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Direito de bolso

Advogados se rendem às facilidades dos smartphones

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Checar e-mails o tempo todo, cronometrar quanto tempo gasta no telefone com cada cliente, consultar processos e legislação enquanto está parado no trânsito. Essas são algumas das facilidades oferecidas pelos smartphones que, recentemente, invadiram o Brasil e já se tornaram a menina dos olhos dos advogados.

Blackberry - telefone - Assessoria RIM (Blackberry)

Nos Estados Unidos, os smartphones foram adotados por quase todos os advogados. Uma pesquisa da International Legal Technoloy Association (ILTA), encomendada pela Blackberry, revela que 86% dos maiores escritórios de advocacia norte-americanos utilizam as soluções da Blackberry (foto ao lado). A pesquisa não mostra, mas provavelmente grande parte dos outros 14% usa outras marcas de smartphones disponíveis no mercado. “Os clientes querem um advogado acessível, que responda em tempo real, e isso o celular smartphone permite fazer”, diz a advogada e usuária Patrícia Peck. Ela conta que já ganhou muitos trabalhos por responder a uma solicitação em tempo real. 

Flavia Maria Vasconcelos Pereira, sócia do Trench, Rossi e Watanabe na área de propriedade intelectual, concorda que o smartphone garante que o advogado fique acessível para o seu cliente a qualquer tempo. “Uso muito para receber e enviar e-mails e fazer conference calls, principalmente no taxi, presa no trânsito ou aguardando alguma reunião.”

Além de manter o advogado 24 horas no ar, os smartphones oferecem uma gama enorme de ferramentas, que explicam a definição do aparelho como computador de mão. Há sistemas, por exemplo, que são específicos para a área jurídica. O Time-Capture, da Blackberry, permite ao usuário registrar chamadas telefônicas e tempo gasto em reuniões, por exemplo, e já contabiliza esses dados nos honorários que devem ser pagos pelo cliente. Essa ferramenta pode ser integrada com o controle que já existe no escritório. “Em apenas dois cliques, o registro é imediatamente encaminhado para o sistema de controle do escritório, permitindo assim maior eficiência e transparência no relacionamento com os clientes”, explica Adriano Lino, gerente de Inteligência de Mercado para América Latina da Blackberry.

Software de contagem de tempo/reuniões no iPhone - Assessoria Apple

Os modelos iphone ou iphone Touch têm o Billable Hours (veja ao lado). Basta cadastrar o cliente e digitar o tipo de trabalho que está fazendo no momento para que o “relógio” do sistema comece a computar o tempo. No final do dia ou do mês, o sistema envia por e-mail um relatório das horas registradas.

O Expense Tracking, da Blackberry, permite o envio de dados diretamente ao escritório. Nesse caso, é possível incluir despesas de taxi ou refeição com cliente, por exemplo. "A despesa é automaticamente transferida para o sistema de controle com a correta conversão da taxa de câmbio no caso de uma despesa no exterior e é associada ao centro de custo apropriado”, explica Lino. Já o Timewerk, disponível em inglês e espanhol no iphone, também computa horas gastas com trabalho, arquiva processos e calcula taxas.

Além do acesso comum ao e-mail pelo celular, a Blackberry permite um controle remoto destas mensagens. Com um sistema instalado no servidor da empresa — o BES (Blackberry Enterprise Server) — é possível controlar as mensagem à distância. “Com o sistema, é possível criar políticas de segurança como, por exemplo, apagar remotamente o celular em caso de perda/roubo, habilitar que sites que o usuário pode ou não navegar, desabilitar a câmera fotográfica/multimídia, controlar chamadas interurbanas, etc.. São mais de 430 políticas de segurança”, conta Lino.

Hoje, a advogada Patricia Peck utiliza apenas a sincronização do celular com o computador para registrar o que foi feito na rua, mas ela pretende adotar um servidor no escritório que permita que essa comunicação seja em tempo real. “Está no projeto de crescimento do escritório para 2010”, revela.

Há aplicativos, como os disponibilizados pela Apple, fabricante do iphone, que permitem ações rápidas como escanear documentos e organizar um conferencecall pelo celular. Para ter acesso, basta fazer o download pelo próprio aparelho ou no computador, pelo iTunes (aplicativo da Apple). Entre os exemplos está o CardLasso, em que basta fotografar um cartão de visitas para que os dados sejam registrados automaticamente na agenda do aparelho e o DocScanner. Este, além de escanear o documento, transforma o arquivo para o formato PDF. A voz também pode ser registrada no iPhone pelo QuickVoice Recorder.

Para organizar uma conferencecall, a ferramenta de mesmo nome permite agendar uma reunião e já envia o convite para os contatos selecionados a participar da ligação conjunta. O Documents free, também do iphone, organiza arquivos de textos e os sincroniza com o Google Docs. Já o Folders importa todos os arquivos e pastas do computador para o aparelho. É possível bloquear as pastas com senha ou deixá-las ocultas, por segurança.

