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Crimes hediondos

Relator dá aval a PEC contra progressão de regime

Em análise na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, a Proposta de Emenda Constitucional que tirará de condenados por crimes hediondos o direito a progressão de regime prisional já tem apoio do seu relator na comissão. O deputado Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou que recomendará a aprovação da PEC 364/09.

A PEC, de autoria do deputado Valtenir Pereira (PSB-MT) — que também é defensor público —, determina o cumprimento da pena em regime fechado, do início ao fim, para o sentenciado por crimes de estupro, sequestro, atentado violento ao pudor, tortura, tráfico de drogas e terrorismo. Assim, o preso terá de cumprir a pena sempre em regime fechado, não podendo passar para o semiaberto ou o aberto.

"Hoje, 90% dos crimes hediondos são cometidos por reincidentes. Há muitos psicopatas que tiveram o benefício da progressão do regime e voltaram a delinquir. Eles sabem que, mesmo condenados, cumprirão apenas uma parte da pena na cadeia", diz o deputado Ciro Nogueira. "Devolver esse tipo de criminoso à sociedade antes do tempo previsto é contrário ao que a sociedade deseja, causando sensação de impunidade e estímulo ao crime", afirma o deputado Valtenir Pereira.

Se for promulgada, a PEC irá restaurar uma sistemática abolida pelo Supremo Tribunal Federal. Por 6 votos a 5, a corte decidiu conceder a progressão a um condenado por molestar três crianças, ao considerar inconstitucional o dispositivo da Lei 8.072/90 que excetuava o benefício para sentenciados por crimes hediondos e semelhantes.

A maioria dos ministros do STF considerou que negar a condenados por crimes hediondos a progressão de regime é incompatível com o princípio constitucional da individualização da pena de acordo com as peculiaridades de cada pessoa. Em outras palavras, o tribunal entendeu que a proibição tinha o efeito de uniformizar o tratamento a todo e qualquer condenado por crime hediondo.

Assim, presidiários com mau comportamento ou com comportamento exemplar, reincidentes ou não, seriam equiparados. Por outro lado, mesmo sem ter direito à progressão, os condenados por crimes hediondos podiam, observados os requisitos legais, obter o livramento condicional após o cumprimento de mais de 2/3 da pena — uma aparente contradição, segundo o STF. Esse benefício, porém, não vale para o condenado por crime hediondo reincidente.

Após essa decisão, o Congresso aprovou o projeto que deu origem à Lei 11.464/07, elevando a fração mínima da pena a ser cumprida pelos condenados por crimes hediondos para terem direito à progressão de regime: 2/5 para primários e 3/5 para reincidentes. A regra vale apenas para as infrações cometidas após a edição da lei. Por isso, grande parte dos condenados por crimes hediondos está passando para o regime semiaberto após 1/6 da pena, como os demais presos.

Contrário ao entendimento do STF, Valtenir Pereira afirma que a individualização da pena não é feita por meio do ajuste de sua duração, mas pela sua adaptação às necessidades de correção do detento. O deputado lembra que a lei já prevê, inclusive, o "estudo criminológico", que serve para fazer um diagnóstico do preso e dar subsídios à formatação de uma pena eficiente para a sua recuperação.

Ele também alega não ser correto o entendimento de que o condenado por crime hediondo deve ser libertado antes de cumprir toda a pena. "O bom comportamento carcerário não significa, necessariamente, que o preso está apto a uma boa convivência com a sociedade. Conceder a progressão como estímulo ao delinquente não se justifica, pois é obrigação do indivíduo cultivar bom comportamento em toda sua vida", afirma.

Além disso, ele argumenta que a proteção da sociedade deve prevalecer contra o direito do preso. A progressão de regime para presos por barbaridades, segundo o deputado, deu oportunidade à reincidência, como no caso do garoto Kaytto Guilherme Nascimento Pinto, de 10 anos, violentado e morto por um condenado por crime hediondo liberado do regime fechado. "O Poder Público não deve existir para defender interesses particulares ou de alguns e, sim, a vontade geral", diz. Com informações da Agência Câmara.

Clique aqui para ler a PEC.

Revista Consultor Jurídico, 29 de julho de 2009, 16h34

Comentários de leitores

11 comentários

PEC DO REGIME INTRALMENTE FECHADO

SÍLVIA SEMPRE PELA JUSTIÇA (Advogado Autônomo - Criminal)

O STF JÁ DECLAROU A INCONSTITUCIONALIDADE DO REGIME INTEGRALMENTE FECHADO E A SER APROVADA ESSA PEC, NOVAMENTE ADVIRÁ OUTRA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MELHOR SERIA QUE CONSTASSE APENAS "NOS CRIMES HEDIONDOS ETC......O REGIME PODERÁ SER O INTEGRALMENTE FECHADO". DEPENDENDO DA GRAVIDADE DO CASO, DA PERSONALIDADE DISTORCIDA DO AGENTE,DA PSICOPATIA DENOTADA, DO "MODUS OPERANDI", DA MALVADEZ DEMONSTRADA, E OUTRAS CIRCUNSTÂNCIAS MAIS GRAVES NO COMETIMENTO DO CRIME, O JUIZ IMPORÁ O REGIME INICIAL OU INTEGRALMENTE FECHADO. NEM SEMPRE UM HOMICIDIO QUALIFICADO POSSUI TANTA GRAVIDADE QUANTO UM LATROCÍNIO OU A PEDOFILIA, DEPENDENDO DOS MOTIVOS. NOSSO QUERIDO AMIGO DEFENSOR PÚBLICO, HOJE DEPUTADO FEDERAL POR MATO GROSSO, DEMONSTROU BOA VONTADE, PORÉM TOTAL IMPRECISÃO EM SUA PEC, FORMALIZADA EM VIRTUDE DE FATO CRIMINOSO PRATICADO CONTRA UMA CRIANÇA, E QUE REVOLTOU NOSSA POPULAÇÃO, PELO EQUÍVOCO DO JUIZ QUE DEU PROGRESSÃO INDEVIDA, SEM O VERDADEIRO EXAME CRIMINOLÓGICO, A UM RÉU PSICOPATA, CONDENADO A 46 ANOS PELO MESMO TIPO DE CRIME. TODA LEI ELABORADA NUM MOMENTO DE GRANDE EMOÇÃO É FADADA AO INSUCESSO.

a PEC é de autoria de um defensor que quer ser promotor

analucia (Bacharel - Família)

e quem propös foi um defensor público ....
Quem propös a PEC foi um defensor público .... O Deputado FEderal Valtenir Pereira, isto é a prova cabal do risco de termos uma defensoria com monopólio da assistencia juridica e ainda atendendo aos interesses da "vítima". Em breve váo querer pedir a condenaçao do réu também. Ou seja, a defensoria é um órgáo estatal para controlar, vigiar, punir e agilizar as condenaçoes dos pobres....

Correção.

Quinto ano na Anhanguera-Uniban Vila Mariana. (Estudante de Direito - Criminal)

Na quarta linha, o correto é "defensorzinho", e na última linha, "ignorante das Leis". Obrigado.

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