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Mundo corporativo

Pré-sal, Copa e Olimpíadas movimentam advocacia

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Pré-sal, Copa 2014 e Olimpíadas 2016. Não são poucas as oportunidades de negócios no país: intercâmbio de tecnologia, desenvolvimento da infra-estrutura, expansão do turismo, contratos com a Petrobras, novidades na área de marcas e patentes. Entre os escritórios de advocacia especializados nessas áreas ou full service, começa a movimentação para a captação de clientes. Os que já tiverem atuação no Rio de Janeiro dificilmente perderão os bons ventos na economia brasileira.

Nessa corrida, investimentos são necessários. A participação, por exemplo, em seminários e congressos nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia é uma estratégia para a captação de clientes. Mostrar aos empresários estrangeiros o que o país pode oferecer em termos de benefícios fiscais, nichos da economia que ainda podem ser explorados, linhas de financiamento oferecidas pelo governo, noções básicas da legislação brasileira, sem deixar de apresentar os riscos do investimento, são um belo cartão de visitas.

A proximidade com advogados e escritórios estrangeiros também representa um passo na frente dos concorrentes. O mercado da advocacia, que por enquanto sente o aumento no número de consultas em relação ao pré-sal ou sobre requisitos para a participação em licitações, vai esquentar de curto a médio prazo com o aumento de contratos e de consultoria em relação à legislação brasileira em praticamente todas as áreas do Direito.

Algumas bancas já criaram equipes multidisciplinares focadas em pré-sal, Copa e Olimpíadas para centralizar a demanda que chegar e distribuir. Outras comemoram a aposta feita há alguns anos, como é o caso do Machado, Meyer, Sendacz e Opice Advogados.

Ivandro Sanchez, sócio do escritório e coordenador do departamento de Esportes e Entretenimento criado em 2002, afirma que são quatro os grandes segmentos de negócios no país. A área de infraestrutura esportiva vai mexer com investimentos em estádios, ginásios, praças esportivas e centros de treinamento de atletas, que podem ser aproveitados da Copa para as Olimpíadas. O estádio do Maracanã, por exemplo, vai passar por reformas para a Copa, mas também será usado para a cerimônia de abertura das Olimpíadas.

A área de infraestrutura urbanística também precisará de investidores. Aeroportos serão ampliados e reformados, o metrô de São Paulo e do Rio de Janeiro terá de ser estendido. No setor de patrocínio de eventos, que movimenta o Direito Administrativo, a venda de bebida alcoolica e de cigarros, por exemplo, precisa seguir as normas internas, que só os advogados brasileiros podem oferecer consulta.

O turismo no Brasil também deve ganhar impulso. No ano passado, o país recebeu 6 milhões de turistas. A Espanha, 25 milhões. Ivandro Sanchez compara a situação brasileira com a que aconteceu em Barcelona. Em 1992, ano da Olimpíada, aquela cidade era a quarta mais visitada por turistas da Espanha. Hoje, é a segunda mais visitada da Europa, atrás apenas de Paris. Para o advogado, este foi um legado deixado pela Olimpíada. Com as cidades brasileiras, pode acontecer o mesmo. Outro legado será a melhora na infraestrutura.

Sanchez conta que, no mês passado, cinco sócios do escritório foram para Madri participar de um congresso internacional de advogados. O que, segundo ele, é muito bom para fazer contatos e para se mostrar. Em dezembro, ele vai para Madri para falar sobre as oportunidades geradas no Brasil em função de Copa e Olimpíadas. O boca a boca ainda é a melhor forma de prospecção de cliente, de acordo com o advogado.

Dos 12 estádios que serão construídos no país, o Machado, Meyer está envolvido, direta ou indiretamente, em cinco deles. Além disso, tem como cliente dois patrocinadores da Copa do Mundo. Uma grande rede hoteleira pensa em se instalar no Rio de Janeiro.

O escritório Demarest e Almeida Advogados decidiu criar duas equipes. Bruno de Luca Drago, de São Paulo, e Tatiana Campello Lopes, do Rio de Janeiro, coordenam os grupos. A banca já sentiu um aumento de consulta de clientes da área de equipamentos e máquinas. Algumas delas são empresas norteamericanas, já fornecedoras da Petrobras. Outras que, mesmo sem marco regulatório definido para o pré-sal, querem se antecipar e se instalar no país para fornecer material para a Petrobras. Bruno Drago explica que, quanto mais conhecer o país e mais empregos a empresa gerar aqui, mais tem chances de vencer um processo de licitação. Por isso, algumas pretendem se antecipar ao marco regulatório.

A indústria coreana de navios, “cada vez se tornando mais forte”, segundo Drago, também está de olho nos possíveis contratos com a Petrobras, que é a quinta maior empresa do mundo. A ideia é oferecer navios e sondas para estudos de área de pré-sal. O advogado conta que, há dois meses, seis sócios do escritório participaram na Coreia do Sul do Seminário Brasil-Coreia sobre petróleo e gás. Eles têm dois profissionais que falam coreano para ajudar nas negociações. O escritório atende mais de 25 empresas coreanas, nos setores de tecnologia, construção, automobilística.

Responsável pelos investimentos em eventos esportivos, Tatiana Lopes afirma que existem dois perfis de empresas interessadas: as que já estão no país e pretendem aproveitar a oportunidade para alavancar os negócios e aqueles que costumam apoiar a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Segundo ela, são empresas que querem vincular a imagem ao evento esportivo e outras ligadas à área de infraestrutura. Um levantamento feito pelo escritório mostrou que são inúmeras as áreas de interesse, desde construção, cimento, siderurgia, incorporação, setor hoteleiro, mídia, tecnologia e marcas.

Para atender a demanda, advogados da área regulatória, do setor bancário, de propriedade intelectual, do Direito Desportivo, Tributário estão preparados, segundo ele. No Koury Lopes Advogados, a demanda parte de empresas americanas, que querem saber quais as perspectivas para o mercado do pré-sal. O escritório que já tem um Departamento de Energia está analisando as possíveis oportunidades. Por enquanto, entre as possibilidades, grandes negócios na área de logística do transporte das pessoas que vão trabalhar nas plataformas e no fornecimento de equipamentos para a Petrobras.

Os sócios Paulo Prado, da área de energia, e Tiago Cortez, do setor de concorrência e de regulação, são os responsáveis por acompanhar todo o movimento na regulamentação do pré-sal no Brasil. Segundo eles, empresas de consultoria também estão procurando o escritório numa tentativa de fechar parcerias para fazer a ponte entre empresas americanas e oportunidades no Brasil.

 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 24 de outubro de 2009, 3h44

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