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Celular é um perigo

Protógenes nega vazamentos na Satiagraha

Por 

Protógenes Queiróz - Caricatura - Spacca

Coincidência. Só isso explica o fato de o jornalista Cesar Tralli e o cinegrafista Cerantulla da Rede Globo estarem presentes em operações comandadas pelo delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz. Esta foi a explicação dada pelo próprio delegado, hoje afastado da PF, em depoimento ao juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo, que o investiga pelo vazamento de informações sigilosas.

Protógenes é alvo de Ação Penal em que é acusado de ter vazado para a imprensa informações reservadas da Operação Satiagraha, na qual ele próprio investigava supostos crimes financeiros e de corrupção do banqueiro Daniel Dantas, dono do Banco Opportunity.

Em seu depoimento, prestado na sexta-feira (11/6), Protógenes fez questão de enaltecer sua boa atuação na Polícia Federal e das dificuldades que lhe foram criadas por seus superiores na época da Satiagraha, como o diretor de Inteligência Daniel Lorenz e o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Correa. Bom mesmo, segundo ele, era o antecedessor de Correa, Paulo Lacerda. Protógenes só não explicou qual a mágica feita por Lacerda, para continuar lhe dando suporte depois que trocou a direção da PF pela da Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

Protógenes contou em juízo que chamou agentes da Abin para atuar na Satiagraha depois que descobriu que Daniel Dantas dispunha de milhares de licenças para exploração do subsolo brasileiro. Segundo ele, o fato transformava a investigação em questão de Estado. Lembrou na audiência, que não foi a primeira vez que teve de se haver com órgãos de Inteligência. Em sua exposição ele informou à plateia que a Kroll, empresa multinacional de auditoria de riscos empresariais, é conhecida por ser uma extensão da CIA, a agência de inteligência do governo dos Estados Unidos.

O delegado só não se sentiu muito à vontade para falar dos fatos que motivaram sua convocação para depor. Protógenes não soube explicar quem usava os sete celulares que a polícia apreendeu em seu poder. Perguntado sobre as centenas de ligações que trocou com jornalistas da TV Globo e do jornal Folha de S. Paulo, Protógenes negou que tenha sido ele, mas não explicou porque os telefones que ele não usava estavam com ele.

Sempre evitou a imprensa, garantiu, mas não soube explicar o que estavam fazendo no restaurante El Tranvia, de São Paulo, os profissionais da Globo que gravaram a ação controlada em que emissários de Daniel Dantas supostamente oferecem dinheiro a um delegado da PF para livrar a cara do banqueiro e de familiares seus do inquérito conduzido pelo procurador De Grandis e pelo juiz De Sanctis. O delegado garantiu que os profissionais não estavam lá por autorização ou determinação dele. Mas não informou como as gravações do encontro feita pelos jornalistas foram parar em seu computador — o mesmo onde se localizou uma reportagem ancorada pelo apresentador Paulo Henrique Amorim, na TV Record, mostrando imagens de cinco "operações" empreendidas por Protógenes das quais os jornalistas participaram.

Protógenes também negou ter feito as chamadas registradas nos telefones que estavam com ele para a empresa Nexxis, do ex-sócio de Daniel Dantas, Luís Roberto Demarco, e para Paulo Henrique Amorim. Protógenes garante que só sabe quem é Demarco porque ele foi investigado na Satiagraha, já que tinha conta no Banco Opportunity.

Também negou que tenha feito as comunicações registradas nos celulares para os juízes Fausto Martin de Sanctis e Márcio Vilani, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, e para o procurador da República, Rodrigo De Grandis, todos envolvidos no processo da operação Satiagraha, que ele comandava.

Por fim, Protógenes disse que enquanto comandou a Satiagraha nem usava celular. Por precaução, pois tinha medo de ser rastreado por gente interessada em atentar contra sua vida. Na época desses registros telefônicos, a operação era secreta e só as pessoas a quem Protógenes informou do inquérito sabiam dela. O delegado afastado da PF terminou sua peroração afirmando que recebeu mais de uma centena de ameaças de morte, principalmente pela internet.

AP 11893.69.2008.403.6181

 é diretor de redação da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 16 de junho de 2010, 20h42

Comentários de leitores

8 comentários

Incrível!!!!!

João pirão (Outro)

É de novela o desandar desse delito. Claro que um bode expiatório ia sair, pois se meter com gente tão poderosa não é para peixinho. Pessoalmente nunca achei que Daniel Dantas iria para cadeia, mas daí a que o próprio delegado que investigou o crime pagasse o pato fiquei curto. Ainda com qualquer prova contundente na mão. primeiro o tiraram do caso; segundo o tiraram do cargo; terceiro o tiraram da PF; e agora? será da sua casa? e depois? será de embaixo da ponte?

E o Dantas?

Vince (Advogado Autônomo - Criminal)

Caro Carlos, no Brasil é assim, só se fala na "presunção (que para alguns é absoluta, nem sentença condenatória poderia mexer nela) de inocência" e que o Estado é corrupto e isso e aquilo mais. Mas até me admiro de não ver ninguém defender o Del. Protógenes dizendo que ele TAMBÉM tem os mesmos direitos que os vagabundos que ele prendia...

E o Dantas?

Vince (Advogado Autônomo - Criminal)

Caro Carlos, no Brasil é assim, só se fala na "presunção (que para alguns é absoluta, nem sentença condenatória poderia mexer nela) de inocência" e que o Estado é corrupto e isso e aquilo mais. Mas até me admiro de não ver ninguém defender o Del. Protógenes dizendo que ele TAMBÉM tem os mesmos direitos que os vagabundos que ele prendia...

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