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TJ-SP lamenta destruição em São Luiz do Paraitinga

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No dia em que tomou posse como presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo o desembargador Viana Santos expediu telegrama para a prefeita, a juíza e a delegada de São Luiz do Paraitinga, a cidade paulista mais castigada pelas chuvas da última semana. O novo presidente do maior tribunal do país começou sua carreira como magistrado naquela comarca do Vale do Paraíba, quando foi juiz de direito entre 1969 e 1970.

“Minha primeira cidade está embaixo d’água”, lamentou o presidente do TJ paulista, que tomou posse nesta segunda-feira (4/1). “É muito duro ver todo aquele casario histórico destruído, aquele povo alegre sofrendo e a igreja secular desmoronar”, afirmou. Ele garantiu que até a próxima semana vai visitar a cidade e levar a solidariedade dos magistrados de São Paulo aos moradores da região. Há 15 dias Viana Santos esteve em São Luiz do Paraitinga quando foi homenageado pela Câmara Municipal com o título de cidadão.

A cidade é quase totalmente comandada por mulheres. Todos os cargos de destaque da cidade como o de prefeita, de presidente da Câmara, de juíza, de promotora, de delegada e de Comandante da Policia Militar tem uma representante do sexo feminino. No cargo mais alto, está a prefeita Ana Lúcia Bilard Sicherle (PSDB). O Legislativo tem no comando a vereadora Edilene Alves Pereira, presidente da Câmara Municipal.

Do lado da lei e da ordem estão a delegada Vânia Idalina Zácaro de Oliveira e a capitã Maria de Fátima Resende, que comanda a 5ª Companhia de Policiamento Militar do Interior. O resultado do trabalho dessas duas mulheres acaba nas mãos da promotora de Justiça Sandra Rodrigues de Oliveira que, depois de apreciar inquéritos e procedimentos denuncia os acusados à juíza Renata Martins de Carvalho Alves.

A avalanche de água deixou apenas uma igreja de pé no centro da cidade, que fica a 182 km de São Paulo. De acordo com estimativa da defesa civil e da prefeitura, 60% dos casarões tombados no centro histórico de São Luiz do Paraitinga, estão comprometidos por conta das chuvas que alagaram a cidade no dia 1º de janeiro.

A prefeitura calcula que serão necessários R$ 100 milhões para reconstruir a cidade, além dos prejuízos causados pela enchente e desabamentos. O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat), aponta que o centro histórico da cidade é constituído por 171 grandes sobrados do século 19 e por 262 casas populares.

Tombada em 1982, a Capela Nossa Senhora das Mercês, construída provavelmente no final do século 18 e inaugurada oficialmente em 1814, foi totalmente destruída pela chuva. A "Casa de Oswaldo Cruz", onde o médico sanitarista nasceu, em 1872, não foi afetada pela enchente. Também na lista de imóveis tombados pelo Condephaat, o sobrado da Praça Oswaldo Cruz, ocupado pela prefeitura municipal, desabou parcialmente. Cartão postal da cidade, a igreja matriz, que tinha mais de 200 anos, também ficou destruída.

 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 6 de janeiro de 2010, 0h00

Comentários de leitores

1 comentário

CATÁSTROFE EM SÃO LUIZ DO PARAITINGA

Gilberto Marques Bruno (Advogado Sócio de Escritório - Tributária)

Concordo com as palavras do Desembargador VIANA SANTOS, Ilustre Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.
Realmente é muito duro ver a destruição causada na cidade de São Luiz do Paraitinga.
Eu pessoalmente que sempre mantive laços afetivos e sanguíneos com a cidade, pois minha avó materna era nascida na cidade, e, que durante parte da infância passei muitas férias escolares por lá, vejo com muita tristeza o episódio, dentre eles o desmoronamento da secular igreja em que muitos dos meus ancestrais e até mesmo primos de segundo grau, foram batizados, fizeram primeira comunhão e se casaram sob as bençãos de DEUS.
Entretanto, tenho a certeza que a fibra e a determinação dos "alegres" e "guerreiros" moradores da histórica cidade de São Luiz do Paraitinga, servirão para brevemente restabelecer grande parte dos "casarões" que ruiram em decorrência do transbordamento do Rio Paraíba.
Quero também, hipotecar a minha solidariedade a todos os moradores da cidade, aos membros do Judiciário, do Ministério Público e aos colegas Advogados e Advogadas, na certeza que de a união de todos fará com que a cidade de São Luiz do Paraitinga, logo, logo, esteja novamente de pé, servindo de exemplo não só para o Vale do Paraíba, mas fundamentalmente para todo o País!
E pedir a todos os leitores que acompanham esta importante revista eletrônica, que ajudem, enviem donativos para lá, pois realmente mais do que a imprensa tem mostrado, a situação está extremamente crítica e toda a ajuda será bem vinda.
Gilberto Marques Bruno
OAB/SP n.: 102.457
Sócio de Marques Bruno Advogados Associados
OAB/SP n.: 6.707

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