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Banco Santos

Edemar Ferreira é despejado de casa do Morumbi

O ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira, que controlava o Banco Santos, foi despejado da casa em que morava no Morumbi, na zona sul de São Paulo. Ele deixou de pagar o aluguel mensal de R$ 20 mil desde 2004. A dívida já alcançara R$ 1,7 milhão. Edemar estava na casa por volta das 11h nesta qunta-feira (20/1) e recebeu Vânio Aguiar, o administrador judicial da massa falida do banco, e um oficial de Justiça, de acordo com notícia do jornal Folha de S. Paulo.

O ex-banqueiro foi um dos mais importantes mecenas do país no final do século passado e ficou famoso pelas exposições que realizou na Bienal, como a "Brasil 500 Anos", apanhado da arte brasileira desde a chegada de Cabral, em 1500.

Edemar tinha uma coleção de arte avaliada entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões. Algumas das obras mais caras foram enviadas para fora do país com a quebra do banco, mas acabaram recuperadas pelo FBI (a Polícia Federal dos Estados Unidos). Parte da coleção continua na casa. Entre outros artistas, Edemar tem telas do americano Frank Stella e do alemão Anselm Kiefer e esculturas dos brasileiros Brecheret e Tunga.

Após a quebra do Banco Santos, em novembro de 2004, Edemar foi condenado a 21 anos de prisão por crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Ele, que recorre em liberdade, nega ter praticado os crimes e diz que o banco não estava quebrado quando sofreu intervenção do Banco Central. O rombo, segundo o Banco Central, era de R$ 2,5 bilhões.

Segundo Vânio Aguiar, ele tentou reverter a ordem de despejo até o último momento e não retirara nem roupas nem objetos pessoais da casa. Edemar contou a Aguiar que ele e a mulher, Marcia Cid Ferreira, estavam de mudança para um flat. A ordem de despejo foi dada pelo juiz Régis Rodrigues Bonvicino, da 1ª Vara Cível de Pinheiros, a pedido da massa falida do Banco Santos. A casa pertence à Atalanta, empresa criada pelo próprio Edemar, mas que foi retirada do seu controle.

Bonvicino determinou o despejo, o pagamento da dívida e a permanência dos e todos os bens no imóvel. O imóvel e as obras passam para a massa falida, ordenou o juiz, e devem ser vendidos "para satisfazer credores".

O juiz escreveu na decisão que Edemar e a mulher "não têm qualquer direito líquido e certo de permanecer no bem, porque possui ao menos duas outras residências, estando descaracterizado o conceito de bem de família para uma mansão de 4 mil metros quadrados de área construída e terreno de 8 mil metros quadrados".

Projetada pelo arquiteto Ruy Ohtake, a casa com a fachada de concreto aparente custou R$ 142,7 milhões, de acordo com documentos contábeis de Edemar revelados pela Folha em 2005.

A mesa de mogno da sala de jantar, para 20 pessoas, consumiu US$ 390 mil (R$ 652 mil). Uma luminária do alemão Ingo Maurer custou 262,5 mil euros (R$ 592 mil).

A decoração da casa foi feita pelo arquiteto norte-americano Peter Marino, que assina as lojas da Channel.

A Folha procurou o advogado de Edemar, Luis Corvo, em seu escritório, mas ele não ligou de volta.

Revista Consultor Jurídico, 20 de janeiro de 2011, 22h06

Comentários de leitores

4 comentários

falencia / fraude

ademir adv, (Advogado Autônomo - Civil)

infelizmente este caso do Banco Santos vai no mesmo caminho de tantos outros, assim como Coroa Bratel, Banco Haspa, Nagi Nahas, corretora Vetor, esta ultima, alem de dar um tombo no mercado financeiro, não quitou os débitos trabalhista com seus funcionários e ainda pleitea indenização junto ao Banco Central.

JUSTIÇA BRANDA!

Cláudio João (Outros - Empresarial)

Se fosse em outro país, estaria preso. Assim ocorreu, mutatis mutandis, recentemente, com Madoff, no EUA. E outros escroques, como o quebrou o banco Barings na Inglaterra. No entanto, o distinto cavalheiro, recorre da sentença, em liberdade, numa casa de 4000 m2, que não lhe pertence. E, certamente, após tramitar por duas décadas, concluiremos que o banco Central errou, tendo de ser devolvido alguns bilhões de reais ao indigitado. Somente no Brasil!

longo despejo...

andreluizg (Advogado Autônomo - Tributária)

A alteração da lei de locações não foi suficiente (seis anos sem pagar aluguel)... E alguém acha que o cidadão vai viver sem luxo? Além de ter que melhorarmos ainda mais a lei de locações, com instrumentos que protejam mais o locador em relação ao locatário inadimplente, precisamos aperfeiçoar a legislação das fraudes contra credores e à execução. É muito comum empresas falirem, e seus proprietários que "ganhavam" um salário mínimo como pró-labore continuar com o alto padrão de vida. Pois pouco se pune quem é conivente com os devedores, emprestando o nome para simular negócios e bens. Deveríamos punir severamente, cível e criminal, os condescendentes com o esbulho irresponsável do patrimônio alheio.

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