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Descanso antecipado

STJ se despede do ministro Paulo Gallotti

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A sessão desta terça-feira (30/6) da Corte Especial do Superior Tribunal Justiça foi dedicada a homenagens ao ministro Paulo Gallotti. A última sessão do semestre foi também a última de Gallotti como ministro, que se aposenta após 10 anos no STJ. O ministro antecipou em cinco anos a aposentadoria compulsória. Na sessão, Gallotti disse que deixa o STJ por motivos pessoais.

A Corte Especial do STJ é formada pelos 15 ministros mais antigos do tribunal. Coube ao ministro Nilson Naves, decano do STJ, a missão de representar os ministros e proclamar os votos de despedida. Em tom emocionado e, por vezes, poético, Naves não poupou elogios ao companheiro de tribunal. “O vazio que fica é do tamanho de sua dignidade. É impossível se esquecer as boas horas de convivência que tivemos”, disse Naves.

No mesmo sentido, o presidente do STJ, ministro Asfor Rocha, lamentou a antecipação da aposentadoria de Gallotti. “Entendemos suas motivações, mas lamentamos profundamente”, afirmou o presidente do STJ.

Por fim, o ministro Naves disse que Gallotti deixará saudade. Gallotti, por sua vez, afirmou que os elogios seriam “imerecidos, se não viessem de alguém com a grandeza de Naves”. Gallotti disse ainda que tem orgulho de ter sido ministro do STJ. “Hoje faz dez anos que assumi minha vaga no tribunal. Tenho profundo orgulho e honra”.

O ministro elogiou também os novos rumos do STJ, com a utilização do processo virtual. “Estou absolutamente certo e convicto de que o tribunal está no caminho certo, já nesta gestão de vossas excelências”, disse. “O STJ cumpre seu papel para que o Judiciário se engrandeça mais”, completou.

Corrida
Gallotti tinha 38 anos de magistratura e sua vaga no STJ pertencia à Justiça Estadual. Como antecipou a revista Consultor Jurídico, Gallotti informou a presidência do STJ sobre a aposentadoria no início de maio. Desde então, a disponibilidade da vaga deu largada a uma campanha silenciosa nos corredores do STJ. São elegíveis ao cargo os 1.480 desembargadores dos Tribunais de Justiça dos estados.

Só em São Paulo, oito desembargadores estão em campanha. Entre eles, Ivan Sartori, Nelson Calandra e José Roberto Bedaque.  Como mostrou a ConJur, a disputa pela vaga vinha causando mal-estar no STJ, em razão das visitas precipitadas de desembargadores-candidatos em busca de votos para uma vaga que ainda nem estava aberta.

 é repórter da Consultor Jurídico em Brasília.

Revista Consultor Jurídico, 30 de junho de 2009, 17h31

Comentários de leitores

1 comentário

A perda

Eduardo Elias (Advogado Associado a Escritório - Criminal)

EDUARDO ELIAS (criminalista e professor universitário): Tenho o salutar costume, sob minha ótica, de estar em todas as sustentações orais possíveis, junto ao STJ e STF, além dos TJs. Acostumei-me, por conseguinte, ao esperar minha vez, acompanhar o brilho de meus colegas e a voz dos Ministros. Acrescenta tanto, que por diversas e incontáveis vezes ficava até o final das sessões. Nestas oportunidades, singular atenção deteve-me junto à erudição e magnitude do Ministro Paulo Gallotti. Além de seu incomensurável saber jurídico, vinha a voz da serenidade e da ponderação. Não poucas vezes, em seus apartes, sempre amigáveis e construtivos, constatei colegas refletindo melhor e, inclusive, pedindo vistas para rever os seus próprios pontos de vista e votos. Realmente é uma perda irreparável, pois através do Ministro Paulo Gallotti continuei a acreditar que os juízes possuem uma alma inquebrantável e diferenciada. Uma verdadeira lição de vida, escorreição e sabedoria. Não fará apenas falta para o STJ, mas para o Brasil. Despojado do ego, optou pela vida e o convício com seus netos e netas, informação que pude celebrar em intervenção, no plenário, da Douta Ministra Maria Thereza. Que Deus o abençoe e o meu particular muito obrigado por seus votos que me vieram como lições.

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