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Ataque a embaixadas

Acusado de terrorismo é julgado como réu comum

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Começa novamente, em Nova York, o julgamento de Ahmed Ghailaini, o primeiro prisioneiro da base militar de Guantánamo a ser julgado como réu comum nos Estados Unidos. Semana passada, os trabalhos foram adiados, ainda nos momentos iniciais da audiência, pois o juiz responsável pela corte federal de Manhattan que avalia o caso recusou-se a ouvir uma testemunha da promotoria. Havia um forte indício de se ter chegado ao nome da testemunha por meio da tortura de outros prisioneiros.

O julgamento é considerado por muitos um esforço do governo dos EUA em demonstrar transparência nas ações contra terroristas. Ao julgá-lo como um réu comum em território norte-americano, o governo espera enterrar a mancha que paira sobre o tratamento dispensado aos prisioneiros em Guantánamo. Denúncias de torturas de prisioneiros durante a administração do presidente George W. Bush repercutiram no mundo inteiro provocando a reação de organizações de direitos humanos. Sabe-se que Ghailani, depois de detido, esteve em uma prisão secreta antes de ser levado à base em Cuba. O resultado do julgamento é esperado para o próximo ano.

Na terça-feira (12/10), os promotores abriram os argumentos explicando que Ghailani colaborou na construção das bombas usadas nos ataques às embaixadas norte-americanas da Tanzânia e Quênia em 1998. O réu teria também comprado o caminhão usado no ataque na Tanzânia. Logo depois, dois jurados suplentes pediram para serem dispensados por razão de “conflitos de trabalho”. A solicitação foi negada pelo juiz.

Nesta quarta-feira (13/10), os jurados começaram a ouvir novas testemunhas apresentadas pelos promotores, a maioria sobreviventes dos ataques às representações diplomáticas que resultaram em mais de 200 mortos há 12 anos. De acordo com reportagem da Fox News, o depoimento das testemunhas provocou comoção na corte.

O réu Ahmed Khalfan Ghailani responde por 286 acusações ao todo, entre elas, assassinato e utilização de arma de destruição em massa. A promotoria está convencida de que Ghailani foi membro de uma célula da Al Qaeda e teve participação ativa no planejamento e execução do ataque.

Um dos depoentes, um segurança da embaixada em Dar Es Saalam, capital da Tanzânia, provocou lágrimas nos presentes ao recordar que só não está morto porque, momentos antes da explosão, havia trocado de turno com seu colega, que não sobreviveu. Falando em Sualí, seu idioma nativo, o depoente deu detalhes sobre como encontrou o corpo do colega segurança já despedaçado pelo impacto da explosão.

Os jurados também ouviram o depoimento do sargento Brian Johnson, fuzileiro naval que servia na embaixada na manhã do ataque. No entanto nenhuma das testemunhas que se apresentaram na tarde desta quarta-feira foi capaz de relacionar Ghailani ao ataque, de acordo com informações da emissora Bloomberg News. A promotoria teria garantido aos jurados que uma testemunha que vendeu tanques de gás acetileno a Ghailani, utilizado para fabricar a bomba, ainda irá se apresentar.

A defesa vai tentar convecer o júri de que o réu não tinha maiores informações sobre o que iria acontecer, desconhecendo a real intenção dos terroristas que articularam o ataque.

 é correspodente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 13 de outubro de 2010, 19h13

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