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O peso do diploma

Clarence Thomas é tratado com indiferença em Yale

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Mais uma vez o juiz Clarence Thomas, da Suprema Corte dos Estados Unidos, provocou controvérsia por onde passou. Desta vez, contudo, pelo silêncio e indiferença em relação a sua presença ao visitar a faculdade onde se formou, a Escola de Direito da Universidade Yale, alma mater do juiz.

Diferente do que geralmente ocorre quando um membro da Suprema Corte visita o campus de Yale, com direito a pronunciamentos, boas-vindas, eventos públicos e programação especial, a breve visita do juiz Clarence Thomas, ocorrida nesta semana, foi recebida com uma eloquente indiferença, o que acabou virando notícia em todo o país. A rusga entre a instituição e o notório ex-aluno é antiga. Thomas já chegou a escrever que o diploma de graduação em Direito de Yale, para ele, vale apenas 15 centavos.

De acordo com as publicações The National Law Journal e Legal Times, a visita de Thomas ao campus da universidade em New Haven, Connecticut, feita na quarta-feira (14/12), sequer foi mencionada no website da instituição. O juiz foi a Yale para conhecer a sede local da Sociedade Federalista e fazer uma visita de cortesia à Associação de Estudantes Negros da universidade. De acordo com o The National Law Journal, não ocorreu a realização de nenhum evento público ou solenidade por conta da presença de Clarence Thomas no campus.

Hostilidade e controvérsia não são reações incomuns provocadas pela passagem do juiz Thomas, sobretudo em ambientes acadêmicos e mesmo no seu estado natal, a Geórgia. Expoente conservador da alta corte, Thomas é criticado, por grupos de militância dos direitos dos negros, principalmente por se opor à política de ações afirmativas, como cotas raciais em instituições de ensino.

Porém, com Yale, a história é ainda mais antiga. Em sua autobiografia, My Grandfather's Son (O filho de meu avô) o juiz descreveu que vivenciou uma forma mais sutil de racismo quando estudou na instituição, distinta do modelo de segregação mais comum na região sul, de onde é natural. Thomas contou também em sua autobiografia que constatou, na época, como a política de cotas raciais favorece maus alunos, colocando nas universidades candidatos 'menos merecedores' de estar ali. Por essa razão, Thomas afirma, no livro, que guarda o diploma no porão de sua casa e que ainda colou na moldura uma etiqueta de preço de cigarro no valor de 15 centavos.

O juiz Clarence Thomas formou-se em 1974 na Escola de Direito da Universidade Yale. My Grandfather´s son foi lançado em 2007. "Se você é um graduado famoso de uma prestigiada faculdade de Direito, a qual você menospreza publicamente, você ainda assim espera ser recebido de braços abertos?", ironizou o blogueiro Sam Favate, do Law Blog, do The Wall Street Journal.

"Pode ser um primeiro passo em direção a um relacionamento melhor com sua antiga faculdade", avaliou a visita ao campus o The New York Times, mais otimista.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 18 de dezembro de 2011, 7h35

Comentários de leitores

1 comentário

Manifestação e liberdade de pensamento

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Em países democráticos é assim, se o sujeito cuspe no prato que comeu ninguém vai ficar com bajulações. Fosse aqui, haveria um verdadeiro esquadrão de puxa sacos de plantão para bajulá-lo a qualquer custo.

Comentários encerrados em 26/12/2011.
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