Legislação a um clique
Ao invés de acessar a internet em busca da íntegra de uma lei, os smartphones facilitam essa busca por meio de sistemas como o JusBrasil Mobile. Sem acessar a internet, é possível pesquisar, consultar e visualizar todo o conteúdo do site JusBrasil, que contém legislação e normas brasileiras que podem ser acessadas tanto pelo Blackberry como pelo iphone.

Vade Mecum no iPhone - Assessoria Apple

Também em relação a conteúdo jurídico, a Apple disponibiliza o Vade Mecum (conforme foto ao lado), que contém a íntegra da Constituição Federal, Códigos, CLT, Orientações Jurisprudenciais, Legislações Complementares, Súmulas e Estatutos. A base de dados é atualizada mensalmente.

Pelo iphone, é também possível acessar o Código de Defesa do Consumidor Brasileiro. Além de ter acesso a lei completa, há um campo para anotações. Há também a Lei do Juri Comentada, conteúdo de um livro de Alexandre Couto Joppert para os artigos do Código de Processo Penal que foram modificados por força da Lei 11.689/08.

Segurança na troca de dados
Uma preocupação dos advogados em utilizar o smartphone como principal ferramenta de trabalho é a segurança. “Temos uma rotina de apagar tudo a cada três dias, devido a questões de segurança da informação”, afirma Patricia Peck.

Porém, há maneiras para tornar o smartphone uma ferramenta de trabalho mais segura. O Blackberry permite que toda a troca de dados seja criptografada ponto a ponto por algorítimos. “Oferecemos um conjunto de políticas de segurança embarcadas no próprio terminal e/ou controladas remotamente. Hoje, o smartphone já é utilizado pelo FBI, Casa Branca, ONU, Polícia de Londres, CIA e outros órgãos muito sensíveis à questão da segurança da informação”, explica Adriano Lino, da Blackberry.

Já o iPhone pode ser bloqueado inteiramente por senha e o usuário pode autorizar o telefone a apagar todas as informações após 10 tentativas erradas. Por meio do serviço MobileMe, os usuários do iPhone podem apagar tudo o que está no aparelho remotamente pelo comando Remote Wipe, função do Find my iPhone. Outra recomendação dada pela Apple é que o usuário ative o SSL quando configurar a conta de e-mail. O comando protege a senha do usuário e faz com que o iPhone mande informações sobre a conta de forma segura para o servidor quando fizer uma atualização de dados.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 26 de julho de 2009, 9h47

Comentários de leitores

5 comentários

Escravos do século XXI

Armando do Prado (Professor)

Escravos da tecnologia e da sociedade da (des)informação, porque na verdade sabe tudo e nada ao mesmo tempo.

Artigo tendencioso ou incompleto?

João Pereira (Bacharel - Internet e Tecnologia)

comentário escrito diretamente do meu Nokia E71.
Trabalho com as três principais plataforma: Symbian, Blackberry, iphone.
Antes de mais nada parabéns pelo artigo, chegou a hora dos profissionais do Direito também estarem acompanhando as mudanças dos acontecimentos do mundo dos fatos.
Acredito que o artigo foi incompleto pois se quer comentou sobre o SO Symbian, o que dizer então das inúmeras aplicações a exemplo das informadas na reportagem, e ainda de aplicações de acompanhamento processual para symian.
Espera-se que na próxima reportagem haja uma pesquisa mais consistente.
Parabéns assim mesmo.
João Pereira
Consultor

Tecnologia vai dar cadeia agora?

Ramiro. (Advogado Autônomo)

Será que usar tecnologia vai ser crime pressuposto?
http://www.conjur.com.br/2009-mar-26/sanctis-faz-suposicoes-camargo-correa-defende-preventiva
"O juiz da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, Fausto Martin De Sanctis, não tem certeza de nenhuma das imputações feitas pela Policia Federal contra a construtora Camargo Corrêa no relatório final da assim chamada Operação Castelo de Areia.(...)Supõe-se tudo, conjectura-se à vontade, e não se afirma quase nada.(...)O juiz e os policiais que redigiram o relatório final da operação não se conformam com as precauções tomadas pelos supostos delinquentes para arquitetar a execução dos supostos ilícitos.(...)Um passo à frente é o uso de telefones criptografados que embaralha a audição da conversa para quem não foi convidado para o encontro. Mais prosaico e aparentemente tão eficaz quanto é o uso do skype, o serviço de telefonia pela internet que tem a vantagem de ser gratuito ou muito mais barato do que uma ligação telefônica convencional. Os investigadores reclamam ainda de um dos investigados que, não satisfeito em apagar dados do disco rígido do computador, trocou o mesmo por um novo, virgem."
Depois vem a resposta, e culpa é do CONJUR?
http://www.conjur.com.br/2009-mar-31/desembargadora-licao-direito-pf-juiz-sanctis-mp
e o choro da turma insatisfeita com ter que trabalhar com inteligência...
http://www.jusbrasil.com.br/noticias/973777/para-juizes-desembargadora-foi-muito-dura-com-de-sanctis
"A decisão da desembargadora Cecília Mello, do TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, que anulou as ordens de prisão decretadas pelo juiz federal Fausto Martin De Sanctis na Operação Castelo de Areia, foi interpretada como excessivamente dura por juízes de primeira instância."

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