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Luto no Congresso

Morre em Brasília o deputado Clodovil Hernandes

O deputado Clodovil Hernandes (PR-SP) teve morte cerebral confirmada pelo diretor do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, Cícero Henrique Dantas Neto. Vítima de Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico, Clodovil estava internado desde segunda-feira (16/3).

Segundo o Uol Notícias, nesta terça-feira, o corpo de Clodovil será velado no Salão Negro da Câmara dos Deputados, em Brasília, por cerca de duas horas. Em São Paulo, o corpo também será velado na Assembleia Legislativa. O enterro acontece na quarta-feira (18/3) no cemitério do Morumbi, em São Paulo. Segundo o hospital, o coração, o fígado, as córneas e os rins do deputado serão doados.

Nascido no interior de São Paulo, Clodovil foi adotado por um casal de imigrantes espanhóis, Domingo Hernández e Isabel Sánchez, conta a Agência Brasil. Ele nunca conheceu seus verdadeiros pais. Na década de 1960, Clodovil ganhou fama como estilista de alta costura.

Clodovil começou a trabalhar em televisão quando era jovem. Em 45 anos, passou por quase todas as emissoras de TV do país. Em 1976, ficou famoso ao ganhar o prêmio máximo no programa 8 ou 800, apresentado por Paulo Gracindo, ao responder perguntas sobre Dona Beja, personalidade influente no século 19, na região de Araxá (MG).

No início dos anos 80, participou do programa feminino TV Mulher, na Rede Globo, ao lado da ex-prefeita de São Paulo e sexóloga Marta Suplicy, do cartunista Henfil e da apresentadora Marília Gabriela.

Clodovil esteve envolvido em inúmeras polêmicas. Em 2004, Clodovil foi acusado de racismo por ter chamado de "macaca de tailleur metida a besta" a vereadora Claudete Alves, durante o programa A Casa é Sua. Clodovil também enfrentou uma acusação de anti-semitismo, depois de declarar em uma entrevista à Rádio Tupi, em 2006, que os judeus teriam manipulado o holocausto e forjado o atentado de 11 de setembro contra o World Trade Center. Na mesma entrevista, referiu-se a um negro como "crioulo cheio de complexo".

Em 2006, elegeu-se  deputado federal pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC) com quase 500 mil voto. Ele foi o terceiro parlamentar mais votado em São Paulo. Em setembro de 2007 trocou de partido e filiou-se ao Partido da República (PR)

Na sexta-feira (13/3), o Tribunal Superior Eleitoral negou, por unanimidade, o pedido do PTC para que fosse declarada a perda de mandato do deputado. Os ministros entenderam que Clodovil teve justa causa para deixar o partido pelo qual foi eleito em 2006.




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Revista Consultor Jurídico, 17 de março de 2009, 18h14

Comentários de leitores

2 comentários

SIMPLES COINCIDÊNCIA ?

Raul Haidar (Advogado Autônomo)

Neli: concordo com seu comentário.
Sempre achei que o Deputado Clodovil era uma espécie de Enéas do Bem.Ambos incomodavam os donos do "puder", pois tinham luz própria.Faziam sucesso, coisa imperdoável neste pais onde floresce a inveja alimentada pela fracassomania que sustenta os mediocres.
Além disso, tinham o perigoso hábito de dizer o que lhes passasse pela cabeça, sem se submeter à mais covarde das censuras: a auto-censura.
E tinham, ainda, outra coisa muito mal vista no Brasil: independência.
Enéas não deixará saudades, a não ser aos que ainda acreditam em militarismo ou patriotismo.
Mas Clodovil fará falta. Não para mim, mas para todos os que acreditam que o talento e os esforços pessoais vencem tudo...
Lembrando o filósofo: "...superando os obstáculos devidos ao meu nascimento obscuro, agi não segundo a minha sorte, mas segundo a minha alma e me alcei ao nivel dos maiores" ( Sêneca, 62 AC)
Bom dia.

E,a Emenda?

Neli (Procurador do Município)

Nesse necrológio,o autor preferiu inserir a vida polemica do Clodovil,omitindo uma Emenda Constitucional,apresentada por ele,para diminuir os absurdos 513 deputados federais para 250.
Só por isso,valeu a carreira parlamentar .
Ele ,com a Emenda(mesmo que não seja aprovada),demonstrou ser mais estadista,ter mais amor ao país,do que todos os 512 parlamentares juntos.
Ao Clodovil:força,coragem e confiança em Deus nessa nova caminhada.

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