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Após atentado

Presidente do TRE de Sergipe terá carro blindado

O Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe vai comprar um carro blindado para o presidente do órgão, Luiz Antônio Mendonça, que foi alvo de um atentado na última quarta-feira (18/8). O carro em que ele estava foi alvejado por mais de 30 tiros. O motorista do desembargador foi baleado na cabeça e está internado em estado grave. As informações são do portal G1.

A compra do veículo foi aprovada na sessão do TRE de quinta-feira (19/8). O atentado contra Mendonça ocorreu em uma das principais avenidas de Aracaju. O desembargador estava em um carro do Tribunal de Justiça.

Apesar da resistência de Mendonça, as cúpulas das Polícias Civil e Militar do estado já haviam decidido reforçar o aparato de segurança do magistrado. “Não podemos revelar muitos detalhes, por uma questão de segurança. Mas o novo esquema contará com itinerários diferentes e escolta permanente e vai se estender também a familiares do desembargador, além de outros magistrados da Justiça sergipana”, disse o delegado Júlio Flávio, responsável pela segurança do Tribunal de Justiça.

Em entrevista ao G1, Mendonça disse acreditar que os criminoso vão tentar um novo atentado contra ele. “Fui pego de surpresa, mas não tenho dúvida de que vão tentar de novo. Mas eu não tenho medo por mim. Tenho medo pela minha esposa e meus três filhos. Vamos avaliar com calma e tranquilidade. A segurança pode ser feita de forma velada e discreta", disse.

A Polícia Civil já analisa imagens de câmeras de segurança de condomínios próximos da avenida onde ocorreu o atentado e do local onde foi encontrado o carro usado pelos atiradores. Policiais que trabalham nas investigações avaliam que houve amadorismo por parte dos atiradores, considerando a quantidade de munição gasta no atentado e as partes do veículo do desembargador atingidas pelos disparos.

Segundo o delegado Thiago Leandro Barbosa, responsável pelo inquérito do caso, cinco linhas de investigação estão sendo consideradas. O delegado afirmou que uma equipe de policiais está em Alagoas desde o dia do atentado para rastrear a origem do Honda Civic usado pelos atiradores. O carro foi encontrado queimado em Aracaju logo após o atentado.

Barbosa descarta motivação política para o crime. “A questão é pessoal, nada política”, disse ao G1. “O desembargador se dá bem com todos os políticos do estado. Ele conseguiu reunir no casamento da filha dele os dois eixos políticos de Sergipe.”

A Polícia Federal também abriu inquérito para apurar o crime contra o presidente do TRE. O trabalho da PF é uma investigação paralela em relação o trabalho da Polícia Civil sergipana. A PF tem como principal suspeito um pistoleiro da região, condenado, em 2007, pela Justiça Eleitoral pelo roubo de urnas eletrônicas no município de Canindé São Francisco, a cerca de 200 quilômetros de Aracaju. Na época, o desembargador Luiz Mendonça atuou no processo como promotor de Justiça.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Ricardo Lewandowski, disse nesta sexta-feira (20/8) que o atentado em Sergipe foi um “crime hediondo”, que os criminosos tiveram “enorme ousadia” e praticaram uma “violência sem precedentes”. “Foi um atentado muito bem planejado, mas que felizmente não teve o sucesso esperado”.

Revista Consultor Jurídico, 20 de agosto de 2010, 19h04

Comentários de leitores

1 comentário

Essa providência deveria ser estendida a todo magistrado

Sérgio Niemeyer (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

O atentado cometido contra o presidente do TRE de Sergipe expõe um dos lados perversos com que uma democracia tem de conviver: a afronta às instituições por meio da intimidação das pessoas que as corporificam. Se é certo que nenhuma autoridade é absoluta, recerto é que o Estado não pode admitir que os membros representantes dessas instituições sofram os efeitos pessoais negativos em decorrência do exercício do cargo. Por isso, entendo que o Estado deve proporcionar a todos os juízes, de todas as instâncias, a proteção de carro blindado, e se não for possível tal extensão geral, ao menos àqueles mais expostos pelas circunstâncias dos casos que julgam.
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(a) Sérgio Niemeyer
Advogado – Mestre em Direito e doutorando pela USP – sergioniemeyer@adv.oabsp.org.br

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