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Livro Aberto

Os livros da vida de Manuel Alceu Affonso Ferreira

Por 

Manuel Alceu - Spacca - Spacca

O gosto pela leitura é um hábito passado de geração para geração na família do advogado Manuel Alceu Affonso Ferreira. Não poderia ser diferente, já que o especialista em Direito de Imprensa tem uma constelação na árvore genealógica. É neto do escritor Alceu Amoroso Lima, conhecido pelo pseudônimo de Tristão de Athayde, e sobrinho de Alberto de Faria, autor do livro Barão de Mauá, e de Otávio de Faria, autor de Tragédia Burguesa, todos da Academia Brasileira de Letras.

O talento na família colocou Manuel Alceu, ainda pequeno, em contato com ícones da literatura e pensadores brasileiros. Ressoam na memória as vozes de Manuel Bandeira, Gustavo Campanema, Olavo Drummond, Jorge de Lima e do seu próprio tio avô, Afrânio Peixoto, introdutor da Medicina Legal no Brasil. “Todos influenciaram minha vida literária. Eu sempre escutava as conversas deles, mas por ser tão pequeno, entendia muito pouco do que falavam”, conta. 

Mas foram as obras de Monteiro Lobato que abriram as portas da leitura para o advogado. “Mesmo sendo minha família muito católica, e Lobato agnóstico, meus pais nunca me proibiram de ler qualquer coisa dele”, diz. Didáticos, os livros do escritor são considerados por Manuel Alceu fundamentais na sua educação. 

Por dois deles ele tem carinho particular. Um é O Poço do Visconde, publicado em 1937. Segundo o advogado, o personagem Visconde de Sabugosa deu às crianças da primeira metade do século passado uma antevisão da autossuficiência do Brasil em petróleo. “O livro continua muito atual, uma ferramenta básica para quem se interessa pela análise e interpretação dos acontecimentos formadores da cultura brasileira.”

Clássico, O Sítio do Pica Pau Amarelo traz lembranças doces dos personagens. "Eu implicava um pouco com o Pedrinho, mas adorava a Narizinho, Dona Benta, Tia Anastácia e o Visconde."

Livro dos Porquês, uma antologia de autores, andava sempre debaixo do braço, conta Alceu. “Acho que essa é a pergunta que impera no mundo das crianças. Há sempre um porquê por trás de uma resposta.”

Jorge Amado e Érico Veríssimo vieram na juventude. Manuel Alceu lembra especialmente de Incidente em Antares e O Tempo e o Vento. "Estou lendo pela terceira vez O Tempo e o Vento, trilogia considerada por muitos a obra definitiva do estado do Rio Grande do Sul, e uma das mais importantes do Brasil", afirma. "Há sempre uma coisa nova para se descobrir lendo a obra". O romance representa a história do estado gaúcho, de 1680 até 1945 (fim do Estado Novo), por meio da saga das famílias Terra e Cambará.

De Jorge Amado, Subterrâneos da Liberdade e Capitães de Areia impressionaram. O primeiro é uma obra de teor político, que conta a história de um comunista fugindo da repressão. "Acredito que seja uma autobiografia", diz Alceu. O segundo retrata a vida de menores abandonados, os "capitães da areia", nome pelo qual eram conhecidos os meninos de rua na cidade de Salvador nos anos 30.

Com o passar do tempo, o advogado foi adquirindo gosto pelas biografias. "Adoro uma boa história contada de maneira simples", diz. Estrela Solitária, de Ruy Castro, que conta a história de Garrincha, é uma delas. “Depois de ler o livro, fui contratado pela editora para liberar a comercialização, e conseguimos”, comemora. Getúlio Vargas: Um retrato de luz e de sombra, do jornalista Fernando Jorge, é outra história que está entre as preferidas.

Outra paixão do advogado são filmes clássicos em preto e branco. "O que tem que ser colorido é a vida. Não gosto de nada com cara de Hollywood." 

Na carreira, Manuel Alceu cita a influência de Miguel Seabra, autor do livro O Controle dos atos administrativos pelo poder. As obras do civilista português Luiz da Cunha Gonçalves também tiveram papel importante. Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes estão entre os admirados no Direito moderno. Apenas sobre Direito da Comunicação, Alceu conta ter uma biblioteca com cerca de 260 publicações.

