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Detalhes do crime

Defesa do casal Nardoni aponta defeitos em laudos

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No segundo dia de julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados de matar a menina Isabella, a discussão no Plenário girou em torno da certeza e da incerteza sobre o crime. A delegada Renata Helena Pontes, responsável pelo inquérito policial, disse ter certeza da culpa do casal. A defesa, representada pelo criminalista Roberto Podval, insistiu em apontar a incerteza.

O advogado tentou a todo o momento desqualificar o laudo e o depoimento da delegada, com perguntas incisivas e repetitivas, que chegaram a irritar o juiz Maurício Fossen. O juiz chamou a atenção do advogado para que ele deixasse de usar a palavra “acho”, pois achar não é ter certeza. 

Do outro lado, no ápice de seu depoimento, a delegada declarou que tem 100% de certeza que foram eles os responsáveis pelo assassinato de Isabella. Por isso, fez o indiciamento do casal. A defesa, contudo, tentou deixar claro para os jurados que a delegada já desconfiava do casal mesmo antes dos laudos conclusivos, com as provas concretas. Chegou até pedir exame de DNA de Alexandre Nardoni antes mesmo de seu indiciamento. Esse foi um dos pontos questionados por Roberto Podval.

A defesa também tentou focar a falta de precisão dos laudos sobre o sangue encontrado na roupa do pai e da madrasta de Isabella. Logo do acontecimento do fato, foi divulgado massivamente que as manchas encontradas na roupa de Alexandre poderiam ser de sangue. Hoje, a delegada afirmou que as manchas não eram de sangues nem eram manchas novas. Também não foram encontrados vestígios de sangue na roupas de Anna Carolina Jatobá.

Podval, que em alguns momentos ficou quase sem voz, também trouxe à baila o depoimento de uma das moradoras do edifício London que disse ter escutado, na noite do crime, um barulho semelhante ao de uma porta de incêndio batendo, como se alguém estivesse fugindo por ela. A delegada destacou, contudo, que o barulho interpretado é muito subjetivo, pois o porteiro do prédio ouviu o mesmo barulho e achou que fosse uma batida de carro, quando que na verdade poderia ser o barulho de Isabella caindo no jardim do prédio.

Ainda durante o julgamento, a maquete do edifício London fez parte do cenário e impedia a visão integral do Plenário. Anna Carolina continua trajando blusinha branca e jeans. Alexandre, usa camisa tipo pólo, listrada de azul e branco. Na plateia, além de famíliares dos réus e da mãe de Isabella, estava a escritora de novela Glória Perez.

Por enquanto, o julgamento foi interrompido para intervalo de almoço. Os trabalhos serão retomados com os depoimentos de legistas e peritos responsáveis pelo caso.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 23 de março de 2010, 15h57

Comentários de leitores

3 comentários

PROVA PERICIAL ?

acdinamarco (Advogado Autônomo - Criminal)

QUANTO MAIS EU LEIO, MAIS ME CONVENÇO : A PROVA TÉCNICA FOI DIRECIONADA PARA DEMONSTRAR A CULPA DOS RÉUS ; O CERTO SERIA PARTIR-SE DOS FATOS E CHEGAR-SE AOS AUTORES. PORÉM, FOI FEITO O SENTIDO CONTRÁRIO.

Na minha opinião...

Diego. S. O. (Advogado Autônomo - Civil)

É um absurdo o que essa Delegada falou. Não têm qualquer prova concreta que tenha sido o casal que matou a menina. As únicas provas existentes é a do laudo – de que a menina foi assassinada - mas não existe qualquer prova que de fato tenha sido o casal os autores do crime. Infelizmente a Delegada se deixou levar pela emoção. Acredito que o casal vai ser condenado, não pelo demonstrado no processo e no plenário, mas por causa da pressão da mídia – vai ser 4 a 3 ou 5 a 2.

Indiciamento X laudos

Mauricio_ (Outros)

Sempre soube que o indiciamento deve ser o último ato do inquérito policial, a encerrar as investigações com a conclusão da autoridade policial a apontar um suspeito oficial.
A defesa pretendia que o réu fosse indiciado antes da chegada dos laudos. Ora, se isso tivesse sido feito pela delegada aí sim denotaria uma falta de isenção dessa autoridade, pois estaria indiciando alguém com base apenas na sua opinião para só depois requisitar os laudos necessários.
Só posso acreditar que essa afirmação da defesa tenha sido uma estratégia para criar dúvidas nos jurados, que são pessoas leigas, e não um posicionamento jurídico dos advogados, que devem saber que primeiro se investiga o crime para no final indiciar ou não alguém.

Comentários encerrados em 31/03/2010.
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