Emprego e desenvolvimento

Governo chinês quer atrair empresas brasileiras

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15 de março de 2009, 8h16

O governo chinês quer atrair empresas brasileiras e latino-americanas de médio e grande porte, de qualquer setor da economia, para criar um pólo industrial na província de Sichuan. Além de incentivos fiscais, oferece terrenos subsidiados em até 100% pelo governo local, água e energia, acesso a crédito e financiamento. “O céu é o limite quando o governo local e as políticas do governo central da China estão do seu lado”, explica o advogado Rodrigo do Val Ferreira (foto), do escritório Felsberg e Associados, que está articulando a criação do pólo industrial.

arquivo pessoal
Prédios Centro Antigos - arquivo pessoal

O objetivo da China é gerar empregos e levar desenvolvimento para a região, que em maio de 2008 passou por um terremoto devastador, o pior a atingir o país em décadas. A infra-estrutura local foi destruída, mais de 70 mil pessoas morreram e 5 milhões ficaram desabrigadas. Rodrigo do Val Ferreira falou à Consultor Jurídico, por e-mail, sobre a reconstrução da região.

“A resposta do governo chinês foi extremamente rápida e os trabalhos de reconstrução estão acontecendo a passos vertiginosos, mesmo para quem já está acostumado com o ritmo com que as coisas acontecem na China”, relatou.

Por enquanto, escolas e hospitais ainda funcionam em alojamentos pré-fabricados. A meta até o final do ano é construir 2,8 mil escolas e 1,1 mil hospitais. Em 2008, 560 mil novas habitações haviam sido construídas. A expectativa é que, em setembro, 100% da população esteja em casas definitivas. Das indústrias que atuam na região, 97% já retomaram a produção.

O trabalho de reconstrução deve acabar em 2010. Estima-se que até lá o governo tenha gasto 1,7 trilhões de yuans, que correspondem hoje a R$ 600 bilhões.

O advogado Rodrigo do Val Ferreira conta que o governo local convidou o escritório para cooperar e facilitar a entrada de empresas brasileiras interessadas em investir na região. Segundo ele, a negociação de um pacote mais favorável vai depender do perfil das empresas — se voltadas para exportação ou para o mercado interno chinês. “Em geral, quanto maior o número de empresas interessadas, maiores os incentivos que conseguiremos.”

Geografia econômica e física

A província de Sichuan é a segunda maior da China no ramo de componentes eletrônicos. A frota de carros é a terceira do país, posição ocupada também em número de habitantes. Sichuan está na quarta e na quinta posições no volume de cargas e passageiros.

Segundo Ferreira, a região onde deve ser construído o pólo industrial fica a menos de 100 quilômetros da capital de Sichuan, Chengdu, e a 300 quilômetros da cidade de Chongqiing, “uma das mais desenvolvidas e industrializadas da China, sob o controle direto do governo central, assim como Pequim e Xangai”.

A região atingida fica perto de onde começam as pré-cordilheiras, que evoluem para a formação do Himalaia, a maior cadeia de montanhas do mundo. Trata-se de uma região de instabilidade geológica, menor, porém, que no Japão ou na Califórnia, nos Estados Unidos.

Rodrigo Ferreira observa que Sichuan é vizinha de planícies férteis e, portanto, mais densamente povoadas do país.

[Foto: Arquivo pessoal]

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