Formado em Direito pela PUC-SP, Manuel Alceu tornou-se companheiro de escritório e posteriormente sócio do professor e processualista José Frederico Marques. Depois, associou-se a José Rubens Machado de Campos na banca Ferreira e Campos Advogados, até fundar seu próprio escritório, o Manuel Alceu Affonso Ferreira Advogados.

Como representante da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, Manuel Alceu compôs os Conselhos Federal e Estadual (por dois mandatos) da entidade, e integrou o Conselho Diretor da Associação dos Advogados de São Paulo. Foi professor e secretário de Estado da Justiça entre 1991 e 1993. Por dois mandatos, foi juiz titular do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, e membro-suplente do Conselho de Comunicação Social, órgão auxiliar do Senado Federal.

Hoje, é membro da Academia Paulista de Direito, do Instituto Brasileiro de Direito Público, do Instituto Brasileiro de Direito Eleitoral, do Instituto de Defesa do Direito de Defesa e do Instituto Pro Bono. Faz parte do Conselho Deliberativo do Instituto dos Advogados de São Paulo e é titular dos colares Mérito Judiciário, do Tribunal de Justiça de São Paulo e Ministro Pedro Lessa, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região.


Primeiro livro
O Poço do Visconde - Monteiro Lobato - Divulgação
O Poço do Visconde, de autoria de Monteiro Lobato, foi publicado em 1937. Sua primeira edição tinha o subtítulo Geologia para crianças, e foi ilustrada pelo cartunista Belmonte. A publicação recebeu críticas por afirmar que havia petróleo no Brasil, enquanto os técnicos do governo de então diziam que o Brasil sequer poderia ter petróleo.

No enredo, o Visconde de Sabugosa descobre entre os livros de Dona Benta um tratado de Geologia, e põe-se a estudar a ciência. Como o pessoal do Sítio do Picapau Amarelo estava pensando em escavar um poço de petróleo por lá, ninguém melhor que o Visconde para ensinar-lhes os mistérios da Geologia.


Literatura
O Tempo e o Vento - Érico Veríssimo - Divulgação
A trilogia O Tempo e o Vento, do escritor brasileiro Érico Veríssimo, é considerada por muitos a obra definitiva do estado do Rio Grande do Sul e uma das mais importantes do Brasil. Dividido em O Continente (1949), O Retrato (1951) e O Arquipélago (1962), o romance relata parte da história do estado gaúcho.

A primeira parte de O Tempo e o Vento foi publicada em Porto Alegre em 1949, e narra a formação do Estado do Rio Grande do Sul através das famílias Terra, Cambará, Caré e Amaral. A segunda fase da história se passa em Santa Fé, no início do século XX, que timidamente começava seu processo de urbanização. A última parte transcorre no Rio de Janeiro, então capital do país, com o Dr. Rodrigo Cambará eleito deputado federal. Os personagens principais deixam de ser espectadores dos fatos nacionais, e passam a participar diretamente deles.


Livro Jurídico
O Controle dos Atos Administrativos Pelo Poder Judiciário - Miguel Seabra Fagundes - Divulgação
O livro O Controle dos Atos Administrativos pelo Poder Judiciário, na opinião do advogado, aponta a visão do Direito Administrativo como conjunto de instituições e instrumentos destinados à proteção, promoção e realização dos direitos fundamentais. Traz uma visão comprometida não com a lógica da autoridade, mas com a promoção da dignidade humana pela via das conquistas progressivas do Estado de Direito.

 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 4 de novembro de 2010, 10h00

Comentários de leitores

2 comentários

Dr. Manuel Alceu

Jarbas Andrade Machioni (Advogado Sócio de Escritório)

Manuel Alceu é exemplo de nobreza no exercício do nosso ministério privado. Advogado culto, lhano no trato e altamente técnico.
É um exemplo para todos nós.
P.S.: Essa série tem o condão de trazer o óbvio a todos nós : a matéria-prima do jurista é a palavra, seja escrita, seja oral. Para esses profissionais a leitura é absolutamente essencial. A sua falta é um grave obstáculo ao sucesso na carreira.

Cultura geral

PAULO FRANCIS (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

Conheço o seu trabalho. O advogado Manoel Alceu, não só pelas suas escolhas literárias, é um dos brilhantes advogados de sua geração.
Oxalá, os advogados, de hoje em dia, lessem alguma coisa. Não viveríamos esta pobreza intelectual que assola a profissão.

Comentários encerrados em 12/11/2010.
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