada tem a ver com provas, conduta, ou outras circunstância que seriam relevantes. Fosse aqui, o resultado seria marcado pelo julgamento já realizado pela opinião pública.

Comentários encerrados em 13/07/2011.
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