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Probabilidade baixa

Chance de servidor ser condenado por corrupção é de 3%

Um estudo de dois pesquisadores do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP) aponta que é de 3% a probabilidade de um servidor público vir a ser condenado por crime de corrupção no Brasil. As informações são de reportagem de Débora Santos, publicada neste domingo (4/12) no site G1.

Intitulado "Corrupção e Judiciário: a (in)eficácia do sistema judicial no combate à corrupção", o estudo foi publicado na edição de novembro da revista norte-americana Law and Business Review of the America.

Os pesquisadores Carlos Higino e Ivo Gico Júnior analisaram a trajetória de 687 servidores demitidos em 25 ministérios e na Presidência da República no período de 1993 a 2005. Desses, 441 foram dispensados após responderem a processo administrativo interno por suspeita de corrupção ou irregularidades ligadas a esse crime.

Dentre os 441, foram denunciados à Justiça 224 servidores, dos quais 150 passaram a responder ação penal por corrupção.

Dos 150 processados criminalmente, 45 tiveram condenação em alguma instância e, ao final do processo, 14 foram condenados em definitivo, isto é, após esgotadas as possibilidades de recurso.

O coordenador da pesquisa e secretário de Transparência e Controle do governo do Distrito Federal, Carlos Higino, afirmou que o objetivo era retratar em números "uma realidade que o senso comum já confirmava”.

Ele conta que a expectativa inicial era encontrar um número maior de condenações em razão de o levantamento ter sido feito em uma amostra formada apenas por servidores demitidos em processos administrativos, ou seja, que já tinham sido responsabilizados em algum nível.

"Isso é assustador. As pessoas vêem que os corruptos não são punidos por seus crimes. A gente esperava que fosse grande o número de condenações porque são casos em que há provas muitos fortes. Mas não há condenação, mesmo havendo a elevadíssima certeza da prática da corrupção”, disse Higino.

Ineficiência
A principal conclusão dos pesquisadores é que a ineficiência da Justiça e a sensação de impunidade são um “grande incentivo” à corrupção no Brasil.

“A evidência empírica permite indicar que a certeza de ser processado pode produzir um forte efeito de dissuasão, assim como a severidade da punição, quando as pessoas são realmente processadas”, afirmou a pesquisa.

Apesar de não fazer parte dos objetivos do levantamento, o coordenador aponta como uma das principais causas da baixa efetividade da Justiça a demora nos processos que tratam de corrupção.

“Grande parte dos problemas está no processo, que é muito demorado, lento ineficaz. O sistema judicial brasileiro não está preparado para combater a corrupção. Os processos não chegam a cabo, os acusados não são presos ou não têm que devolver o dinheiro”, avaliou.

Entrevistado pelo G1, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, também admitiu as dificuldades da Justiça em efetivar as penas nos casos de corrupção. Para ele, o excesso de recursos permitidos pelo sistema judicial brasileiro favorece a impunidade.

“Um sistema com recursos infindáveis – sempre cabe mais um recurso – acaba prolongando de tal forma a ação penal que, quando se chega – e por muitas vezes não se chega – a uma decisão definitiva, a prescrição já se consumou. Pesquisas desse tipo são importantes para provocar até um choque nas instituições que precisam trabalhar muito para mudar isso”, disse Gurgel.

De acordo com o procurador, é preciso melhorar a comunicação entre as instituições de controle e os órgãos do governo. Segundo ele, em alguns casos o processo administrativo que identifica a irregularidade não chega ao conhecimento do Ministério Público.

“É um complexo de causas que leva a isso. Nosso sistema processual, essa deficiência de comunicação entre as instituições do Estado e há também uma resistência ao processo neste tipo de caso [corrupção]. As dificuldades são maiores do que no caso de um batedor de carteira”, afirmou.
 

Revista Consultor Jurídico, 4 de dezembro de 2011, 12h34

Comentários de leitores

5 comentários

ISSO TEM NOME

Fernando José Gonçalves (Advogado Sócio de Escritório)

E esse "complexo de causas" tem um nome: SACANAGEM. Quem vai querer mudar um sistema absolutamente falho, inerte, sem objetivo, em seu próprio desfavor ? RESPOSTA: NINGUÉM DO LEGISLATIVO, NINGUÉM DO JUDICIÁRIO E NINGUÉM DO P. EXECUTIVO. Falar em "sensação de impunidade" já não mais corresponde a realidade. HOJE NÃO É MAIS PURA SENSAÇÃO, É IMPUNIDADE TOTAL, MESMO.

"filigrana jurídica"

cler (Consultor)

Realmente adorei a expressão "filigrana jurídica" que, traduziria para "política do avestruz", aliás, literalmente. Passa uma boiada, mas seguram um bezerro.O Brasil está fadado a ser reconhecido internacionalmente como, além do país do carnaval, futebol, bundas, prostituição infantil, turismo sexual, etc., agora inclusive, pela deficiência auditiva e visual da sua Corte Suprema, isso tentando ser delicada. Mas o que esperar de uma corte formada politicamente? O que esperar de um Congresso que legisla em benefício próprio? O que esperar de uma povo que se omite, quando morre nas filas do hospitais públicos ou por falta de medicamentos? E que esperar dos governantes que desviam o dinheiro da educação? A coisa está feia minha gente!!!!!

IMAGINE A MESMA PESQUISA FEITA PARA OS POLÍTICOS

Olympio B. dos S. Neto (Advogado Autônomo)

Se o funcionalismo público esta assim então imagine como devem estar os chefes do executivo, os parlamentares e os ocupantes de cargos políticos.

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