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Física desafiada

No Espírito Santo, cela para 36 presos abriga 281

“Um desafio às leis da física”. A expressão usada por um agente da Polícia Civil capixaba e é a melhor definição para a situação dos detentos no Departamento de Polícia Judiciária de Vila Velha. Ali, 281 presos ocupam uma cela que tem capacidade para 36 detentos. O desafio à fisica é acompanhado por um "presômetro”, uma placa afixada em uma das paredes da unidade que atualiza o número de detidos a cada movimentação.

Para que se realize o milagre de oito presos no espaço construido para abrigar um, redes são amarradas umas sobre as outras, enquanto dezenas de presos ficam  agachados ou em pé, espremidos entre grades e paredes. Para dormir, os presos se revezam nas redes, mas mesmo com o rodízio, um preso dorme numa noite, outro dorme na outra.

  A situação calamitosa do presídio, narrada em reportagem da Agência Brasil, foi levantada a partir de uma inspeção no sistema carcerário do Espírito Santo que está sendo feita pelo Conselho Nacional de Justiça desde o início da semana. Nesta sexta-feira (22/5) estava prevista uma visita do juiz-auxiliar da presidência do CNJ, Erivaldo Ribeiro ao DPJ de Vilha Velha. Está previsto também um mutirão carcerário no estado para tentar minimizar a superlotação de unidades.

ainda segundo a reportagem da Agência Brasil, vários presos estão doentes e dividem apenas dois banheiros. A maioria é preso provisório, jovens que foram pegos no crime. “Os banheiros estão entupidos. Tem preso com tuberculose, gonorréia. Todo mundo tem que revezar entre as redes e ficar agachado. . Tem rato e barata na caixa d'água, infiltração”, descreveu, com o rosto entre as grades, Jefferson Rodrigo, 22 anos, que cumpre pena por assalto a mão armada.

“Aqui só gera mais ódio e raiva. Nossa família vem aqui e nos vê nessa humilhação. Quem está aqui porque roubou vai sair querendo matar para descontar tudo”, desabafou. Alguns centímetros acima de Rodrigo, com pelo menos mais dois presos entre eles, Francis Pinheiro, 27 anos, detido por furto, relatou uma sensação de sufocamento: “A gente respira o ar que sai da boca do parceiro.” Segundo outro companheiro de cela Caio César, 19 anos, preso por roubo a mão armada, lá dentro “tem epidemia de furúnculo, coceira, muita dor de barriga.”

Os poucos policiais civis que se veem obrigados a guardar os presos convivem o tempo inteiro com o risco de fuga em massa, revoltam-se por não estarem exercendo a função típica de investigar e cobram da Justiça uma solução para pôr fim à superlotação.
 

“Só quem pode soltá-los é a Justiça. O preso provisório da Polícia Civil fica sob nossa guarda no máximo 90 dias. Não existe Defensoria Pública no Espírito Santo. São sete defensores para uma população carcerária estimada em 7 mil presos”, criticou o presidente da Associação dos Investigadores da Polícia Civil do Espírito Santo, Júnior Fialho. 

Revista Consultor Jurídico, 22 de maio de 2009, 19h22

Comentários de leitores

7 comentários

Troca de favores...

Dr. Marcelo Alves (Advogado Sócio de Escritório - Criminal)

Enquanto isso, tem uma certa autoridade no ES - aliás investigada por tortura - que uns quatro anos atrás cedeu o "quintal da casa" quando era dirigente num outro órgão, para uma "experiência de celas metálicas" que posteriormente foram implantadas nos presídios no ES.
Hoje ele tem um cargo em comissão no ES e dizem que se governador soubesse de um décimo do lamaçal que envolve "tal otoridade", jamais teria feito tal nomeação.
Nisso tudo, o ES está à beira de uma intervenção e o povo não sabe como as coisas realmente acontecem ou, porque acontecem.
Mas é sempre bom lembrar que as pedras rolam e mudam de lugar.

NEM ANIMAIS SÃO TRATADOS ASSIM

Ariosvaldo Costa Homem (Defensor Público Federal)

Deveriam ser processados por tortura aqueles que não fiscalizam essa barbaridade, onde cabem 36, estão presos 281. DEPOIS QUEREM QUE ESTES PRESOS, AO SAIREM, SE COMPORTE COMO HUMANOS. Garanto que se FOSSEM ANIMAIS A SUIPA JÁ TERIA TOMADO SUAS PROVIDÊNCIAS. É caso de representação ao Tribunal Penal Internacional. É uma vergonha. No Entanto entram com ACP para garantir espaço para "mico-leão-dourado"; para impedir construção de "marina" por "poluição visual"; Para impedir que uma criança aprEsente um programa de televisão. Só futilidades. O principal e vergonhoso para o Brasil, se calam, não tomam providências. E não aparece nenhum "Salvador da Pátria". É UM VERDADEIRO ABSURDO. Por estes motivos é que a ação penal não deveria ser exclusivo.
Ariosvaldo de Gois Costa Homem - Defensor Público da União, Categoria Especial

ELES SABEM BEM...

Jorge Cesar (Advogado Autônomo - Internet e Tecnologia)

OS DEFENSORES PÚBLICOS SABEM BEM, MUITO BEM, DE ONDE VÊM AS CRÍTICAS À DEFENSORIA...

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