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Rede de espionagem

Grupo invade computadores em 103 países

Uma rede de espionagem online com base na China invadiu em menos de dois anos 1.295 computadores em 103 países para roubar documentos e informações secretas de entidades públicas e privadas, informou um centro de pesquisas canadense. A reportagem é da Agência Estado.

De acordo com o texto, a operação de espionagem cibernética é tida como a maior já revelada na história. De acordo com o estudo feito pelo Centro Munk para Estudos Internacionais, da Universidade de Toronto, entre as vítimas da violação estariam as máquinas dos escritórios do líder espiritual tibetano, Dalai-Lama, na Índia, Bélgica, Grã-Bretanha e Estados Unidos.

O relatório reacendeu o debate em torno da segurança cibernética, tema do qual o presidente dos EUA, Barack Obama, já vem se ocupando desde que assumiu o governo, em janeiro. Preocupado em tornar mais seguras as redes públicas e privadas do país, Obama incluiu na proposta de orçamento para 2010 um financiamento de US$ 355 milhões para a manutenção do setor — essencial para a economia e para a defesa dos EUA.

A investigação da rede de espionagem teve início no meio do ano passado, quando o centro canadense foi convidado pelo escritório do Dalai-Lama para examinar seus computadores, em busca de softwares contaminados. Após intensas pesquisas, o centro descobriu que, além de espionar as máquinas do líder religioso, o sistema de hackers — o qual eles chamaram de "Rede Fantasma" — tinha como alvo governos do Sul e do Sudeste Ásiático.

O centro afirmou que não encontrou provas de que computadores do governo dos EUA tenham sido invadidos, mas afirmou que uma máquina da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) foi monitorada por espiões, assim como os computadores da Embaixada da Índia em Washington.

Ataques

Segundo os investigadores, além de ter roubado um número não especificado de arquivos, os hackers também podem ter usado as máquinas para espionagem do local onde estavam ao ligar as webcams e gravadores de áudio dos computadores invadidos para monitorar o que ocorria na sala onde estavam instalados. Entretanto, não foi possível descobrir se essa tática foi usada e o conteúdo dos documentos roubados também não foi estabelecido. Os computadores de Dalai-Lama, porém, tiveram centenas de e-mails interceptados.

Os pesquisadores devem divulgar o documento essa semana. Contudo, apesar de terem concluído que dos quatro centros de controle por onde foram feitas as invasões, três estavam na China, eles afirmaram que não poderiam concluir que houve envolvimento do governo chinês nas ações.

Ainda de acordo com a reportagem, algumas das interceptações feitas pelo grupo de espionagem tiveram alguns efeitos na política de Pequim. Após o escritório do Dalai-Lama enviar um convite por e-mail para um diplomata estrangeiro, o governo chinês ligou para o mesmo diplomata desencorajando a proposta de visita.

Em outro caso, uma mulher que fazia contatos entre exilados tibetanos e cidadãos chineses foi impedida de voltar para o Tibete por funcionários da inteligência de Pequim, que mostraram transcrições de suas conversas online.

Os canadenses descobriram também que a China teria grampeado ligações telefônicas feitas pela internet, além de ter interceptado mensagens instantâneas. Um porta-voz do Consulado da China em Nova York negou as acusações. Afirmou que Pequim é contra essa atitude e proíbe qualquer tipo de crime cibernético. Com informações do jornal The New York Times.

Revista Consultor Jurídico, 30 de março de 2009, 19h35

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