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Bastidores da notícia

Cobertura de Júri dos Nardoni viu choro inexistente

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Nos bastidores do júri popular do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá a especulação deu o tom até o veredicto. Diversas teses sobre o caso foram discutidas nos corredores do fórum, nas ruas, nos táxis e até no banheiro do Fórum de Santana. A certeza para populares e até para a maioria dos repórteres responsáveis pela cobertura era uma só: eles são culpados.

O chamado telefone sem fio também marcou os trabalhos na sala de imprensa, que abrigou 70 jornalistas. Informações desencontradas fizeram até mesmo com que vários jornalistas noticiassem que os jurados choraram, o que nunca aconteceu. O empurra-empurra diário na porta do fórum e a busca da frase de efeito viraram rotina na cobertura jornalística.

Do lado de fora, os dias de julgamento foram marcados por manifestações de populares. O advogado de defesa Roberto Podval foi rotulado como vilão da tragédia. Nas entradas e saídas, foi chamado pelo povo de bandido, cão, advogado do diabo e infeliz. Quase foi agredido fisicamente, em uma tentativa de chute. Do outro lado, o promotor Francisco Cembranelli representou o mocinho. Era aplaudido mesmo sem ser visto pelo povo, que de longe identificava a Land Rover preta, com vidros escuros, na qual sempre chegava ao fórum.

O promotor foi todos os dias ao fórum acompanhado de sua mulher, a defensora pública Daniela Cembranelli. Ela tinha cadeira cativa na primeira fileira ao lado dos jurados, e acompanhou atentamente a atuação do marido na Plenária. Do seu lado direito, sentou-se a escritora Ilana Casoy. Ela também tinha lugar fixo, mas na primeira cadeira da segunda fileira. Ambas usavam uma pequena caderneta preta para se comunicar. A cada indagação, a cadernetinha mudava de mão. Ilana Casoy é autora, entre outros livros sobre assassinatos famosos, de O Quinto Mandamento. Nele, ela narra o que levou Suzane von Richthofen a planejar o assassinato de seus pais. O júri do casal pode ser tema de sua próxima obra.

Daniela Cembranelli, durante a tréplica do marido no plenário em que rebatia a réplica de Podval, chegou a ficar impaciente. Tentou chamar a atenção de Cembranelli a todo custo. Pigarreou para que ele lesse depressa o que queria pedir aos jurados, antes que acabasse seu tempo de argumentação. O cronômetro zerou a tempo, e ela respirou aliviada.

Sentada atrás dos avôs maternos de Isabella, que choraram muitas vezes durante o Júri, estava outra escritora, mas de novelas. Desde a trágica morte de sua filha, Glória Perez não perde mais a oportunidade de fazer campanha para o endurecimento da Lei Penal como solução contra a criminalidade.

O ponto alto do Júri, momento mais esperado por todos, foi o depoimento de Anna Jatobá. Enquanto era interrogada pelo juiz, servidores se aglomeravam na porta de onde saem os réus para escutar. A atenção dos policias, três na Plenária e três na plateia, além de dois coordenadores de segurança, era toda para a madrasta de Isabella. A acusada chegou a ser classificada pelo promotor como "um barril de pólvora prestes a explodir".

Na hora do almoço do segundo dia de julgamento, os avós de Isabella tiveram de pedir aos jornalistas que os deixassem comer em paz. O pedido demorou para ser atendido, o que os obrigou a deixar o restaurante Pau Brasil, que fica ao lado do Fórum. Mesmo assim, foram seguidos por câmeras e repórteres.

A família Nardoni experimentou a mesma rotina dos demais expectadores. O pai de Anna Jatobá e alguns familiares revezavam a senha da Plenária, assim como o repórter Cesar Tralli, da Rede Globo. Privilegiado pela família ou pelo advogado de defesa, ele também fazia parte deste rodízio.

Já o pai de Alexandre não revezou sua cadeira com ninguém, nem por um minuto. Durante todo o tempo se manteve atento. Chegou a ficar com os olhos marejados ao escutar Cembranelli dizer que ele sustentava o filho com tudo "do bom e do melhor". Sua filha, Cristiane, irmã de Alexandre, chegou a ser repreendida pelo juiz ao gritar, no quarto dia de julgamento: "força, Alê!"

No fim da sexta-feira (26/3), último dia, a Polícia ainda teve de intervir para salvar um manifestante que, ao contrário da massa, apareceu com um cartaz a favor do casal, e que, como o advogado de defesa e os próprios acusados, quase foi linchado.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 26 de março de 2010, 22h48

Comentários de leitores

9 comentários

Esposa do Promotor deveria estar trabalhando...

daniel (Outros - Administrativa)

A Esposa do Promotor Cembrannelli que também é Defensora Pública deveria é estar atendendo aos carentes no seu local de trabalho e não atuando como assessora de luxo no Júri.

Espetáculo deprimente

Armando do Prado (Professor)

A defesa foi cerceada e pressionada pela mídia predadora e pelos desocupados que se aglomeravam no fórum. Lamentável. Culpados ou inocentes, não importa, pois a vingança tomou o lugar da justiça.

CArone, para saber se subiu ou caiu náo precisa ter Doutorad

analucia (Bacharel - Família)

CArone, para saber se subiu ou caiu náo precisa ter Doutorado em Direito. Sugiro que leia mais sobre o Iluminismo e o motivo pelo qual as pessoas acham que diploma torna a pessoa quase Deus.
Ora, para se saber se o meio foi cruel ou náo, é desnecessário o diploma. E o júri é a melhor forma de julgamento e deveria ter sua competëncia ampliada.

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